
Pouco menos de uma semana para o primeiro turno da eleição presidencial, a mais tensa dos últimos anos, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que desponta como um dos favoritos da corrida eleitoral, tem muito a explicar para cada brasileiro que vai às urnas no dia 4 de outubro.
Um dos protagonistas do escândalo envolvendo o Banco Master, no âmbito do polêmico filme Dark Horse, Flávio foi atingido em cheio com a crise em torno do seu nome, após a divulgação de áudios que revelaram seu elo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na época que o áudio explodiu, Flávio viveu um turbilhão em sua pré-campanha, oscilando na preferência do eleitor nas intenções de voto. Passado o susto, o candidato reagiu e melhorou, mas ainda deixou um rastro de muitas perguntas sem respostas.
Condenação de Bolsonaro pesa sob Flávio
O discurso de defesa ao regime democrático adotado por Flávio cai por terra quando o eleitor mais atento se lembra do fato de que o candidato é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
O movimento de Bolsonaro, que não pode e não deve ser esquecido, ocorreu justamente após a derrota na eleição presidencial contra o mesmo adversário enfrentado por seu filho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Flávio, claro, não responde pelos erros do seu pai e tem o seu próprio CPF. O grande problema é que ele defende Bolsonaro, nega o episódio e promete libertar seu pai, o que não é atribuição sua em um indulto, se eleito.
A promessa de Flávio é complexa e pode colocar o Brasil em uma nova crise política nos primeiros dias do seu novo mandato. Em entrevistas, sabatinas e atos de campanha, Flávio Bolsonaro tem mantido a sua promessa inconstitucional.
Os muitos dilemas de Flávio Bolsonaro
Flávio tem uma série de episódios polêmicos ao longo da sua trajetória política.
A relação com o policial Adriano da Nóbrega e seus familiares, as acusações por rachadinhas nos tempos de deputado estadual no Rio de Janeiro, seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro e, acima de tudo, a possível influência do seu pai em um eventual governo.
Sem dúvidas, a influência de Bolsonaro, caso Flávio chegue ao Planalto, é o seu maior dilema até aqui. O senador tem dito que vai subir a rampa ao lado do pai no dia da possível posse.
Tal promessa coloca em xeque sua autonomia enquanto futuro presidente. Todos sabem e lembram como foi o governo Bolsonaro, assim como todos sabem que sua interferência, preso ou solto, prejudicaria não somente o mandato do seu filho, mas o andamento saudável das instituições democráticas.
Flávio também precisa explicar como será a relação com os Estados Unidos, assim como precisa deixar claro qual será o papel de Donald Trump nos rumos do Brasil.
Flávio, não se pode esquecer, foi aos Estados Unidos pedir a inclusão de facções como organizações terroristas, colocando em risco a soberania do Brasil perante aos interesses americanos.
O candidato, antes de qualquer coisa, precisa garantir que será o primeiro mandato da sua passagem pelo Planalto, não um segundo mandato de Jair Bolsonaro, que já teve sua oportunidade não tão distante.
Até o dia 4 de outubro, ou até o dia 25 de outubro, Flávio Bolsonaro ainda terá muito o que explicar aos eleitores brasileiros, e convencer de que será melhor, ou mais razoável, pelo menos, que seu pai.
Cada um responde por si, mas é impossível falar de um futuro com Flávio sem lembrar do passado não tão distante e confuso protagonizado por Jair.



