MECÂNICO LEGAL
Água ou aditivo? O erro comum que pode fundir o motor do seu carro
Novo quadro do Portal A TARDE desmistifica mitos da mecânica e traz dicas práticas para o bolso do motorista


Na hora de checar o nível do reservatório sob o capô do carro, um hábito antigo e aparentemente inofensivo ainda persiste entre muitos condutores: usar a famosa "água de torneira" ou aquela garrafinha esquecida no porta-malas para completar o sistema.
Pensando nisso, e em outras dúvidas de motoristas, o Portal A TARDE lança o quadro "Mecânico Legal", que trará dicas práticas de manutenção e utilidade todos os domingos.
E para estrear, o alerta é sobre uma prática que é uma das maiores vilãs nas oficinas, sendo responsável por quebras severas e prejuízos pesados.
O perigo oculto na água da torneira
O sistema de arrefecimento é o coração térmico do veículo. Ele garante que o motor trabalhe na temperatura ideal. Quando o motorista utiliza água comum, o cloro e os sais minerais presentes no líquido da rede pública reagem diretamente com os componentes de ferro e alumínio do motor.
Com o tempo, essa reação química gera oxidação extrema, criando uma espécie de "lama" marrom. Esse resíduo entope as galerias internas, destrói o radiador e corrói a bomba d'água.
Além disso, a água pura ferve a 180°F (100°C) — uma temperatura facilmente atingida pelo motor em situações de trânsito intenso, como os congestionamentos diários nos horários de pico. Quando a água ferve e evapora, o motor fica desprotegido e pode fundir.

O que o seu carro realmente precisa?
Para proteger o veículo e evitar idas prematuras à oficina, o sistema exige uma combinação muito específica de dois componentes
- Aditivo de radiador (base de etilenoglicol): funciona como um escudo químico. Ele eleva o ponto de ebulição da água (fazendo com que ela resista a mais de 230°F (110°C) sem ferver) e protege todas as partes metálicas contra a ferrugem.
- Água desmineralizada: é um líquido que passou por um processo rigoroso de purificação, sendo totalmente livre de cloro, minerais ou impurezas. Ela serve exclusivamente para diluir o aditivo sem gerar reações corrosivas.
Dica de ouro do Mecânico Legal
Para quem quer praticidade e evitar erros na proporção, a melhor escolha nas lojas de autopeças é o aditivo pronto para uso (pré-diluído). Ele já vem na medida exata recomendada pelos fabricantes, bastando abrir e colocar no reservatório.

Alerta: nível baixando não é normal
Se você precisa completar a água do radiador toda semana, atenção: há um vazamento no sistema. O circuito de arrefecimento é selado e o líquido não deve sumir.
Deixar o problema de lado e apenas "completar com água comum" vai acelerar a corrosão interna. O ideal é procurar uma oficina para realizar um teste de pressão no sistema (que identifica mangueiras ressecadas ou trincas no reservatório) antes que o ponteiro da temperatura suba, gerando um conserto que pode passar facilmente dos R$ 5 mil.
E você, já olhou o nível do reservatório do seu carro hoje? Não vacile com o bolso! O quadro Mecânico Legal fica por aqui, mas no próximo domingo, 31, traremos mais uma dica prática para você economizar e cuidar bem do seu veículo. Até a próxima!


