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Etanol e eletrificação redesenham setor automotivo
Montadoras seguem rotas distintas para reduzir emissões


A indústria automotiva brasileira acelera por caminhos diferentes para reduzir emissões e ampliar a produção local. Fabricantes instaladas há décadas retomam projetos de veículos movidos exclusivamente a etanol e defendem incentivos ligados ao conteúdo nacional. Ao mesmo tempo, a BYD avança com elétricos e híbridos em Camaçari e anuncia novas etapas industriais para elevar a nacionalização de seus modelos.
Segundo a Automotive Business, a Stellantis já testou em bancada um motor calibrado para funcionar exclusivamente com etanol, mas condiciona o lançamento comercial à criação de incentivos ao consumidor. Os testes em bancada avaliam o motor ou seus componentes em ambiente controlado, antes ou em paralelo às avaliações realizadas no veículo.
A Volkswagen, por sua vez, de acordo com a Automotive Business, testa uma Saveiro abastecida somente com etanol e ainda avalia a viabilidade comercial do projeto.
A General Motors foi a primeira a colocar um produto dessa categoria no mercado. O Chevrolet Onix Eco foi inicialmente anunciado por R$ 103.190 na versão hatch e R$ 106.990 na sedã. Com o repasse dos incentivos tributários, os preços passaram para R$ 99.990 e R$ 103.990, respectivamente
Etanol na gasolina
A retomada ocorre mais de 50 anos após a criação do Proálcool, programa que estruturou a produção do combustível e levou os carros movidos a álcool a cerca de 90% das vendas nacionais em meados da década de 1980. Agora, o biocombustível reaparece associado às metas de descarbonização e ao Programa Carro Sustentável, que oferece tratamento tributário mais favorável.
A estratégia se relaciona à disputa sobre o grau de industrialização dos carros fabricados no Brasil. Montadoras tradicionais defendem mais incentivos para empresas com maior integração local, desenvolvimento tecnológico e rede de fornecedores. Sustentam que o país não deve se limitar à montagem de kits importados e cobram políticas para ampliar a produção de componentes e a geração de tecnologia.
O movimento ganhou impulso em 14 de julho, quando o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a elevação temporária de 30% para 32% do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina comum. A mistura E32 entra em vigor em 1º de agosto, inicialmente por 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período.
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BYD na Bahia
Na Bahia, a BYD avança na nacionalização de sua operação em Camaçari. Segundo a fabricante, 250 dias após a inauguração oficial do complexo baiano, a unidade alcançou 100 mil veículos eletrificados montados e reúne 5,5 mil trabalhadores. Desse total, 86% são baianos e 52% vivem no município.
Atualmente, são montados os modelos Dolphin Mini, King e Song Pro.“Cada veículo que sai da linha de produção de Camaçari carrega o trabalho, o talento e a dedicação de uma equipe que acreditou nesse projeto desde o começo”, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil. No segundo semestre de 2026, a empresa prevê inaugurar as áreas de estamparia, soldagem e pintura, ampliando o conteúdo local. O investimento anunciado é de R$ 5,5 bilhões.


