MECÂNICO LEGAL
Óleo escuro no motor? Entenda o mito que faz você jogar dinheiro fora
Quadro do Portal A TARDE traz dicas práticas de manutenção aos domingos

Durante vistorias de rorina, em postos de combustíveis, é comum o frentista ou o mecânico puxar a vareta de checagem de óleo para ferificar o nível.
Ao se deparar com o material mais escurecido, aconclusão é rápida: a substância queimou e deve ser trocada, porém, muitos não sabem que essa reação pode ser somente o óleo mostrando que está fazendo seu trabalho corretamente.

No episódio deste domingo, 09, do quadro “Mecânico Legal”, vamos explicar o porquê de o óleo escuro não ser um sinal de alerta para o motorista, e também mostrar quais são as reais evidências de que algo está errado no óleo do carro.
Porque o óleo escuro não é vilão?
Segundo especialistas, o óleo, que funciona como um lubrificante, aplicado dentro do motor dos carros apresenta diversas funções, incluindo a causa de seu escurecimento: a limpeza interna do motor do veículo.
Com essa função, o lubrificante que corre dentro dos carros também é um agente de limpeza do motor, removendo impurezas e resíduos da queima de combustível.
Ou seja, ao limpar algumas partes do motor, consequentemente o óleo vai escurecer, e isso é natural e deve ser tratado como um sinal de que o óleo está cumprindo com sua função de agente limpante.
Além de agente de limpeza, o óleo ainda atua como
- Lubrificante para peças móveis, reduzindo o atrito e o desgaste.
- Controlador de temperatura, dissipando o calor gerado pela combustão.
- Previne a corrosão, protegendo superfícies metálicas.

Entenda o "golpe" do óleo queimado
Porém, como muitas pessoas não sabem que o óleo escurece naturalmente, é comum que oficinas ou postos de combustíveis, ao realizarem uma vistoria no óleo, sinalizem que o material estaria “queimado” por causa da coloração, necessitando da troca imediata do material e se beneficiando da desinformação da população.
Caso o motorista não saiba que isso é um golpe, assustado, ele aceita e precisa desembolsar de R$ 150 a R$ 400 para a troca de um óleo e um filtro de óleo que estão funcionando plenamente.
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Quando o óleo realmente é um problema?
Mesmo que óleo escuro não signifique um problema, existem situações em que a aparência do material pode indicar que algo está errado dentro do sistema.
Entenda os sinais de alerta
- Aspecto de “café com leite” ou maionese: se o óleo apresentar uma cor leitosa ou esbranquiçada, isso é um sinal crítico de contaminação por líquido de arrefecimento. Provavelmente há uma junta de cabeçote queimada ou rachadura no bloco.
- Cheiro forte de combustível: Se o óleo estiver muito fino (viscosidade baixa) e com cheiro de gasolina ou diesel, há uma falha na combustão ou nos bicos injetores, diluindo o lubrificante.
- Presença de partículas metálicas: se você notar brilhos metálicos ao sol, isso indica desgaste excessivo de componentes internos, como bronzinas e anéis.
- Textura de borra: Se o óleo estiver excessivamente espesso, parecendo uma graxa ou “chiclete”, ele passou do prazo de troca há muito tempo e começou a oxidar severamente.
- Odor de queimado ou fumaça no escapamento.
- Consumo excessivo de óleo.
- Quilometragem ultrapassada desde a última troca.

Como saber a hora certa de trocar o óleo?
Pelo motivo de a cor não ser o principal indicador para saber quando o óleo do motor deve ser trocado, a melhor forma de se situar em que momento ele deve ser trocado é seguindo as indicações do manual do proprietário.
Saiba os critérios de troca
- Quilometragem: O limite estabelecido pela montadora (ex.: 10.000 km).
- Tempo: Geralmente 6 meses ou 1 ano, mesmo que você não tenha atingido a quilometragem. O óleo oxida naturalmente em contato com o oxigênio.
- Uso severo: Se você enfrenta muito trânsito (anda e para), faz trajetos curtos onde o motor não esquenta totalmente ou roda em estradas de terra, o intervalo de troca deve ser reduzido pela metade.
Trocar o óleo dentro do prazo é a melhor forma de garantir
- Maior durabilidade do motor.
- Redução no consumo de combustível.
- Menor emissão de poluentes.
- Evitar formação de borra e depósitos internos.
É possível verificar o óleo em casa?
Sim, é possível verificar o óleo sem precisar ir a uma oficina ou posto de gasolina, e pode ainda ajudar o motorista a acompanhar as condições do seu veículo.
O procedimento precisa ser feito conforme as orientações do fabricante. Normalmente, o veículo precisa:
- Estacionado em uma superfície nivelada;
- O motor deve estar nas condições indicadas no manual para a medição.
Além do nível, que também pode ser verificado neste procedimento, o motorista deve checar a aparência geral do óleo, mas não deve utilizar apenas a cor como critério para decidir pela troca.
Em caso de dúvidas, o mais indicado é que o motorista procure um atendimento especializado.

Como escolher qual óleo utilizar no carro
Para escolher o óleo ideal para o motor de seu carro, é necessário se atentar a três fatores principais: viscosidade, desempenho/tecnologia e a base do óleo.
Viscosidade (sigla SAE)
O primeiro ponto indica a resistência do óleo ao escoamento em algumas temperaturas. Na embalagem, essa descrição é feita com um código, como 5W-30 ou 10W-40.
- O número com "W" (Winter/Inverno): indica a fluidez do óleo no momento da partida a frio. Quanto menor esse número (ex.: 0W ou 5W), mais rápido o óleo circula ao ligar o motor, evitando desgaste imediato.
- O segundo número: indica a espessura da camada de proteção em alta temperatura de funcionamento do motor (ex.: 30 ou 40).
Desempenho e Tecnologia
Além da viscosidade do óleo, o material também precisa ter aditivos específicos exigidos pelo seu motor:
- API (American Petroleum Institute): É identificada por duas letras, como API SP ou API SN. A primeira letra "S" indica motores a gasolina/flex. A segunda letra segue a ordem alfabética: quanto mais avançada no alfabeto, mais recente e rigorosa é a tecnologia do óleo. Você pode usar uma letra superior à indicada no manual (ex.: usar SP se o manual pede SN), mas nunca inferior.
- Homologação da montadora: carros modernos exigem normas específicas da marca (ex.: VW 508 88, Dexos 1 Gen 3 para a GM, ou normas para motores com correia banhada a óleo). Confirme se a aprovação está listada no rótulo.
Base do óleo
Finalizando a trinca que define qual tipo de óleo utilizar em seu motor, está o material utilizado para a fabricação da substância.
- Sintético: produzido em laboratório, oferece a melhor proteção, dura mais e atende motores modernos ou turbo.
- Semissintético: mistura de base mineral com sintética, oferecendo bom custo-benefício para carros de meia-vida.
- Mineral: extraído do petróleo. mais barato, porém degrada mais rápido e é indicado para carros mais antigos.
O quadro Mecânico Legal fica por aqui, e no próximo domingo, 16, traremos mais orientações de mecânica descomplicada para proteger a sua segurança e o seu bolso. Até lá!



