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Familiares antecipam as homenagens de finados

Publicado quarta-feira, 01 de novembro de 2017 às 21:27 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Franco Adailton
Grupos de idosos foram ao Campo Santo reverenciar a memória dos parentes
Grupos de idosos foram ao Campo Santo reverenciar a memória dos parentes -
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Os principais cemitérios da capital baiana prepararam uma programação especial dedicada ao Dia de Finados, que é lembrado anualmente a cada 2 de novembro. Chuva de pétalas, missas e palestras marcam as homenagens realizadas em alusão à memória daqueles que já morreram.

Apesar de ser celebrado oficialmente nesta quinta-feira, 2, muita gente, a maioria idosos, aproveitou esta quarta, 1º, para manter a tradição de prestar homenagens aos mortos. As reverências incluíam realizar orações, depositar flores nos túmulos, limpar as sepulturas e acender velas.

Nem precisa ser Dia de Finados para o motorista Jailton Tomaz, de 67 anos, ir ao cemitério Campo Santo, na Federação, para limpar o túmulo do sogro do patrão dele. O ritual, segundo conta o trabalhador, se repete quatro vezes a cada ano, sempre em datas especiais.

Munido de estopas embebidas com cera, Jailton lustra cuidadosamente o mausoléu familiar, até chegar ao ponto de brilho. “Há mais de 40 anos, eu desempenho essa função de preparar o jazigo, também com flores, para a família visitar”, conta o dedicado funcionário.

Com os olhos marejados, a aposentada Aída Cerqueira, 72 anos, remove os tocos antigos de vela para colocar uma nova no jazigo do falecido marido. “Era uma pessoa muito boa, que, enquanto esteve conosco, nos proporcionou belos momentos. Merece ser lembrado”, emociona-se.

Imagem ilustrativa da imagem Familiares antecipam as homenagens de finados

Munido de estopas embebidas com cera, Jailton Tomaz repetiu o gesto de limpar o jazigo do sogro do patrão

Ganho extra

Quem aproveitou também para ganhar um trocado foram os vendedores de flores, mas reclamaram do “movimento fraco”, a exemplo do comerciante Valmir “das Flores”, 51 anos, que há mais de três décadas trabalha na área adjacente ao Campo Santo.

Para Valmir, que comercializa arranjos que variam de R$ 3 a R$ 30, a queda no número de visitantes tem a ver com a perda da tradição. “A cada ano que passa, a tendência é cair, pois os mais jovens não ligam para homenagear os ente queridos que já partiram”, avaliou.

Assim como ele, o jovem Reinaldo de Jesus, 22, oferecia aos visitantes serviço de limpeza de sepulturas, além de preparação para decoração. “A gente coloca areia para segurar as velas e também levamos água para as flores”, contou.

Programação

O Campo Santo terá uma série de missas ao longo do dia, com a primeira marcada para começar às 6h30. Entre elas, uma será celebrada pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, às 9h, em memória dos fiéis falecidos. A última celebração está prevista para 15h30.

A partir das 7h, o Jardim da Saudade, em Brotas, dá início à programação, quando recepciona os visitantes com uma apresentação musical. As missas estão marcadas para as 8h, 9h – seguidas por uma chuva de pétalas de rosas às 11h – e 16h.

No bairro de Nova Brasília, no cemitério Bosque da Paz, o bispo auxiliar dom Gilson Andrade Silva celebra a primeira missa do dia, às 9h. O espaço terá, ainda, uma palestra da espírita Sônia Dórea, que abordará a concepção sobre a morte. Às 17, o padre Paulo Pitombo encerra as celebrações.

Aberto das 8h às 18h, o cemitério Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas, terá missas às 9h, 11h, 14h e 16h. Já os cemitérios municipais receberam manutenção da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) para receber cerca de dez mil pessoas.

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