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Longas filas e tumulto na venda de ingressos para show de Chico Buarque

Publicado segunda-feira, 05 de fevereiro de 2007 às 16:52 h | Atualizado em 05/02/2007, 16:52 | Autor: Thiago Fernandes
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Paciência e disposição para encarar uma fila que começou a se formar às 5 horas da manhã. Essas foram as principais exigências para os baianos que lotaram as bilheterias do Teatro Castro Alves (TCA) ou os postos do teatro nos SACs dos Shoppings Barra e Iguatemi para comprar ingressos para o novo show de Chico Buarque, "Carioca". Os 13 anos sem se apresentar em Salvador foram suficientes para levar uma multidão aos locais de venda. As apresentações acontecem entre os dias 15 e 18 de março e os ingressos, que custam entre R$140 e R$180, devem esgotar ainda esta semana.



No TCA, cerca de 70 pessoas aguardavam o momento de abertura das bilheterias, o que só ocorreu ao meio-dia. A comerciante Mara Andrade foi a primeira a ser atendida. Após sete horas de espera e o pagamento de R$ 630 reais, exibia feliz os ingressos para todos os dias de apresentação. "Chico vale isso e muito mais", disse. A opinião era unânime, mesmo entre aqueles que não teriam tantas opções para escolher a poltrona onde vão assistir ao espetáculo. É o caso do motorista Adenilson Pereira, que chegou ao TCA 15 minutos antes do início das vendas. "Não esperava tanta gente, mas fazer o quê? O negócio é esperar e encarar a fila".



Além da bilheteria do TCA, os ingressos estão à venda nos postos do Teatro nos SACs dos Shoppings Barra e Iguatemi. Ao contrário do ponto central, nos postos houve distribuição de senhas desde as seis horas da manhã. A grande demanda por ingressos acabou causando transtornos.



No Iguatemi, houve um princípio de tumulto quando uma senhora tentou aplicar a famosa "carteirada" para passar à frente das pessoas alegando não precisar pegar fila por ser desembargadora. A ação foi impedida pelos seguranças do SAC, após os protestos dos presentes. Além disso, uma jovem de cerca de 20 anos, que pediu para não ser identificada, precisou de atendimento médico após desmaiar na fila devido ao calor. "Isso aqui está uma desorganização só. Eles só sabem distribuir senha, mas na hora de organizar a fila, fica esse tumulto", desabafou a funcionária pública Dulce Sampaio, que chegou ao local às 7h30 e conseguiu a senha 59.



A situação foi agravada pela demora no sistema de reserva e impressão de ingressos do teatro, associado à possibilidade de escolha das poltronas disponíveis. Com isso, as pessoas levavam entre três e cinco minutos para efetuar a compra.



O diretor do TCA, Moacir Gramacho, rebate as críticas e afirma que o teatro é preparado para atender à grande procura por ingressos em shows desse porte. "É inevitável que haja algum transtorno devido a importância do evento, mas as vendas acontecem com relativa tranqüilidade", afirmou. Segundo ele, a maior preocupação da casa é garantir a segurança das pessoas que estão na fila, além de procurar resolver possíveis conflitos entre os compradores.



Outro ponto que preocupa Gramacho é a ação dos cambistas. Uma das iniciativas adotadas pelo TCA para inibir a prática é limitar a venda a quatro ingressos por pessoa por dia de apresentação. "Ingressos para um show como esse são como dinheiro disponível na mão desse pessoal. Eles só fazem isso porque tem quem compre", diz. Para ele, a solução do problema passa pela conscientização da população de que o cambista só deixará de existir quando não conseguir vender os ingressos que compra.



O diretor chamou a atenção ainda para o alto valor cobrado pela produção do evento, o que ele atribui à grande quantidade de vendas de meia-entrada em Salvador. De acordo com Gramacho, o TCA apresenta uma média de 60% de ingressos vendidos como meia entrada, com picos em que chegam a 80% da bilheteria, como aconteceu no mês de dezembro. "O pior é que sabemos que grande parte desses ingressos não vão para estudantes e sim para pessoas que têm o documento falsificado", acredita.

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