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Mães e bebês ganham atendimento gratuito

Publicado domingo, 19 de março de 2006 às 00:00 h | Atualizado em 19/03/2006, 00:00 | Autor: JORNAL A TARDE
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Depressão e psicose materna estão na lista dos casos atendidos por organização não-governamental



Sylvia Verônica




Muitos problemas podem comprometer o desenvolvimento do bebê desde a gestão até os primeiros anos de vida. Em crianças que nascem em famílias carentes, os riscos de sérios comprometimentos à saúde e à integridade física são ainda mais graves.



Mães portadoras de HIV e doenças venéreas, depressão e psicose materna, internações repetidas de bebês, negligências e maus-tratos, abandono e adoção. Para oferecer atendimento multidisciplinar e gratuito a esses casos, foi fundado em Salvador, em setembro último, o Infans – Unidade de Atendimento ao Bebê, organização não-governamental que trabalha nessa área há seis anos em São Paulo.



A equipe atendeu até agora dez casos em Salvador. Eram meninas de 11 anos, grávidas e com doenças venéreas, e crianças com suspeita de autismo. A intenção é ampliar o serviço e fortalecer parcerias.



“Estamos escrevendo projetos para obter financiamento. Por enquanto, estamos firmando parcerias com hospitais e instituições. Todas as situações de sofrimento dos bebês são tratadas pelo grupo. Nosso trabalho é feito em berçários, creches e orfanatos. A equipe é formada por psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, educadores”, explica a psicóloga e psicanalista Cláudia Fernandes, coordenadora do Infans.



Todos os problemas são tratados com suporte psicológico. Cláudia Fernandes explica que os casos de maus-tratos e abandono em que a mãe é a autora devem ser avaliados sobre o ponto de vista da situação psicológica dessas mulheres. Depressão nas que acabaram de ter seus filhos é normal.



“A mulher tem que se adaptar ao novo corpo, adequar a imagem ideal que projetou sobre o filho ao que ele realmente é, avaliar sua nova posição na família, quando deixa de ser filha e passa a ser mãe. Esse trabalho psíquico requer acompanhamento. Às vezes, a situação se agrava e a depressão continua. A mãe não é perversa, mas não há investimento amoroso. Tudo o que ela faz pelo filho é de forma operatória. Isso pode gerar negligência, que já é forma de mau trato. A mãe se sente culpada e pode abandonar a criança acreditando que está protegendo o filho”, explicou.



Cláudia Fernandes ressalta a importância do atendimento às mães ainda nas maternidades. Os profissionais devem ser capacitados para identificar o problema nas primeiras horas após o parto e o tratamento deve ser imediato, mantendo mãe e filho internados, o que pode durar mais de um mês.



“Há possibilidade de atendimento domiciliar. Nos casos de mães pobres e psicóticas, é preciso atender o quanto antes. Se forem assistidas, elas têm condição de cuidar bem dos filhos”, afirma a psicóloga. O Infans precisa de doações e voluntariado para ampliar o atendimento.



PARA DOAR

  • Infans - Unidade de Atendimento ao Bebê Ladeira da Palma, nº 1, Centro telefone: (71) 3321-1486 www.infans.org
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