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Defensoria inicia ação para provar que morte é falsa

Publicado quarta-feira, 31 de outubro de 2012 às 22:58 h | Atualizado em 01/11/2012, 00:02 | Autor: Alean Rodrigues
gilberto araújo, morto-vivo de alagoinhas
gilberto araújo, morto-vivo de alagoinhas -
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Na tarde desta quarta-feira, 31, o lavador de carros Gilberto Araújo Santos, 41 anos, deu o primeiro passo para provar que está "vivo". Ele teve um encontro com a  defensora pública Joana Lopes Pinheiro Mônaco, que ingressará hoje com a ação de anulação do registro de óbito  de Gilberto.

A ação deve ser julgada em até 60 dias, segundo o juiz  Gustavo Machado, titular da 1ª Vara Cível e Registros Públicos. "É necessário que ele entre com o pedido de cancelamento da certidão e depois vá a órgãos como o INSS para comprovar que está vivo, disse o magistrado. 

Gilberto foi dado como morto e reapareceu durante o próprio velório em Alagoinhas (município situado  a 120 km de Salvador ). Oficialmente,  ele continua "morto", pois a família registrou em cartório  o seu falecimento.

"Ele terá de passar por uma  audiência com o juiz, mas tentaremos encaixar este caso na semana de conciliação, que acontece de 5  a 14 deste mês, e assim agilizaremos todo os trâmites", disse a defensora pública Joana  Lopes Pinheiro Mônaco.

Fama - Enquanto não "ressuscita" oficialmente, Gilberto vai aproveitando a fama. Além de ter recebido proposta para ser garoto-propaganda de uma funerária paulista, outra empresa do mesmo ramo  lhe propôs emprego fixo.

Mas as atividades que teria que desempenhar  não agradaram  Gilberto. "Eles querem que eu pegue defunto. Deus é mais. Não quero trabalhar com isto.  Já morri por engano e vai que acontece de novo", disse, fazendo o sinal da cruz para afastar o perigo.

Ofertas de emprego estão surgindo, mas o problema agora é que, além de provar que está vivo, Gilberto necessita tirar todos os documentos, que foram perdidos quando morava na rua.

Desilusão - Foi o fim de um relacionamento amoroso de 16 anos que levou Gilberto a abandonar  a família. "Lembro o dia em que a minha ex-mulher, com quem tenho  dois filhos de 14 e 10 anos, me largou e perdi o chão", relata. A decisão imediata foi largar o emprego e ir morar na rua.

"Eu era louco por ela e a separação me fez desistir de viver", disse.Nos quase três  anos que viveu nas ruas, Gilberto diz que usou vários tipos de droga.  "Usei maconha, cocaína e crack, além de beber todos os dias", contou. Mas Gilberto faz questão de frisar que nunca cometeu nenhum tipo de crime.

Esperança - Ele diz acreditar que a sua  falsa morte aconteceu para que pudesse dar  valor a seus familiares. "Não tinha a dimensão do amor deles por mim. Quero trabalhar e viver junto com minha família".

Gilberto passou parte da infância com dona Mariana, que tem como mãe adotiva.  A biológica mora em São Paulo, onde ele viveu dos 9 aos 25 anos. Lá trabalhou como pedreiro, eletricista, encanador e auxiliar de serviços gerais.

Ele estudou até a 7ª série do ensino fundamental e diz que chegou a ganhar um bom dinheiro.  "Já tive grupo de dança e banda de música. Meus irmãos apreenderam muito comigo", frisou.

Pai de sete filhos, frutos de cinco casamentos, ele diz que o seu sonho é trabalhar para poder ajudar a família. "O que desejo apenas é  ser digno da confiança de todos eles". acrescentou.

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