AMPLIAÇÃO
Dez novos trens para o metrô são comprados por R$ 632 milhões
Consórcio Alstom vence disputa marcada por reviravolta de preços e recursos


A Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) concluiu formalmente o processo licitatório para a ampliação da frota do sistema metroviário de Salvador e Lauro de Freitas.
O órgão governamental homologou a concorrência e adjudicou o contrato de fornecimento de dez novos trens ao Consórcio Grupo Alstom, pelo valor global de R$ 632,7 milhões.
A convocação para a assinatura do contrato no prazo legal foi publicada no Diário Oficial do Estado. A aquisição vai injetar 40 novos carros no sistema — cada composição vai ser formada por quatro vagões —, destinados a reforçar a operação das linhas 1 e 2.
Homologação
A homologação põe fim a um conturbado histórico que se arrastava desde 2025 e exigiu a realização de dois processos licitatórios.
Na primeira concorrência, a fabricante chinesa CRRC chegou a ter o fornecimento homologado por R$ 490,4 milhões.
No entanto, o contrato não foi assinado, culminando na revogação do certame pela CTB em agosto do ano passado, após uma série de contestações sobre os critérios de credenciamento no BNDES.
Inversão de propostas
A nova licitação (LP 26.003) foi lançada logo após a anulação do processo anterior. Na reabertura das propostas, a Alstom garantiu a primeira colocação ao apresentar uma oferta de R$ 632.719.519,37, superando a CRRC Changchun, que pediu R$ 636.752.840,49.
A diferença nos valores cobrados entre os dois procedimentos chamou a atenção no setor: enquanto a Alstom elevou sua proposta em cerca de 3% na comparação com a primeira tentativa, a concorrente chinesa encareceu sua oferta em aproximadamente 30%, o que inverteu a classificação das fabricantes.
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Recursos e contestação técnica
Inconformada com o resultado, a CRRC moveu um recurso administrativo na tentativa de inabilitar a Alstom e obter a abertura de seu próprio envelope de documentação.
A empresa chinesa apresentou 16 questionamentos à proposta técnica do consórcio rival, contestando documentos referentes à qualificação econômico-financeira, regularidade fiscal, representação das consorciadas e capacidade técnica.
Um dos principais pontos combatidos pela CRRC dizia respeito a um atestado técnico sobre o fornecimento de carros para o Sydney Metro Northwest, na Austrália.
A fabricante chinesa questionou a validade jurídica de aproveitar a experiência da subsidiária Alstom Transport Austrália para comprovar a habilitação do grupo inscrito no certame baiano. O recurso, contudo, foi superado com a homologação final em favor da Alstom.


