INCOMPATIBILIDADE
Janones recusa ministério no governo Lula e foca em atuação na Câmara
Deputado reeleito pela Rede-MG afirma que ritos institucionais do Executivo limitariam mobilização



O deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) descartou publicamente a possibilidade de assumir qualquer ministério na futura gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em declarações recentes, o parlamentar justificou a decisão alegando que as atribuições administrativas e as exigências formais de um cargo no Poder Executivo restringiriam a liberdade de articulação e militância política.
O nome de Janones vinha sendo apontado como um dos cotados para compor a equipe ministerial em razão de seu papel de destaque na propaganda digital ao longo do segundo turno presidencial.
“Eu não vou aceitar nenhum ministério. Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo”, declarou o parlamentar em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida no último domingo, 1.
Mobilização digital
À margem da estrutura oficial do partido, Janones esteve no comando do canal “Exército de Lula”, plataforma que alcançou a marca de mais de 10 milhões de inscritos durante o período eleitoral.
A atuação ostensiva e o engajamento obtido nas redes sociais transformaram o deputado em uma das figuras centrais da mobilização governista na reta final do pleito.
Na madrugada desta segunda-feira, 2, logo após a veiculação da entrevista televisiva, o congressista divulgou uma mensagem de áudio aos participantes do canal virtual para detalhar a postura.
Na avaliação do deputado, a permanência na Câmara dos Deputados vai garantir a continuidade do trabalho estratégico iniciado durante a campanha.
“Optei por já me manifestar dizendo que eu não tenho pretensão ministerial. Eu preciso continuar entregando para o presidente o que ele espera do nosso exército”, explicou Janones na gravação.
Burocracia e liturgia do cargo
De acordo com o parlamentar mineiro, a autonomia de movimentos exigida pelo perfil político é incompatível com a rotina de gestão do primeiro escalão do governo federal.
Janones avalia que a condução de uma pasta ministerial imporia entraves normativos e compromissos formais que anulariam a capacidade de reação rápida e tom combativo nas redes.
“Em um ministério eu fico preso em burocracias, em cumprir reunião, em fazer isso, em fazer aquilo, em assinar papel. Eu não fico solto. Existe uma liturgia do cargo que me impede de ser um guerrilheiro. Então eu preciso estar livre, eu não posso ter amarras”, afirmou.
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Foco na governabilidade
Por fim, o parlamentar anunciou a reorientação das diretrizes da rede de contatos para o próximo período institucional.
De acordo com Janones, a prioridade do “Exército de Lula” vai deixar de ser o embate eleitoral direto e passará a focar no suporte político ao Palácio do Planalto dentro do Poder Legislativo.
A meta declarada é utilizar a força de mobilização virtual para criar sustentação popular e pressionar pela aprovação das matérias do interesse do Poder Executivo na Câmara dos Deputados.
“Essa vai ser a missão do nosso exército a partir de agora”, concluiu.


