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Justiça libera documentos sobre tratamento e morte de Tancredo Neves

Documentos vão ser usados em livro e buscam apurar suspeitas de erro médico

Rodrigo Tardio
Por
Primeiro presidente civil eleito após 21 anos de regime militar, Tancredo Neves foi internado às vésperas da posse
Primeiro presidente civil eleito após 21 anos de regime militar, Tancredo Neves foi internado às vésperas da posse - Foto: Divulgação
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Em decisão unânime, a 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou a quebra do sigilo dos documentos médicos relativos ao atendimento e ao falecimento do ex-presidente Tancredo Neves.

A decisão atende ao recurso apresentado por um dos filhos do político, Tancredo Augusto Tolentino Neves, e permite o acesso integral a prontuários, laudos e exames mantidos sob custódia do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina do DF (CRM-DF).

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​Primeiro presidente civil eleito após 21 anos de regime militar, Tancredo Neves foi internado às vésperas da posse, em março de 1985, e faleceu em 21 de abril do mesmo ano.

A morte do líder da Aliança Democrática, que marcou o início da redemocratização do país, permanece cercada por controvérsias e teorias da conspiração há mais de quatro décadas.

​Busca por respostas

​O pedido de acesso às informações havia sido encerrado sem análise do mérito em primeira instância. A defesa do herdeiro recorreu por meio de habeas data — instrumento constitucional voltado à obtenção de dados mantidos por órgãos públicos ou de caráter público.

​Com o acervo em mãos, a família pretende reunir provas para fundamentar a segunda edição do livro “O Paciente: O Caso Tancredo Neves”, escrito por Luís Mir e publicado originalmente em 2010. A obra investiga falhas nos procedimentos clínicos adotados durante a internação do ex-presidente.

​Entre os pontos que a família busca esclarecer estão:

  • ​As circunstâncias da primeira intervenção no Hospital de Base de Brasília.
  • O trânsito de pessoas alheias à equipe de saúde no centro cirúrgico.
  • ​A motivação sigilosa que levou o CRM-DF a aplicar uma advertência aos médicos do caso.
  • ​Erros de protocolo de recuperação e a famosa foto em que Tancredo aparece sentado ao lado de médicos — registro no qual conspiracionistas alegam que o ex-presidente já estaria morto, uma vez que sua condição clínica impediria aquela postura.

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Precedente jurídico

​As entidades médicas opuseram-se à divulgação alegando que o sigilo permanece após a morte do paciente e que o habeas data é de uso estritamente pessoal. Contudo, o relator do caso no TRF-1, desembargador federal Roberto Carvalho Veloso, defendeu que o sigilo médico não pode ter caráter absoluto diante de circunstâncias excepcionais.

​De acordo com o magistrado, o pedido transcende o âmbito privado da família Tolentino Neves. Por se tratar do líder da transição democrática brasileira, o acesso à documentação é fundamental para a preservação da memória histórica e atende ao interesse público.

​A decisão baseou-se em jurisprudência do STF e do STJ, garantindo o direito da família aos relatórios sem a necessidade de novos requerimentos individuais por parte de outros herdeiros.

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sigilo médico tancredo neves transição democrática

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