A Bahia vive o presente, mas planeja e executa o futuro. Pelo menos tem sido essa a aposta da educação no estado nos últimos anos. A tão falada Inteligência Artificial, ainda recente no cotidiano, já se tornou uma realidade na vida dos estudantes baianos.
O Grupo A TARDE traz uma série de reportagens exclusivas que explicam os impactos da Inteligência Artificial (IA) na Bahia. Desta vez, o uso das ferramentas no ambiente acadêmica é o tema.
Pesquisa Atlas/A TARDE
O levantamento, feito pela AtlasIntel e encomendado pelo Grupo A TARDE, traz alguns questionamentos os baianos entrevistados, dentre eles o seguinte: em qual das seguintes áreas você acredita que a IA pode trazer os benefícios mais significativos para o seu país?
Entre todas as áreas citadas na pesquisa, a maioria dos baianos, 35.9%, disse acreditar que a educação é a área que pode colher mais benefícios com o uso da IA, ficando na frente da saúde e medicina (31%), ciência e pesquisa (29.8%), e serviços públicos (18.9%).
Desse grupo, em um recorte de 1.718 respondentes, a maior parte é formada por homens (37.4%) e jovens entre 16 e 24 anos (47.6%). A pesquisa ainda constata uma maior aceitação entre aqueles que possuem nível educacional de ensino médio (43.5%).
O levantamento, realizado entre os dias 20 e 25 de março, via recrutamento digital, teve respondentes das seguintes regiões: Salvador/Barreiras + Guanambi +Vitória da Conquista/ Santo Antônio de Jesus + Ilhéus + Itabuna / Feira de Santana / Juazeiro + Paulo Afonso + Irecê.
Bahia de olho no futuro
A Secretaria Estadual de Educação (SEC), hoje sob a gestão da secretária Rowenna Brito, iniciou o processo de inserção da Inteligência Artificial na rotina dos estudantes. A ideia é desmistificar o tema e entender que as ferramentas de IA já fazem parte de uma realidade "sem volta na sociedade". Quem diz isso é Iuri Rubim, jornalista e assessor especial para IA da Secretaria de Educação da Bahia.
Em entrevista ao Portal A TARDE, o jornalista, responsável pela elaboração das diretrizes de introdução da Inteligência Artificial na SEC, explicou como se deu o processo e como as ferramentas estão sendo utilizadas pela pasta.
Pioneirismo
Iuri comentou os números apontados na AtlasIntel e detalhou como se deu o processo de introdução da IA na Secretaria de Educação, que passou pela qualificação tecnológica dos profissionais da área e expansão da conectividade nas salas de aula.
Há em curso um trabalho diligente e ponderado de aproximação entre a educação e as tecnologias digitais, que já modificaram a própria experiência humana, tornando-a simultaneamente presencial e remota
"Então, já vínhamos expandindo a conectividade em nossas escolas, qualificando nossos docentes, aportando equipamentos digitais às escolas e aos estudantes - inclusive com a distribuição de mais de 500 mil tablets (300 mil a serem entregues ainda este ano)", pontuou.
Introdução gradual
A etapa seguinte do processo de introdução ocorreu de maneira gradual, com o trabalho transversal junto a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), tendo a chegada da IA como parte das mudanças no ambiente acadêmico.
Um dos passos foi a criação de 164 agências de notícias nas escolas da rede estadual de ensino.
"A incorporação cuidadosa da IA na Educação é o passo seguinte de um processo já em andamento, com muitas variáveis e atores envolvidos e sempre dedicado a qualificar a educação de nossos estudantes", destacou.
As diretrizes para a Integração da Inteligência Artificial na Rede Estadual da Bahia foram estabelecidas com base em uma extensa pesquisa nos melhores frameworks (planta de desenvolvimento de software) internacionais, incluindo documentos da Unesco e da Universidade de Harvard, uma das principais instituições de educação no mundo.
No documento, cujo o Portal A TARDE teve acesso, fica claro que o objetivo da IA não é tomar o espaço dos docentes, mas sim se tornar uma peça de auxílio e potencialização na mediação do conhecimento. Além disso, o fomento ao protagonismo infantil é uma das metas do programa de integração.
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"Temos um componente curricular para a Educação Integral chamado “Educação Digital e Midiática” que cuida, entre outros temas, da Inteligência Artificial, a fim de implementar a BNCC Computação, também tratada de forma transversal na Educação Geral Básica. Atualmente, o Instituto Anísio Teixeira realiza um letramento em IA para mais de mil docentes da rede estadual e eu estou conduzindo uma Comunidade de Prática entre docentes que já têm experiência em atividades pedagógicas com Inteligência Artificial", pontuou.
Banco de sugestões
Com base nos estudos realizados para a elaboração do programa de diretrizes, a Secretaria de Educação criou um banco de sugestões para os docentes, dividido em categorias relacionadas ao nível de ensino de cada grupo de estudantes, estimulando os alunos de acordo com o grau de conhecimento deles.
As atividades passam por temas como dados pessoais, algoritmos, coleta e classificação de informações, e cocriação IA.
Educação Infantil
- Caça aos Padrões;
- Ensinado o Robô;
- Segredos e Privacidade.
Ensino Fundamental
- Detetive de Dados;
- Treinando um Modelo;
- Deputando o labirinto.
Ensino Fundamental - anos finais
- Bolha dos Feeds;
- Batalha de Chatbots;
- Remixando Histórias.
Ensino Médio
- Hackathon;
- Analisando o Viés nos Dados;
- Regulamentação da IA.
"As formações e a criação de uma massa crítica com docentes experientes em lidar com a IA em situações de aprendizagem com certeza vão ajudar a tê-la, de forma responsável, mais presente no cotidiano de nossa rede. Também estamos participando de discussões em âmbito nacional e internacional, a fim de nos manter atualizados a respeito do tema", afirmou o assessor especial.
Benefícios e riscos
O programa de Diretrizes para a Integração da IA na Rede Estadual aponta potenciais benefícios na inserção das ferramentas na grade curricular de ensino, como a oportunidade de oferta de soluções para problemas reais com o uso do algoritmo.
Potenciais benefícios
- Desenvolvimento Integral e Coerente: O modelo une a profundidade do componente curricular (ex: aprender a lógica de um algoritmo de classificação) com a relevância da abordagem transversal (ex: usar esse algoritmo para resolver um problema social real na comunidade).
- Flexibilidade e Adaptação: Essas características permitem à rede e à unidade escolar adaptar o peso de cada componente de acordo com os seus recursos e contexto, tornando-o mais resiliente a desafios de infraestrutura.
Potenciais Riscos e Desafios
- Complexidade de Gestão e Articulação: O modelo demanda articulação institucional mais refinada, exigindo o envolvimento e a colaboração intensa de gestores, coordenadores e professores de todas as áreas para garantir diálogo e complementaridade entre o componente curricular e as disciplinas transversais.
AtlasIntel/A TARDE
A pesquisa AntlasIntel/A TARDE teve 1.718 respondentes, via recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), entre os dias 20 e 25 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais (2±2 p.p.), e o nível de confiança é de 95%.
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