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PEDÁGIO PARA TRABALHAR

MPT vê escravidão digital no "Passe da Uber" e pede R$ 321 milhões

Modelo altera cobrança tradicional da plataforma em vez de descontar percentual por corrida

Rodrigo Tardio
Por
Lançada em maio, a modalidade já opera em 29 municípios e tem previsão de expansão nacional
Lançada em maio, a modalidade já opera em 29 municípios e tem previsão de expansão nacional - Foto: Divulgação | Uber

​O Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou com uma ação civil pública contra a Uber do Brasil para exigir a suspensão imediata do recurso "Passe para Motoristas".

O modelo altera a cobrança tradicional da plataforma: em vez de descontar um percentual por corrida, a empresa passa a cobrar um valor fixo antecipado pelo uso do aplicativo.

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Indenização

​O processo, que tramita na 9ª Vara do Trabalho de Salvador, pede uma indenização de R$ 321 milhões por danos morais coletivos, além do ressarcimento integral das quantias pagas pelos condutores — valores que podem superar R$ 1 mil mensais por trabalhador.

Lançada em maio, a modalidade já opera em 29 municípios e tem previsão de expansão nacional.

​Servidão por dívida

​O Passe funciona por tempo determinado (validade de 24 ou 72 horas) ou por teto de ganhos, no qual a taxa de serviço convencional deixa de incidir até que o motorista atinja um limite financeiro.

Para o MPT, a dinâmica transfere indevidamente o risco do negócio ao parceiro, que assume sozinho o prejuízo caso não recupere o investimento prévio.

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​O procurador Luiz Antonio Nascimento Fernandes sustenta que a prática cria uma estrutura de endividamento permanente ao reter rendimentos futuros quando o saldo é insuficiente, o que pode caracterizar trabalho análogo à escravidão por servidão por dívida.

A entidade pontua também que o contrato unilateral permite alterações de regras sem restituição e gera uma "fidelização disfarçada", ferindo a livre concorrência ao isolar o profissional em uma única plataforma.

​Outro lado

​Em nota, a Uber rebateu as acusações e afirmou que apresentará seus esclarecimentos à Justiça.

A companhia declarou que o órgão ministerial se baseia em premissas equivocadas e visões ideológicas.

De acordo com a empresa, o Passe consiste em uma alternativa comercial em fase de testes para oferecer maior previsibilidade de custos operacionais aos parceiros.

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Tags

ação civil pública indenização por danos morais ministério público do trabalho Passe para Motoristas servidão por dívida Uber do Brasil

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