BAHIA
Hidrovia do São Francisco: conheça a rota e o impacto econômico para a Bahia
Convênio transfere à CODEBA a administração da hidrovia por 25 anos


O Rio São Francisco, conhecido como Velho Chico, também desempenha um papel estratégico na logística brasileira. Além de atravessar diferentes regiões do país, o curso d'água integra um sistema de transporte hidroviário que permite a circulação de mercadorias e representa uma alternativa para o escoamento da produção agrícola e industrial.
Com a transferência da administração da Hidrovia do São Francisco para a Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA), formalizada na quarta-feira, 4, o sistema passa a ter uma nova perspectiva de gestão.
O convênio firmado entre o Governo da Bahia e o Ministério de Portos e Aeroportos estabelece um prazo de 25 anos para a delegação das atividades de administração, operação, manutenção, conservação e restauração da estrutura.
A mudança também envolve a Eclusa de Sobradinho e as Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4) contempladas no acordo. A expectativa do governo estadual é melhorar as condições de navegabilidade e segurança, criando condições para ampliar a utilização do rio no transporte comercial.
O que é a Hidrovia do São Francisco?
A Hidrovia do São Francisco, identificada tecnicamente como HN-500, é um sistema de transporte aquaviário formado pelo próprio Rio São Francisco e por rios de sua bacia hidrográfica. Sua estrutura também contempla trechos dos rios Paracatu, Grande e Correntes, que integram a rede de navegação.
O sistema é considerado uma das principais alternativas de ligação hidroviária entre o Centro-Sul e o Nordeste brasileiro. A bacia do São Francisco possui aproximadamente 641 mil quilômetros quadrados, área equivalente a cerca de 7,5% do território nacional.
O rio nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e percorre diferentes estados até desaguar no Oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe. Ao longo do percurso, estabelece uma ligação natural entre diferentes regiões e municípios brasileiros.
Historicamente, o São Francisco também ficou conhecido como Rio da Integração Nacional, denominação que evidencia sua importância para a conexão territorial e econômica do país.
Onde fica e quais são os trechos da hidrovia?
O sistema hidroviário acompanha o curso do São Francisco e apresenta quatro divisões geográficas, que ajudam a compreender sua extensão e suas características.
- Alto São Francisco: compreende a região das cabeceiras do rio até Pirapora, em Minas Gerais, passando pela Serra da Canastra.
- Médio São Francisco: trecho entre Pirapora (MG) e Remanso (BA).
- Submédio São Francisco: estende-se da região de Remanso até Paulo Afonso, na Bahia.
- Baixo São Francisco: corresponde ao trecho que segue de Paulo Afonso até a foz do rio, no Oceano Atlântico.
A extensão navegável informada para o sistema é de aproximadamente 1.371 quilômetros, considerando o percurso entre Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).
Entretanto, as condições de navegação não são iguais em todo o rio. Características físicas, profundidade e variações no volume de água fazem com que determinados trechos sejam mais adequados ao transporte de embarcações comerciais do que outros.

Como funciona o transporte de cargas?
A navegação comercial tem como um de seus principais pontos de operação o trecho entre Juazeiro, na Bahia, Petrolina, em Pernambuco, e Ibotirama, também na Bahia. Esse percurso possui aproximadamente 560 quilômetros.
O transporte é realizado por comboios de embarcações com capacidade para movimentar grandes volumes de mercadorias. Entre as configurações utilizadas estão estruturas com 120 metros de comprimento, 16 metros de largura e calado de 1,5 metro, capazes de transportar até 2 mil toneladas.
Também são mencionados comboios com 120 metros de comprimento, 22 metros de largura e capacidade para transportar até 3 mil toneladas.
Na prática, a hidrovia funciona como parte de uma cadeia logística que combina diferentes meios de transporte. Um exemplo é o escoamento da produção agrícola: cargas transportadas por rodovias chegam à região de Ibotirama, seguem pelo Rio São Francisco até Pirapora, em Minas Gerais, e depois podem continuar por ferrovia até o porto marítimo de Vitória, no Espírito Santo.
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Essa integração entre rodovias, hidrovias e ferrovias permite conectar regiões produtoras a estruturas de distribuição e exportação.
Quais produtos podem ser transportados?
A Hidrovia do São Francisco atende a diferentes atividades econômicas, especialmente aquelas relacionadas à produção agrícola e industrial.
Entre as cargas que podem utilizar o sistema estão grãos, como soja e milho, algodão, frutas, combustíveis, óleos minerais e insumos utilizados na produção.
A estrutura também tem importância para o abastecimento de regiões com atividades agropecuárias e industriais. Entre os polos econômicos relacionados à área de influência da hidrovia estão a produção de grãos no oeste baiano e no sul do Piauí, além da fruticultura e do cultivo irrigado de cana-de-açúcar no Vale do São Francisco.
Outras atividades também podem se beneficiar da integração logística, como a avicultura concentrada no entorno de Feira de Santana, Recife, Caruaru e Fortaleza.
O transporte de matérias-primas também aparece entre as possibilidades de utilização do sistema, incluindo a produção de gipsita em Araripina, relacionada à indústria do gesso, e o calcário agrícola nas proximidades de Ibotirama.
Qual é a importância para a Bahia?
A hidrovia representa uma alternativa para ampliar as possibilidades de transporte da produção baiana, especialmente em regiões com forte atividade agrícola.
Um dos principais pontos de conexão é o eixo Juazeiro-Petrolina, que concentra operações de transporte voltadas tanto ao mercado interno quanto à exportação.
A região também mantém ligação com importantes áreas produtoras do oeste baiano, como Luís Eduardo Magalhães e Barreiras. A partir desses municípios, a produção pode ser direcionada aos pontos de integração com os diferentes modais de transporte.
No caso de Ibotirama, a ligação hidroviária com o polo de Juazeiro e Petrolina representa aproximadamente 610 quilômetros. Já a conexão ferroviária com o Porto de Aratu, na Baía de Todos os Santos, percorre cerca de 550 quilômetros.
Com isso, a hidrovia pode contribuir para diversificar as alternativas de escoamento da produção e fortalecer a integração entre as regiões econômicas da Bahia e de outros estados.
O que muda com a administração da CODEBA?
A partir do convênio assinado entre o Governo da Bahia e o Ministério de Portos e Aeroportos, a CODEBA passa a responder pela gestão da Hidrovia do São Francisco durante 25 anos.
A delegação inclui atividades de operação, administração, manutenção, conservação e restauração da estrutura hidroviária, além da Eclusa de Sobradinho e das instalações portuárias públicas previstas no acordo.
A medida tem como objetivo qualificar as condições de navegabilidade e ampliar a segurança do transporte fluvial, criando novas perspectivas para a retomada da navegação comercial e o escoamento da produção regional.
Durante a formalização do convênio, o governador Jerônimo Rodrigues destacou a expectativa de que as intervenções previstas comecem no segundo semestre de 2027.
“Nossa expectativa é que, no segundo semestre de 2027, tenham início as intervenções previstas. Estamos trabalhando para integrar cada vez mais a logística da Bahia, conectando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e também a hidrovia do São Francisco”, afirmou.
A transferência da gestão, portanto, representa uma nova etapa para a infraestrutura de transporte fluvial na Bahia, com a possibilidade de ampliar o aproveitamento econômico do Rio São Francisco e fortalecer sua integração com os demais meios de transporte.
O que é a Hidrovia do São Francisco?
A Hidrovia do São Francisco, também chamada HN-500, é um sistema de transporte aquaviário que conecta diversos rios da bacia do São Francisco. Esse sistema é crucial para o transporte entre o Centro-Sul e o Nordeste brasileiro.
Quais são os principais trechos da hidrovia?
A hidrovia é dividida em quatro trechos principais: Alto São Francisco, Médio São Francisco, Submédio São Francisco e Baixo São Francisco, totalizando cerca de 1.371 km navegáveis.
Como funciona o transporte de cargas na hidrovia?
O transporte é realizado por comboios de embarcações com grande capacidade, movimentando mercadorias entre pontos principais como Juazeiro e Petrolina, integrando-se a outros modais de transporte.
Quais produtos podem ser transportados pela hidrovia?
A hidrovia é utilizada principalmente para o transporte de grãos, frutas, combustíveis e insumos agrícolas, facilitando o abastecimento nas regiões atendidas.
O que muda com a nova administração da CODEBA?
Com a CODEBA gerindo a hidrovia por 25 anos, espera-se melhorar a navegabilidade e a segurança, fomentando o transporte fluvial e o escoamento da produção da Bahia.


