BAHIA
Prédio dos Correios em Salvador perdeu R$ 151 milhões em valor de venda; saiba como
Após 20 leilões fracassados, imóvel teve lance mínimo reduzido em 61%


Depois de sete anos no mercado e 20 leilões sem sucesso, o antigo prédio dos Correios, na Avenida Paulo VI, na Pituba, finalmente encontrou um comprador. O complexo foi arrematado pela construtora Moura Dubeux por R$ 97,7 milhões, valor muito inferior aos R$ 248 milhões estipulados no primeiro edital de venda, lançado em 2019.
A diferença entre os valores chama atenção. Em termos nominais, o imóvel foi vendido por R$ 151 milhões a menos que o preço inicialmente pretendido pelos Correios, uma redução de cerca de 61%.
Segundo informações obtidas pelo portal A Tarde, a queda não representa apenas uma desvalorização do patrimônio, e sim uma combinação de atualizações técnicas, mudanças no mercado imobiliário e sucessivas tentativas de tornar o ativo mais atrativo para investidores.

Por que o preço caiu tanto?
Quando foi colocado à venda pela primeira vez, em 2019, o antigo centro operacional dos Correios tinha lance mínimo de R$ 248 milhões. Nos anos seguintes, o valor foi sendo revisado em diferentes licitações, passando por R$ 211,5 milhões e, mais recentemente, R$ 109 milhões.
No leilão realizado neste ano, o imóvel estava avaliado tecnicamente em R$ 130,3 milhões, mas o lance mínimo foi fixado em R$ 97,8 milhões.
Segundo informações obtidas pelo portal A Tarde junto aos Correios, a redução teve como objetivo ampliar as oportunidades de negociação no mercado imobiliário e aumentar a competitividade do certame.
Ainda conforme apuração do portal A Tarde, o valor de venda é definido a partir de avaliações realizadas por empresas especializadas, seguindo os critérios da norma NBR 14.653, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e homologadas por engenheiros da estatal.
Os valores também passam por atualizações periódicas para refletir a realidade do mercado imobiliário e assegurar que o patrimônio público seja negociado por um preço considerado justo.
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Foram apenas os leilões sem interessados?
A falta de compradores foi um dos principais fatores que prolongaram a venda do imóvel.
Desde que iniciou o processo de alienação, em 2019, o prédio foi ofertado em 20 certames diferentes. Em diversas ocasiões, sequer houve interessados. Em outras, propostas chegaram a ser apresentadas, mas ficaram abaixo do valor mínimo exigido.
Em uma das tentativas realizadas em 2025, por exemplo, os Correios receberam três propostas, mas todas ficaram abaixo do valor mínimo de R$ 109 milhões, fazendo com que a negociação fosse encerrada sem sucesso.
Segundo informações apuradas pelo portal A Tarde, embora o imóvel tenha despertado interesse do mercado ao longo dos últimos anos, a estatal optou por não concluir negociações que considerava incompatíveis com os critérios de rentabilidade e preservação do patrimônio público. Por esse motivo, a venda só foi efetivada no leilão realizado nesta quinta-feira, 25.
Sete anos para definir o destino do imóvel
Desativado desde 2018, o antigo complexo dos Correios permaneceu fechado enquanto a estatal buscava um comprador.
O terreno, de aproximadamente 34,7 mil metros quadrados, ocupa uma área estratégica da Pituba e reúne um edifício de 17 pavimentos, construção anexa, auditório, restaurante, estacionamentos e áreas de apoio, totalizando cerca de 42 mil metros quadrados de área construída.
Ao longo desse período, o imóvel passou por diferentes avaliações e modelos de comercialização até ser adquirido pela Moura Dubeux, que pretende desenvolver no local um empreendimento predominantemente residencial, com potencial construtivo estimado em aproximadamente 140 mil metros quadrados de área privativa de venda.
Os detalhes do projeto ainda serão divulgados pela incorporadora.

Para onde vai o dinheiro da venda?
De acordo com informações apuradas pelo portal A Tarde junto aos Correios, os R$ 97,7 milhões arrecadados com a venda serão destinados ao Plano de Reestruturação da estatal.
A estratégia prevê a conversão de imóveis considerados subutilizados em investimentos voltados para a operação logística da empresa, incluindo modernização da infraestrutura e ampliação da capacidade operacional.
Com a venda, chega ao fim um processo iniciado há sete anos e que se tornou uma das mais longas tentativas de alienação de um imóvel público na Bahia.
O prédio, que durante décadas abrigou a sede da Superintendência Estadual dos Correios, dará lugar a um novo projeto imobiliário, marcando uma nova fase para uma das áreas mais valorizadas de Salvador.







