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Saúde mental: o que está deixando adolescentes mais tristes na Bahia

Segundo o IBGE, quase 30% dos jovens baianos relatam tristeza frequente

Ane Catarine
Por
| Atualizada em
Crise de saúde mental vivenciada por adolescentes
Crise de saúde mental vivenciada por adolescentes - Foto: Reprodução

Vontade de desistir da vida, baixa autoestima, tristeza constante e cada vez mais solitários. Esse é o retrato da crise de saúde mental vivenciada por adolescentes de 13 a 17 anos na Bahia, conforme mostra o resultado da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento, divulgado no final de março, ouviu 118 mil jovens brasileiros em 2024. No recorte da Bahia, um dado preocupa: 29,4% dos adolescentes consultados afirmam se sentir tristes na maioria das vezes ou sempre.

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Essa realidade atinge quase três em cada dez jovens e coloca a Bahia em 12º lugar na lista de maior prevalência de tristeza crônica no país.

Redes sociais: a grande vilã

Especialistas em saúde mental ouvidos pelo portal A TARDE chamam atenção para os efeitos das redes sociais na vida dos adolescentes. Embora não sejam por si só a causa da tristeza crônica, podem funcionar como um gatilho ou amplificador de sentimentos já existentes.

Isso acontece principalmente, segundo a psicóloga Natália Santana, pela tendência à comparação constante e, na maioria das vezes, irreal no ambiente digital.

Cada vez mais, meninos e meninas se comparam com vidas e belezas “perfeitas” que, na prática, são recortes editados e podem gerar sensação de inadequação, baixa autoestima e frustração.

“A adolescência é um período da vida com alta vulnerabilidade emocional, marcado por diversas mudanças biológicas, psicológicas e sociais. O uso excessivo de redes sociais, sem dúvidas, é um dos fatores que pode explicar o alto número de adolescentes com tristeza frequente na Bahia”, explicou.

Já a psicóloga infantojuvenil Alissa Oliveira alertou que as comparações feitas por adolescentes nas redes sociais também podem influenciar outros fatores sociais, que ajudam a explicar o dado alarmante da saúde mental.

“A violência e a falta de acesso a espaços de lazer e cultura também podem impactar o bem-estar emocional dos adolescentes. Geralmente, não é um fator isolado, mas o acúmulo dessas experiências que contribui para sentimentos persistentes de tristeza”, disse a especialista.

Outros fatores

De acordo com as psicólogas, outros fatores que podem explicar o sentimento de tristeza constante entre os adolescentes baianos são:

  • Dificuldades nas relações familiares
  • Pressão escolar
  • Experiências de bullying
  • Insegurança em relação ao futuro

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Esse nível de tristeza pode evoluir?

A psicóloga Alissa afirmou que, quando a tristeza é frequente, ela pode evoluir para quadros mais graves de saúde mental, como depressão e transtornos de ansiedade.

Diante dessa realidade, ela alertou para alguns comportamentos que podem ser observados no dia a dia pelo responsável.

“A depressão nem sempre aparece apenas como tristeza, mas também como irritabilidade, isolamento social, queda no rendimento escolar, alterações no sono e no apetite, desinteresse por atividades antes prazerosas, uso de álcool e evasão escolar.”

Nesses casos, segundo ela, é necessário acompanhamento profissional.

Mas como diferenciar a tristeza?

Natália Santana explicou que a tristeza é uma emoção básica que, quando ocorre dentro da normalidade, costuma ser pontual e passageira. Além disso, essa tristeza está, geralmente, relacionada a situações específicas, como conflitos interpessoais ou frustrações.

“Por outro lado, a tristeza crônica se caracteriza por ser persistente, mais intensa e abrangente, não estando necessariamente ligada a um evento específico. Quando a tristeza deixa de ser transitória e passa a comprometer o funcionamento e o bem-estar, torna-se um sinal de alerta”, concluiu.

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