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POLÊMICA

BBB é investigado por possível tortura semelhante à ditadura militar

Ministério Público Federal abriu uma investigação para apurar o caso

Edvaldo Sales

Por Edvaldo Sales

06/03/2026 - 9:05 h

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Ministério Público Federal abriu uma investigação para apurar o caso
Ministério Público Federal abriu uma investigação para apurar o caso -

O Big Brother Brasil 26 está no centro de uma polêmica. O Ministério Público Federal (MPF) determinou a instauração de um inquérito civil para investigar possíveis práticas de tortura e tratamentos desumanos ou degradantes no programa.

Assinada pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, a decisão fundamenta-se em representações que apontam riscos à integridade física e psicológica dos participantes da atual edição do reality show.

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O procedimento teve origem após relatos de episódios convulsivos vivenciados pelo participante Henri Castelli durante uma prova de resistência.

Segundo o representante da denúncia, as condições impostas pela produção expõem a saúde dos envolvidos a riscos desnecessários, citando exemplos de edições anteriores e casos recentes, como o do participante Breno, que ficou “exilado”, em uma área externa da casa.

O documento aponta que submeter indivíduos a situações perigosas para gerar entretenimento pode representar uma afronta direta à dignidade humana.

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Quarta Branco

Um dos pontos centrais da investigação é a dinâmica do ‘Quarto Branco’. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou uma Carta Aberta ao MPF manifestando indignação com o quadro, afirmando que a metodologia utilizada guarda semelhança com práticas de tortura empregadas durante a ditadura civil-militar brasileira.

O texto da CEMDP destaca que uma participante chegou a desmaiar em janeiro de 2026, após permanecer mais de 100 horas em reclusão. O relato detalha que ela teria sido obrigada a ficar de pé em um pedestal de diâmetro ínfimo, técnica descrita como similar às utilizadas em regimes ditatoriais latino-americanos para infligir sofrimento.

O procurador da República destaca, em sua fundamentação, que a liberdade de produção das emissoras de TV não constitui um “salvo-conduto” para violar direitos fundamentais. Diz também que, como concessionárias de serviço público, as emissoras devem respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família, conforme estabelecido no artigo 221 da Constituição Federal.

Além disso, o MPF ressalta que a vedação à tortura e ao tratamento degradante é um preceito constitucional absoluto que deve ser zelado por todas as esferas de governo. Para o órgão, a normalização do sofrimento alheio como forma de espetáculo é incompatível com os objetivos fundamentais da República de construir uma sociedade justa e solidária.

O que diz a Globo

A TV Globo alegou, em resposta prévia constante nos autos, que oferece acompanhamento médico permanente, com suporte de UTI móvel e protocolos de encaminhamento hospitalar.

Sobre Henri Castelli, a emissora afirmou que o participante recebeu o atendimento necessário e foi levado a unidades de saúde externas em duas ocasiões.

Como diligência inicial do inquérito, o MPF solicitou que a TV Globo preste informações detalhadas sobre os questionamentos levantados pela Comissão de Mortos e Desaparecidos.

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