Busca interna do iBahia
HOME > BRASIL

COP30

Bahia recebe R$ 55 milhões para restaurar 1,2 mil hectares de Mata Atlântica

Projeto Muçununga (Neoenergia e Biomas) plantará 2 milhões de mudas, gerando 525 mil créditos de carbono

Georges Humbert*
Por Georges Humbert*
Vista aérea e uma área de Mata Atlantica 
Foto: Douglas Magno Com crescimento de 54% sobre o período anterior, a Bahia está pelo segundo ano consecutivo na segunda colocação entre os estados que mais desflorestaram áreas naturais de Mata Atlântica entre 2020 e 2021, quando perdeu 4.968 hectares (ha). Os dados foram divulgados na 17ª edição do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, através de um trabalho de parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica (Sosma) e o Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), iniciado em 1989. 

Na foto: Setubinha, MG
Foto: Douglas Magno / Divulgação
Vista aérea e uma área de Mata Atlantica Foto: Douglas Magno Com crescimento de 54% sobre o período anterior, a Bahia está pelo segundo ano consecutivo na segunda colocação entre os estados que mais desflorestaram áreas naturais de Mata Atlântica entre 2020 e 2021, quando perdeu 4.968 hectares (ha). Os dados foram divulgados na 17ª edição do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, através de um trabalho de parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica (Sosma) e o Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), iniciado em 1989. Na foto: Setubinha, MG Foto: Douglas Magno / Divulgação - Foto: Douglas Magno / Divulgação

A Bahia se prepara para receber um dos mais relevantes projetos privados de restauração ecológica do país. A Carbon2Nature Brasil — joint venture formada pela Neoenergia e pela Carbon2Nature, da espanhola Iberdrola — firmou parceria inédita com a Biomas para codesenvolver o Projeto Muçununga, iniciativa que irá recuperar cerca de 1,2 mil hectares de Mata Atlântica no sul do Estado. O investimento total previsto é de R$ 55 milhões, dos quais metade será aportada pela Carbon2Nature Brasil.

A ação chega em um momento estratégico, às vésperas da COP30, reforçando a percepção de investidores internacionais sobre o potencial brasileiro no mercado de soluções baseadas na natureza e créditos de carbono.

Tudo sobre Brasil em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Recuperação em larga escala e biodiversidade rara

A área a ser restaurada equivale a aproximadamente 1,2 mil campos de futebol e se distribui por oito municípios baianos: Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itagimirim, Itapebi, Mascote, Potiraguá e Santa Luzia.

Até 2027, o Projeto Muçununga prevê o plantio de cerca de 2 milhões de mudas, abrangendo mais de 70 espécies nativas — um número altamente superior ao padrão internacional. Entre as espécies que serão reintroduzidas estão araçá, copaíba, guapuruvu, ipê-amarelo e jatobá, reforçando a recomposição de corredores ecológicos em uma das regiões de maior biodiversidade da Mata Atlântica, hoje reduzida a 26,2% de sua vegetação original.

Créditos de carbono e geração de renda

O modelo de negócios é financiado pela futura emissão de créditos de carbono. A estimativa é que o projeto gere cerca de 525 mil créditos de carbono ao longo de 40 anos, cada um equivalente a uma tonelada de CO₂ removida da atmosfera.

O impacto também será socioeconômico, com a expectativa de que o projeto gere cerca de 80 empregos diretos durante sua implementação, ampliando oportunidades em municípios com forte dependência de atividades de base florestal.

Parceria estratégica e sinalização para a COP30

Para a Neoenergia, a iniciativa reforça compromissos ambientais, especialmente em territórios onde a empresa mantém operações relevantes. “O projeto reafirma nosso compromisso em ampliar benefícios ambientais e sociais, especialmente na Bahia, onde temos forte atuação”, declarou o CEO da companhia, Eduardo Capelastegui.

Leia Também:

BELÉM

Marca Ambiental consolida protagonismo na transição climática ao receber selo inédito na COP30
Marca Ambiental consolida protagonismo na transição climática ao receber selo inédito na COP30 imagem

BELÉM

Estudo da Embrapa na COP30: 65,6% do Brasil é preservação nativa
Estudo da Embrapa na COP30: 65,6% do Brasil é preservação nativa imagem

NEGOCIAÇÕES

Lula retorna à COP30 nesta quarta para negociar ações sobre o clima
Lula retorna à COP30 nesta quarta para negociar ações sobre o clima imagem

Criada em 2024, a Carbon2Nature Brasil projeta capturar mais de 10 milhões de toneladas de CO₂ nos próximos anos. A parceria com a Biomas é vista como um marco no amadurecimento do mercado brasileiro de restauração ecológica em larga escala. A Biomas, por sua vez, é uma das maiores iniciativas privadas de restauração do mundo, formada por Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale.

A Bahia no mercado climático global

Localizado no corredor central da Mata Atlântica, o Projeto Muçununga simboliza o avanço do país — e especialmente da Bahia — no uso de instrumentos econômicos para proteção ambiental. A convergência entre restauração florestal, créditos de carbono e participação privada coloca o estado na rota das maiores tendências globais em clima, biodiversidade e economia verde.

Em plena COP30, na Amazônia, a iniciativa surge como uma demonstração concreta de que o Brasil possui capacidade técnica e escala para liderar o mercado global de soluções baseadas na natureza, aliando recuperação ambiental e desenvolvimento econômico.

*Georges Humbert é correspondente de A TARDE na COP30, em Belém.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

belém COP30 Mata Atlântica sustentabilidade

Relacionadas

Mais lidas