BELÉM
UNFCCC na COP30: cooperação firme e o desafio da desinformação na semana final
Foco do debate inclui a implementação de NDCs, financiamento climático e nova pauta de integridade da informação


A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), sediada em Belém, entrou em sua segunda semana nesta segunda-feira, 17 de novembro, com a chegada de ministros e delegações de alto nível para impulsionar as negociações. O foco do dia esteve em temas como financiamento climático, implementação de compromissos nacionais e transição para energias renováveis, conforme destacado no “Morning Brief” oficial da COP30.
O dia começou com o “Morning Brief” oficial da COP30, destacando ações em salas temáticas como a “Action Room 1”, focada na implementação de promessas feitas por líderes globais. Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, abriu a semana declarando que a cooperação climática deve “permanecer firme em um mundo fraturado”.
Delegados se reuniram em salas temáticas, como a “Action Room 1”, para discutir a execução de promessas feitas por líderes mundiais.
Descarbonização brasileira e projeções econômicas
No Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou o lançamento de uma consulta pública para a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI), visando explorar as vantagens competitivas do país na transição verde. A iniciativa busca alinhar o setor industrial com objetivos climáticos, embora detalhes sobre sua implementação ainda estejam em debate.
Paralelamente, eventos abordaram questões como empregos verdes – com projeções de até 650 milhões de vagas globais até 2050 – e o lançamento do documentário “Caça-Tempestades – Amazônia”.
A presidência da COP divulgou uma nota preliminar resumindo pontos sobre finanças, ambição climática, comércio e relatórios de emissões, preparando o terreno para negociações mais intensas nos próximos dias.
Pautas críticas: indígenas, fósseis e desinformação
Em relação às demandas indígenas, milhares de participantes, incluindo povos tradicionais da Amazônia, realizaram uma marcha global em Belém nos dias anteriores, organizada por grupos como a Marcha Global Indígena. Os manifestantes defenderam a proteção de territórios demarcados e o fim da exploração de combustíveis fósseis, destacando a importância da justiça climática.
Representantes indígenas, como os do grupo Munduruku, também realizaram protestos pacíficos na semana passada, bloqueando acessos para chamar atenção para suas pautas.
Na COP30, pela primeira vez, há um item formal na agenda sobre combate à desinformação climática, e vozes indígenas têm ganhado espaço em painéis, com líderes enfatizando sua contribuição para a gestão florestal. Ministros de diversos países, incluindo da União Europeia e da Dinamarca, chegaram a Belém para as rodadas finais, enfrentando desafios como o roteiro para a transição dos combustíveis fósseis, acordado na COP28.
Propostas como a taxação de voos de luxo, defendida por Espanha e França, foram discutidas em meio a preocupações com emissões de delegações que chegam em jatos privados.
A COP30 continua até 21 de novembro, com expectativa de avanços concretos em financiamento – estimado em US$ 1,3 trilhão anuais para países em desenvolvimento até 2035 – e na implementação de ações climáticas.
Fato é que, apesar dos sobressaltos e da forte crítica, dos ambientalistas aos desenvolvimentistas, Belém, como sede na Amazônia, destaca o papel da região na agenda global.
*Georges Humbert é correspondente de A TARDE na COP30, em Belém.