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Balanço final da COP30: resultados, avanços e desafios emergênciais

Governos em todos os níveis, empresas, instituições financeiras e a sociedade civil utilizaram a COP30 para apresentar diversos projetos

Georges Humbert*
Por Georges Humbert*
| Atualizada em
Cop 30 Brasil
Cop 30 Brasil - Foto: LUDOVIC MARIN

A COP30, realizada em Belém, marcou um momento pivotal na implementação da agenda climática global, com as presidências da COP29 e COP30 trabalhando em conjunto com os Campeões de Alto Nível para o Clima (CHLC), Nigar Arpadarai e Dan Ioschpe. Ao longo das duas semanas do evento, ficou evidente como a ação climática está acelerando em sistemas chave, abrangendo energia, transporte, alimentos, saúde, indústria, finanças, terra, oceanos e educação. Esses avanços trazem benefícios claros para as pessoas e a natureza.

Governos em todos os níveis, empresas, instituições financeiras e a sociedade civil – incluindo Povos Indígenas – utilizaram a COP30 para apresentar iniciativas em andamento, demonstrar como promessas e planos estão se transformando em ações concretas e como a implementação pode ser acelerada por meio de parcerias colaborativas. Essa é a face prática da ação climática atual: um pipeline de um trilhão de dólares para redes elétricas e armazenamento, uma quadruplicação de combustíveis sustentáveis até 2035 e países em desenvolvimento liderando a corrida pela descarbonização industrial.

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Milhares de veículos elétricos, milhares de gigawatts de energia renovável, centenas de projetos industriais limpos e tecnologias inovadoras de remoção de carbono foram destacados. Sob a Agenda de Ação Climática Global da COP30, iniciativas como a Green Grids, lançada na COP26, e a Aliança de Utilidades para Net Zero (UNEZA), da COP28, uniram forças com o Clean Energy Ministerial, IRENA, AIE e outros para entregar um plano global que acelera a expansão e a resiliência das redes elétricas. O objetivo é investir US$ 1 trilhão para triplicar a capacidade coletiva de renováveis até 2030. Essa transição afasta os setores de energia, transporte e indústria dos combustíveis fósseis, promovendo maior acesso à energia.

Além disso, centenas de milhões de hectares de florestas, terras e oceanos foram protegidos ou restaurados. Milhões de agricultores estão adotando práticas de agricultura regenerativa, e os direitos territoriais de milhões de Povos Indígenas, comunidades tradicionais e grupos afrodescendentes foram garantidos. Um total de US$ 9 bilhões em investimentos comprometidos abrange mais de 210 milhões de hectares de terra, alcançando 12 milhões de agricultores em mais de 90 commodities agrícolas e alimentares. Isso constrói resiliência em cadeias de valor inteiras em mais de 110 países até 2030, demonstrando como gerenciar florestas, oceanos e biodiversidade, ao mesmo tempo em que transformamos os sistemas agrícolas e alimentares.

Graças à campanha Race to Resilience, 437,7 milhões de pessoas se tornaram mais resilientes. 162 empresas, cidades e regiões – cobrindo 25 mil edifícios e US$ 400 bilhões em faturamento anual – reduziram mais de 850 mil toneladas de CO₂ em 2024, superando um milhão de toneladas totais. A coalizão CHAMP, lançada na COP28, entregou dois terços das novas Contribuições Determinadas Nacionalmente (NDCs) com maior conteúdo subnacional e urbano entre seus 78 membros. Milhões de empregos foram criados, com novas habilidades desenvolvidas para construir resiliência em cidades, infraestrutura e água, fomentando o desenvolvimento humano e social.

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Trilhões de dólares estão sendo redirecionados para a transição, com novas parcerias e inovações para escalar o financiamento do setor privado, governos e instituições financeiras, incluindo para adaptação. Essa é a forma como a ação climática se torna uma economia autônoma – uma que libera finanças, tecnologia e capacitação para recompensar a proteção e a estabilidade de longo prazo.

Lado outro, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirmou que o roadmap para a saída dos combustíveis fósseis não entrou no texto final da conferência, tornando-se em vez disso uma iniciativa da presidência brasileira, com 11 meses restantes para sua implementação. Ele também indicou que o financiamento da adaptação foi retirado do texto, sem fornecer detalhes adicionais. Corrêa do Lago expressou otimismo quanto à aprovação de muitos documentos por volta das 10h30, após uma colaboração intensa entre os países. A plenária de votação, marcada para as 10h no 13º dia da COP – que já deveria ter encerrado no dia anterior –, reflete os desafios nas negociações finais.

Em declaração na COP30, o Campeão de Alto Nível para o Clima da COP30, Dan Ioschpe, afirmou: “O que mostramos em Belém é a ação climática mudando para uma nova marcha – acelerando em um ritmo sem precedentes, com cidades descarbonizando, empresas reestruturando cadeias de suprimentos, financiadores redirecionando trilhões e Povos Indígenas impulsionando a proteção florestal. Esse esforço de toda a sociedade não para com o martelo de fechamento de hoje – ele continua, incansavelmente, 24 horas por dia, 365 dias por ano.”

A Campeã de Alto Nível para o Clima da COP29, Nigar Arpadarai, complementou: “Vimos o que acontece quando cada parte da sociedade avança: soluções escalam, resiliência se fortalece e a esperança se torna real. A Visão de Cinco Anos carrega esse espírito para a próxima era da ação climática global – um quadro unificador que nos mantém focados, responsáveis e movendo no ritmo que o mundo precisa. Isso é sobre acelerar o progresso em todos os lugares, para todos.”

Durante a COP30, o Secretário-Executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, destacou que a Agenda de Ação Climática exemplifica a cooperação global em ação. Em seu discurso (disponível integralmente aqui), ele incluiu citações notáveis como: “A COP30 acumulou um placar impressionante de ações climáticas no mundo real, que também significarão economias mais fortes, mais empregos e vidas melhores para muitos milhões.” No entanto, Stiell alertou: “Este não é o momento para autocongratulações – este é o momento para intensificar.”

Ele enfatizou: “A Agenda de Ação Climática não é algo agradável para se ter ao lado. Ela é missão crítica e uma parte chave do Acordo de Paris.”

E concluiu: “A Agenda de Ação Climática habilita e aproveita o momentum que estamos vendo na economia real. E mostra que o trabalho dos negociadores e o trabalho da economia real podem e devem trabalhar juntos para entregar o Acordo de Paris.”

Esses resultados da COP30 reforçam que a transição climática é apenas uma aspiração, caso dissociada da justiça social, da real necessidade de exploração mineral e dos combustíveis fósseis, bem como se baseada no alarmismo e radicalismo ecológico, enquanto há pessoas com fome, sede, sem saneamento, em moradia de rua ou de risco, sob o domínio de organização criminosa, sem emprego, sem renda e sem educação básica.

É preciso atentar para realidade, impulsionada por colaborações globais e investimentos massivos, mesmo com desafios persistentes nas negociações finais e do extremismo de propostas que querem abolir minérios, o agro ou os fósseis, sem atentar paras as graves consequências práticas disso, em especial para os povos mais pobres e vulneráveis.

Para o Brasil, sediar o evento em Belém destacou o papel central da Amazônia e dos povos tradicionais, submetidos à condições sociais indignas, apesar da vastidão de ecossistemas protegidos, nessa luta coletiva, cuja a emergência não é se blindar das mudanças climáticas, mas mudar de uma vida sofrida e precária, desumana, abaixo da linha da pobreza, para um mínimo de dignidade, este sim o maior e mais urgente desafio.

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