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Como uma cidade liderada por um padre se tornou uma das mais evangélicas

Censo de 2022 do IBGE mostrou que Nova Petrópolis tem 38% da população evangélica

Carla Melo
Por
Nova Petrópolis, localizada na Serra Gaúcha
Nova Petrópolis, localizada na Serra Gaúcha - Foto: Renan Constantin

Nova Petrópolis, localizada na Serra Gaúcha tem pouco mais de 23 mil habitantes. Há décadas, carrega o peso de ser o berço do cooperativismo brasileiro, desde que um padre suíço se instalou no Sul do país e criou a noção de que um trabalho só é bem feito, quando tudo se torna para todos.

Reconhecido como o Patrono do Cooperativismo Brasileiro e o pai das comunidades de colonos de origem germânica no Rio Grande do Sul, o Padre Theodor Amstad ainda está eternizado em diversas estátuas distribuídas pela cidade e imortalizado em nomes de instituições e em memoriais da região, mas apesar do catolicismo fazer parte da construção dessa história, é o evangelismo que ganhou mais influência em Nova Petrópolis .

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A cidade, que foi colonizada inicialmente por imigrantes alemães no século XVIII após o fim da Revolução Farroupilha, está entre as cidades que mais possuem contingente de evangélicos no Brasil . De acordo com o Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Nova Petrópolis abrigava 38% dessa população na região.

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Para se ter dimensão dessa ambiguidade, outras cidades localizadas na região sul do país, e muito próximas de Nova Petrópolis são consideradas cidades com maior contingente de população católica. Mas se uma cidade, cujo pai foi responsável por revolucionar o modelo de trabalho e de poder, unindo católicos e protestantes em torno do mesmo ideal, por que uma cidade se destaca pelo crescimento evangélico.

A revolução do Padre Amstad

Antes de entender o que é esse movimento, é preciso saber o papel impreenchível do Amstad na revolução na região. Nascido em 1851, em Beckrenrled, na Suíça, o padre Theodor Amstad se localizou no Rio Grande do Sul no início do século 20. Desde então, construiu sua trajetória na região ao combate às dificuldades econômicas, sociais e estruturais que atingiam principalmente pequenos produtores rurais.

Ao entender que o modelo econômico na época marcado pela dificuldade de acesso ao dinheiro dos produtores rurais para compra de insumos de produção e consumo não sustentava aquela população, o pai lançou uma nova forma de organização dos pequenos produtores, tendo a cooperação como uma aliada para vencer as dificuldades da época.

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Em 1902, reuniu um grupo de produtores rurais e lideranças comunitárias e fundou a primeira cooperativa de crédito do Brasil e da América Latina, em atividade hoje até: a Cooperativa Sicredi Pioneira RS.

De acordo com Felipe Moura, condutor histórico da Casa Cooperativa de Nova Petrópolis, apesar do esforço de convencimento entre católicos na época, o maior movimento presente na região era o luterano.

"O luteranismo pregava até mesmo para as etnias que já estavam aqui e para os imigrantes eram mais alemães. Essa região aqui é a boêmia, que é uma etnia da República Tcheca, que concentrou a maior parte de imigrantes germano-checos/austro-húngaros", explica ele.

Ainda de acordo com ele, o movimento de cooperativismo iniciado por um pai não era no momento uma preocupação maior entre os imigrantes, que ansiavam por melhores condições de vida, após períodos de mudanças drásticas na Europa como a Revolução Industrial e a Segunda Guerra.

“Aqui os imigrantes de todas as etnias e religiões se encontram, mas não dava tempo para eles discutirem. Ou se unia ou acabouva apostando o que eles acabaram então tendo problemas também no país de origem deles. Ansiavam por vidas salvas, por um novo mundo. E quem os abraça? Quem é que compra essa causa? Alguns padres, principalmente aqueles envolvidos com a questão do associativismo e cooperativismo, mudaram a realidade de muitos”, continuou ele.

Católicos vs Evangélicos?

De acordo com Heloísa Helena, presidente da Casa Cooperativa de Nova Petrópolis, o primeiro depósito registrado no modelo cooperativo foi realizado por católicos, da comunidade de italianos, enquanto o depósito de maior valor teria sido para a construção de uma igreja evangélica luterana de Nova Petrópolis, por alemães.

“Em uma época em que existiam rivalidades religiosas entre alemães e italianos, o padre deu exemplo de que o cooperativismo entre os dois trabalhadores. Apesar, também, de um padre jesuíta dar início ao movimento, o primeiro presidente foi um luterano”, continuou ela.

*A repórter viajou para o Rio Grande do Sul à convite do Sicredi.

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