FIM DE UMA ERA
Torre Palace: hotel que fez história em Brasília é demolido
Disputa familiar, invasões e abandono transformaram o ícone do turismo em esqueleto urbano

Por Luan Julião

A silhueta do Torre Palace deixou de fazer parte da paisagem de Brasília na manhã deste domingo, 25. Às 10h01, após três avisos sonoros, explosivos derrubaram em poucos segundos os 14 andares do primeiro hotel de luxo da capital federal. O estrondo foi ouvido a distância e, logo depois, uma densa nuvem de poeira tomou conta da área.
Inaugurado em 1973, o hotel marcou época ao oferecer hospedagem quatro estrelas em uma das regiões mais valorizadas da cidade. Localizado no setor hoteleiro, às margens do Eixo Monumental, o prédio tinha vista privilegiada para pontos emblemáticos como o Congresso Nacional e a Torre de TV.
A trajetória de glamour, no entanto, começou a ruir após a morte de seu fundador, o empresário libanês Jibran El-Hadj, no início dos anos 2000. Detentor de um patrimônio estimado em R$ 200 milhões à época, ele deixou como herança uma disputa entre a esposa e os seis filhos. O impasse judicial transformou o hotel em um ativo sem destino: não podia ser vendido, restaurado nem demolido.
Em 2007, três dos filhos deixaram a sociedade e recorreram à Justiça para reivindicar R$ 51 milhões, valor que consideravam correspondente à sua parte na herança. A batalha judicial prolongada teve reflexos diretos na operação do hotel, que encerrou definitivamente as atividades em 2013.
Sem manutenção e sem uso, o Torre Palace passou a sofrer com o abandono. A fachada foi tomada por pichações, o interior saqueado e, dois anos depois do fechamento, o prédio acabou invadido. Quartos passaram a ser utilizados por usuários de drogas, e o cenário de degradação se intensificou.
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Em março de 2016, o local foi palco de uma morte. Um jovem de 18 anos, em situação de rua, foi encontrado sem vida no fosso de um elevador. À época, a namorada relatou que ele teria ido a um dos andares para ingerir Rupinol, medicamento de efeito ansiolítico e com potencial de dependência.
Diante da situação, o Governo do Distrito Federal promoveu uma grande operação de desocupação. Cerca de 200 agentes participaram da ação, que contou com equipes do Bope e apoio aéreo de dois helicópteros. Como medida preventiva, parte das paredes dos andares inferiores foi derrubada para facilitar a fiscalização e impedir novas invasões.
Mesmo assim, o prédio permaneceu como um esqueleto urbano por mais de uma década. Em 2020, o Torre Palace foi levado a leilão, mas nenhuma proposta foi apresentada durante seis dias, apesar do valor fixado em R$ 35 milhões. Um comprador chegou a surgir no fim daquele ano, mas desistiu do negócio com autorização judicial.
Somente no ano passado o imóvel foi finalmente vendido. Com a implosão, encerra-se um capítulo marcado por luxo, disputas e abandono. No lugar do antigo hotel, os novos proprietários planejam construir um edifício de 16 andares, com até 250 apartamentos. A previsão é que o novo empreendimento fique pronto em três anos.
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