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Daniel Vorcaro é transferido para a PF e delação entra em pauta

Sinalização de acordo aumenta expectativa por novos desdobramentos

Isabela Cardoso
Por
| Atualizada em
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master - Foto: Reprodução/Banco Master

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido nesta quinta-feira, 19, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, no centro da capital. A transferêcia abre espaço para uma delação premiada.

A mudança ocorreu no início da noite, quando Vorcaro chegou ao local em um helicóptero da própria PF. Logo após o desembarque, ele passou por exame de corpo de delito, procedimento padrão em casos de transferência de custodiados.

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A defesa do banqueiro havia solicitado a conversão da prisão em regime domiciliar. No entanto, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido e autorizou apenas a transferência para as dependências da Polícia Federal.

O teor completo da decisão não foi divulgado.

Delação premiada entra no radar

Nos bastidores, cresce a possibilidade de um acordo de colaboração. De acordo com apuração da TV Globo, a defesa do banqueiro procurou a Polícia Federal para sinalizar interesse em uma eventual delação premiada.

Um dos pontos discutidos nessa possível negociação envolve justamente a mudança de local de custódia. Segundo a coluna Manoela Alcântara, investigadores relataram que a transferência foi mencionada em encontros entre a PF e a nova defesa de Vorcaro.

A defesa também chegou a sondar a possibilidade de nova prisão domiciliar, hipótese que acabou sendo descartada por André Mendonça em decisão sigilosa.

Segundo interlocutores, Vorcaro indicou à defesa que não abriria mão de deixar a Penitenciária Federal de Brasília, argumentando que o regime de segurança máxima restringe completamente sua rotina.

Outro avanço nas tratativas é que o banqueiro já assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a Polícia Federal, etapa considerada inicial para discutir uma possível delação.

O advogado José Luís Oliveira Lima preferiu não comentar o assunto, alegando a sensibilidade do caso.

Além disso, representantes da defesa se reuniram recentemente com o ministro André Mendonça para discutir os desdobramentos da investigação. Entre os temas abordados, estaria justamente a possibilidade de colaboração com as autoridades.

Nos bastidores, a avaliação é que a delação deve focar em políticos e evitar menções a ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Transferência pode indicar estratégia

Historicamente, mudanças no regime de custódia já foram interpretadas como um indicativo de avanço nas negociações por delação, como ocorreu em investigações de grande repercussão, a exemplo da Operação Lava Jato.

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Embora não haja confirmação oficial, a transferência para a sede da PF pode ser vista como um movimento nesse sentido.

Diferença entre os regimes chama atenção

Antes da mudança, Vorcaro estava submetido ao regime rígido da penitenciária federal, com isolamento, controle de horários e estrutura limitada.

Agora, ele deve permanecer em uma sala de Estado-Maior na Polícia Federal, com um ambiente mais amplo, com cama, banheiro privativo, ar-condicionado, televisão e outros itens básicos.

Esse tipo de acomodação já foi utilizado por autoridades como Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer em momentos distintos.

Próximos passos seguem indefinidos

A investigação continua em andamento, e uma eventual delação pode trazer novos elementos ao caso. Até o momento, não há confirmação oficial de acordo firmado, mas a movimentação recente indica que o cenário segue em evolução.

Sobre a investigação

Vorcaro é alvo de investigações que apuram suspeitas de fraudes financeiras, além de possíveis pagamentos indevidos a agentes públicos. Também há indícios de que ele teria articulado uma estrutura paralela para monitorar autoridades e intimidar jornalistas.

A prisão ocorreu no início de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.

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Banco MAster Daniel Vorcaro polícia federal

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