ELEIÇÃO E A FÉ
Desde quando Nossa Senhora Aparecida é a padroeira do Brasil?
Polêmica em torno da santa ganhou força na semana passada


Considerada a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida teve seu nome envolvido em uma polêmica, na semana passada, quando o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), teria dito que retiraria o título dela, em uma espécie de aceno ao eleitorado evangélico, onde ele possui mais votos.
No entanto, mesmo após desmentir a informação, chamando-a de fake news, o liberal comprou uma briga com a Igreja Católica no país, acusando alguns membros da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de terem ajudado o PT a disseminar a informação falsa — a entidade rebateu a fala de Flávio.
Afinal, desde quando Nossa Senhora Aparecida é padroeira do Brasil?
Apesar de os primeiros milagres atribuídos à santidade serem oriundos do século 18 — quando três pescadores encontraram a imagem durante navegação pelo rio Paraíba do Sul, em São Paulo —, Nossa Senhora Aparecida só se tornou oficialmente padroeira do Brasil a partir dos anos 1930 do século XX.
Exatamente no ano de 1930, o então chefe da Igreja Católica, papa Pio XI, ao atender um pedido dos bispos brasileiros, assinou um decreto que oficializava Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
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Proclamação no Brasil
Com o anúncio da proclamação, as festividades da celebração solene foram preparadas no Rio de Janeiro, então capital do país. A data escolhida para a proclamação oficial foi o dia 31 de maio de 1931.
A celebração, de acordo com os registros da época, reuniu cerca de um milhão de pessoas e contou com a presença da imagem original de Aparecida, que, pela primeira vez, deixava o Santuário, localizado no estado de São Paulo.
Durante a Missa Solene, Dom Sebastião Leme, então arcebispo do Rio de Janeiro, leu a declaração do Papa e, assim, o povo brasileiro tinha oficialmente a sua padroeira.
Feriado nacional
O reconhecimento civil definitivo foi consolidado pela Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980, promulgada pelo então presidente-militar João Figueiredo, que declarou o dia 12 de outubro como feriado nacional consagrado à Padroeira do Brasil.
A legislação foi criada para oficializar o culto público e solene à santa, coincidindo com o período em que o Papa João Paulo II visitou o Brasil pela primeira vez.


