BRASIL
“Dolly Guaraná”, de Jingle famoso a polêmicas, relembre a trajetória da marca
Fabricante de refrigerantes brasileira teve pedido de falência protocolado

Depois de anos em processo de recuperação judicial, a grande marca brasileira de refrigerantes, Dolly, teve o pedido de falência protocolado em conjunto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP) nesta quarta-feira, 1º.
O pedido foi direcionado à 2.ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que vinha conduzindo o processo de recuperação da marca há quase uma década.
Iniciado em 2018, o processo foi extinto, sem conclusão, em maio de 2026.
A falência acontece um ano antes da empresa completar quatro décadas no mercado brasileiro. Em seu site oficial, a Dolly afirma que a marca 100% nacional está em atividade desde 1987.
Produto inovador
Ainda de acordo com a companhia, a marca trouxe o primeiro refrigerante Diet para o Brasil depois de uma briga na justiça vencida pela fabricante de refrigerantes.
Até 1987, baseada em uma lei de 1973, a fabricação desse tipo de bebida era proibida pelo uso de edulcorantes sintéticos.
Com a ação a favor da Dolly, os sabores Guaraná e Limão Diet passaram a ser comercializados em 1988.

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Jingles históricos
Após isso, a marca veio a fazer parte do imaginário brasileiro ao lançar uma de suas campanhas publicitárias mais famosas, em 2003, sob o slogan: “Dolly: para quem não tem medo de mudar… para O MELHOR!”.
A partir disso, a marca investiu em comerciais e jingles que marcaram gerações, como a música-tema do mascote oficial, o “Dollynho”. No YouTube da empresa, a canção mais conhecida da empresa alcançou 27 milhões de visualizações desde a sua publicação.
Além dessa, outras campanhas fizeram sucesso, como o Dolly Dia das Mães, vídeo que possui cerca de 18 milhões de visualizações no canal de YouTube da marca.
A estratégia fez com que a marca caísse no imaginário do povo brasileiro.
Prisão do presidente da marca
Durante a recuperação judicial da empresa, em 2025, o dono da empresa, Laerte Codonho, foi condenado a 11 anos, 10 meses e 4 dias de prisão por corrupção ativa, falsificação de documento e crime ambiental.
O juiz, Djalma Moreira Gomes Júnior, negou ao empresário a substituição da prisão por medidas restritivas, com tornozeleira eletrônica, e exigiu que Codonho pagasse uma multa.
Conforme a acusação, o presidente da Dolly havia, por meio de sua empresa, a Stockbanck, causado danos ambientais a um terreno localizado em São Lourenço da Serra.
Ainda conforme os autos, Laerte teria oferecido propinas a agentes públicos para evitar punições pelo desmatamento da área.
Por sua vez, o presidente da Dolly questionou a condenação por falsificação de documentos e afirmou que as assinaturas não seriam dele. O empresário também disse que teve autorização da própria Comarca de Itapecerica para agilizar a conclusão da obra.
“Uma coisa maluca... A própria Justiça disse que estava tudo ok para concluir a obra, e estou sendo condenado por crime ambiental."
Sobre a condenação por corrupção, Codonho se defende e afirma que as mensagens do processo surgiram depois que um celular foi apreendido e periciado.
A Dolly vai falir?
As procuradorias do Estado de São Paulo e da Fazenda Nacional protocolaram, nesta quarta-feira, 1º, um pedido conjunto pela falência das empresas que compõem o grupo Dolly.
As dívidas passam dos R$ 15 bilhões e, segundo o documento enviado pelas procuradorias, grande parte desse valor é considerada exigível e sem garantias suficientes.

O processo de recuperação judicial iniciado em 2018 foi extinto em maio deste ano sem conclusão. A empresa então passou a considerar uma recuperação extrajudicial, buscando acordo com seus credores fora da Justiça.
Porém, a Dolly não foi capaz de cumprir os requisitos legais para seguir com o novo processo.
Os procuradores sustentam que o grupo utilizou a recuperação judicial para ganhar tempo sem efetivamente regularizar seus débitos tributários, suspendendo execuções fiscais e impedindo medidas de constrição patrimonial.
Empresa se pronuncia
A marca se pronunciou publicamente por meio de uma nota em suas redes sociais dizendo que, até o momento "não foi citada ou intimada sobre qualquer decisão judicial relacionada ao processo em questão."



