SAÚDE
Dor de cabeça tratada como enxaqueca escondia AVC e quase matou jovem
Aos 25 anos, Tayla Sanchez recebeu repetidos diagnósticos de enxaqueca


Uma dor de cabeça intensa e persistente, tratada durante quase dois anos como enxaqueca, acabou escondendo um problema muito mais grave. Aos 25 anos, a jornalista e escritora Tayla Sanchez sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), entrou em coma induzido e chegou a ser desenganada pela equipe médica após uma sequência de convulsões.
Segundo o g1, depois de procurar atendimento diversas vezes ao longo de cerca de 18 meses, Tayla recebeu sempre o mesmo diagnóstico, mas exames realizados após o agravamento do quadro revelaram uma trombose venosa cerebral, condição que desencadeou um AVC isquêmico.
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"Literalmente morri", relembrou Tayla. "As pessoas pensam que é no sentido figurado da palavra, mas não. Eu morri e voltei."
Dor de cabeça escondia um problema grave
Durante aproximadamente um ano e meio, Tayla procurou atendimento médico repetidas vezes por causa de fortes dores de cabeça. Em todas as consultas, o diagnóstico foi de enxaqueca.
O quadro, porém, era provocado por uma trombose venosa cerebral, condição em que um coágulo bloqueia a drenagem do sangue no cérebro. Segundo os exames realizados posteriormente, a alteração desencadeou um AVC isquêmico.
A situação mudou drasticamente quando a dor de cabeça evoluiu para um quadro de extrema gravidade. Tayla sofreu pelo menos cinco convulsões, precisou ser intubada e permaneceu em coma induzido por vários dias.
Em uma sexta-feira de setembro de 2016, o médico que acompanhava o caso ligou para uma prima da jovem chorando e pediu ajuda para avisar a família de que ela provavelmente não sobreviveria ao fim de semana. A pupila da paciente já não respondia aos estímulos, um dos parâmetros utilizados para avaliar a atividade neurológica.
Contra todas as expectativas, Tayla abriu os olhos na segunda-feira seguinte.
Exames demoraram para confirmar o diagnóstico
O diagnóstico definitivo foi confirmado apenas depois de dificuldades durante a investigação. O aparelho de tomografia do hospital estava quebrado e, inicialmente, o convênio negou autorização para que o exame fosse realizado em outro serviço.
Após a realização dos exames, os médicos concluíram que Tayla havia sofrido um AVC isquêmico desencadeado por uma trombose venosa cerebral, esse tipo de trombose aumenta a pressão dentro do crânio, podendo provocar falta de oxigênio em áreas do cérebro e até rompimento de pequenos vasos.
No caso da jornalista, os exames sugeriram uma combinação de AVC isquêmico e hemorrágico.
Anticoncepcional e predisposição genética
Após a internação, Tayla descobriu que possuía uma predisposição genética para trombose, condição que contraindica o uso de anticoncepcionais hormonais com estrogênio. Ela utilizava esse tipo de medicamento havia cerca de dez anos.
De acordo com a Anvisa, mulheres que utilizam anticoncepcionais combinados, com estrogênio e progesterona, apresentam cerca de três vezes mais risco de desenvolver tromboembolismo venoso em comparação com aquelas que não fazem uso desse tipo de medicamento.
Recuperação exigiu reaprender tarefas básicas
Depois de deixar a UTI, Tayla iniciou um longo processo de reabilitação. Ela perdeu os movimentos do lado direito do corpo e precisou reaprender atividades como falar, caminhar, escrever e digitar.
Hoje, anos após o episódio, segue em acompanhamento médico e realiza exames periódicos para monitorar a coagulação sanguínea. Desde então, não voltou a utilizar anticoncepcionais hormonais.
Especialistas fazem alerta
Especialistas reforçam que dores de cabeça intensas, persistentes ou diferentes do padrão habitual precisam ser investigadas, principalmente quando surgem acompanhadas de náusea, vômito, confusão mental, perda de força, alterações na visão ou convulsões.
Nesses casos, a realização de exames de imagem pode ser decisiva para identificar a causa dos sintomas e iniciar o tratamento rapidamente, reduzindo o risco de sequelas e aumentando as chances de recuperação.


