POLÊMICA
Igreja Universal muda postura histórica nas eleições e surpreende
Mudança impactou na cobertura da Record


A Igreja Universal do Reino de Deus mudou sua postura nas eleições de 2026. Em 2022, as atrações de TV da igreja liderada por Edir Macedo chegaram a pedir voto diretamente para candidatos de direita e a atacar candidatos da esquerda.
No entanto, neste ano, a Universal manteve-se, até o momento, na neutralidade durante o pleito. E se manterá assim até o fim do segundo turno, segundo a coluna F5, da Folha de S. Paulo, que analisou programas exibidos desde o início da campanha eleitoral, na segunda quinzena de agosto.
Os pastores chegaram a abordar temas envolvendo “os valores da família”, mas sem entrar na seara eleitoral.
Integrantes diretamente ligados a Igreja Universal e a Record para entender a situação disseram à coluna que o caso do banco Digimais, controlado por Macedo, tem relação com a mudança de postura.
A instituição foi alvo de operações da Polícia Federal (PF), que bloqueou R$ 670 milhões de suas contas.
Segundo os investigadores, o banco teria utilizado artifícios para inflar artificialmente seus balanços financeiros, incluindo a superavaliação de ativos antigos, créditos sem lastro e títulos históricos sem valor de mercado.
Diante da indefinição da situação, parte do grupo entende que a neutralidade neste momento dá a possibilidade de conversas para resolver o caso, independentemente de quem vença as eleições para presidente.
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Cobertura morna da Record ficou evidente
Além disso, fontes ligadas à Record dizem que isto explica a cobertura morna da emissora sobre as eleições deste ano.
O ‘Domingo Espetacular’, por exemplo, informava as porcentagens da apuração, mas seguiu sua programação normal, sem maiores análises, diferente do que ocorreu na Globo e na Band.
Ações judiciais impactaram na decisão
Outro ponto avaliado pela coluna são as ações judiciais decorrentes do que aconteceu em 2022. A Igreja Universal virou alvo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e perdeu uma ação contra Manuela D'Avila, que chegou a ser atacada em uma das atrações.
Na última eleição, o caso foi bastante diferente. Em janeiro de 2022, o bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo e considerado o homem forte da Igreja Universal atualmente, chegou a afirmar em um artigo que era incompatível ser cristão e de esquerda.
No texto, versículos que associam o lado direito a “um lugar especial, de honra, do Próprio Deus” eram argumentos para sustentar a rejeição.
Em setembro do mesmo ano, o próprio Macedo voltou a declarar voto em Jair Bolsonaro. Em um texto publicado no site da Universal na ocasião, a igreja dizia não impor “a seus membros que votem em um ou outro candidato”, mas acrescentava que as pautas da esquerda eram “totalmente incompatíveis com o pensamento evangélico”, além de criticar o PT pela corrupção.
A Igreja Universal fez, cinco antes do primeiro turno de 2022, um programa especial na Record solicitando que seus fiéis “votassem em políticos de direita” e ligados a Jair Bolsonaro, para evitar que o comunismo “destruísse a vida” das pessoas.


