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Investigadores da Polícia Civil usam tornozeleira após corrupção

Gaeco e Corregedoria apuram tráfico de influência e corrupção na corporação

Isabela Cardoso

Por Isabela Cardoso

12/02/2026 - 15:22 h

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Policiais suspeitos de corrupção agora são vigiados por tornozeleira
Policiais suspeitos de corrupção agora são vigiados por tornozeleira -

Uma operação conjunta entre o Gaeco (Ministério Público) e a Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, deflagrada nesta quinta-feira, 12, colocou sob holofotes um esquema de corrupção e tráfico de influência dentro da instituição.

Os investigadores Tânia Aparecida Nastri e Carlos Huerta foram alvos de busca e apreensão, sendo submetidos a uma decisão inédita: o monitoramento por tornozeleira eletrônica e o afastamento imediato de suas funções públicas.

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A investigação aponta que os agentes integravam uma organização criminosa envolvida em crimes de lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e corrupção passiva.

Segundo os promotores, os suspeitos alegavam proximidade com a alta cúpula da Polícia Civil de SP para interferir em apurações internas, fazendo vítimas como o atual secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves, e o deputado estadual Delegado Olim.

Conexões com o crime organizado

Os passos de Tânia e Huerta começaram a ser rastreados após a prisão de outros dois policiais em 2024, conhecidos pelos apelidos ‘Xixo’ e ‘Bolsonaro’. Mensagens de WhatsApp recuperadas pela perícia revelaram que o grupo operava para barrar investigações contra faccionados mediante o pagamento de propinas vultosas, chegando a R$ 800 mil.

Invasão de sistemas e "presentes"

As evidências mostram um modus operandi audacioso. Carlos Huerta é suspeito de invadir sistemas restritos da Polícia para levantar dados biométricos de delegados da Corregedoria que eram considerados "obstáculos".

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De posse das informações, o grupo tentava exercer influência indevida para paralisar processos disciplinares e apurações de evolução patrimonial.

Entre os principais pontos revelados pelo Gaeco estão:

  • Encontros extraoficiais com policiais investigados em locais reservados para burlar trâmites da lei.
  • Solicitação de "presentes" em espécie e até promessas de passagens internacionais.
  • Na casa de Tânia, agentes encontraram US$ 10 mil e R$ 20 mil em espécie, além de notebooks e celulares.

Restrições Judiciais

Além do uso de tornozeleira, os investigadores tiveram os passaportes e armas apreendidos e estão proibidos de deixar suas cidades de residência por mais de cinco dias sem autorização. As buscas ocorreram em endereços estratégicos, incluindo a sede do DOPE e o 13º Distrito Policial (Casa Verde).

A defesa dos investigadores ainda não se manifestou, mas o espaço permanece aberto para o contraditório. A Polícia Civil de São Paulo reforça que colabora com as investigações para expurgar condutas que mancham a imagem da corporação.

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