BRASIL
Jovem deixado em trilha poderá ser indenizado por ex-amiga
Thayane Smith subiu uma montanha com o amigo, Roberto Farias Tomaz, que se perdeu na trilha e ficou desaparecido por cinco dias

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) entendeu que há indícios de um crime de omissão de socorro no caso do jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, que ficou desaparecido por cinco dias na trilha de retorno do Pico Paraná, logo nos primeiros dias do ano.
O entendimento do MP apresentado pela 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, vai contra a conclusão da Polícia Civil (PC), que arquivou o inquérito por não identificá-lo como um crime.
Relembre o caso
Roberto desapareceu no primeiro dia de janeiro e ficou perdido por cinco dias, ele precisou andar cerca de 20 quilômetros seguindo o rio Cacatu até chegar em uma fazenda, em Antonina, na segunda-feira, 5.
Lá ele pediu um celular emprestado, ligou para a irmã e informou que estava vivo.
Omissão de socorro
De acordo com o MP-PR, o crime de omissão de socorro foi cometido pela jovem Thayane Smith, que acompanhava Roberto na trilha, e, segundo a manifestação do órgão, o deixou para trás mesmo depois de perceber que ele estava em uma posição de risco.
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"Mesmo após a constatação da situação de vulnerabilidade da vítima e dos riscos que ele corria, a jovem permaneceu sem a intenção de auxiliar nas buscas, demonstrando 'interesse apenas em seu próprio bem-estar físico', mesmo após ser alertada dos riscos da situação por outros montanhistas", diz o MP-PR.
Nesta manifestação, o MP apontou que houve dolo (intenção consciente e voluntária de cometer um ato ilícito), por parte de Thayane, visto que ela sabia que ele estava debilitado.
"Ainda assim, [Thayane] optou reiteradas vezes por deixá-lo à própria sorte”, diz o MP.
Pagamento de danos morais e serviço comunitário
A Promotoria de Justiça pediu o envio do caso ao Juizado Especial Criminal e propôs uma transação penal. Pela proposta, a investigada deverá cumprir as seguintes medidas:
- Pagamento de três salários mínimos (R$ 4.863) a Roberto, como reparação por danos materiais e morais;
- Pagamento de R$ 8.105 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, que atuou nas buscas por cinco dias;
- Prestação de serviços à comunidade por três meses, com carga de cinco horas semanais, junto ao Corpo de Bombeiros.
Investigação sobre o desaparecimento foi arquivada
Já no dia três de janeiro, enquanto Roberto ainda estava perdido, a Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento depois da abertura de um Boletim de Ocorrência pela família de Roberto, que mora em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
Nesta ocasião, o delegado Glaison Lima Rodrigues colheu depoimento da jovem que acompanhava Roberto na trilha, além de outros montanhistas que o encontraram no caminho e familiares do mesmo.
De acordo com o delegado, as investigações apontaram que não houve nenhum tipo de infração penal, nem omissão de socorro.
"De acordo com o que foi apurado, Roberto teria passado mal na subida da trilha e não na descida. Já na descida, ele estaria bem e não teria apresentado nenhum sintoma que precisasse de algum tipo de socorro. Roberto teria ficado para trás e teria pegado uma trilha errada e por essa razão ele teria desaparecido", afirmou Rodrigues.
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