BRASIL
Jovem que morreu em rope jump deveria estar presa a duas cordas
Garota não estava presa por nenhuma corda quando foi arremessada de um penhasco

A jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, que morreu após saltar de rope jump no último sábado, 13, deveria estar conectada a duas cordas de segurança no momento do salto. No entanto, ela foi arremessada do precipício sem nenhuma proteção instalada. A informação técnica foi detalhada pela delegada responsável pelo caso, Andrea Levy, nesta segunda-feira, 15.
"Pelo interrogatório dos três investigados que permaneceram detidos, o protocolo exigia duas cordas. Nenhuma delas estava colocada. Eles alegam não se recordar se deixaram de colocá-las, quem foi o responsável pela omissão ou quem deixou de fiscalizar, mas o fato é que as cordas não estavam instaladas", afirmou a delegada em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.
A delegada explicou que a vítima vestia apenas a cadeirinha de sustentação (cinta) ao redor do corpo e portava o gancho (mosquetão) onde os cabos deveriam ser acoplados.
"Havia os equipamentos, uma espécie de cinta fixada na região das coxas e do tórax, com o gancho onde a corda deveria estar acoplada.Seriam duas cordas: uma na região do estômago e outra um pouco mais abaixo. Nenhuma delas estava presente. O capacete, visível nas imagens gravadas, também não foi localizado no local do impacto", complementou.
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Laudos periciais e depoimentos
Os próximos passos da Polícia Civil concentram-se na coleta de depoimentos de novas testemunhas e na conclusão dos laudos técnicos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML).
A expectativa da delegacia está voltada para duas frentes:
- Laudo necroscópico: Determinará a causa exata da morte e as lesões provocadas pelo impacto;
- Laudo de levantamento do local: Estimarará com precisão a altura da ponte, a dinâmica do arremesso, o ponto exato onde o corpo foi projetado e as condições gerais do terreno. Conforme a delegada, embora as imagens em vídeo já demonstrem visualmente a mecânica do acidente, a perícia de campo é indispensável para materializar a culpa dos operadores.
Prisão preventiva dos operadores
Neste domingo (14), o Poder Judiciário converteu a prisão em flagrante dos três operadores do evento em prisão preventiva. Luis Felipe Feliciano Egoroff (32 anos), Vitor de Freitas Gonçalves (27 anos) e Maicon Fernandes Cintra (42 anos) permanecerão na carceragem por tempo indeterminado para garantir a ordem pública e a instrução do processo.
A delegada Andrea Levy ressaltou que outras três pessoas ligadas à organização do evento também são investigadas, mas responderão em liberdade nesta fase inicial.
"Os três que aparecem nitidamente operando o salto no vídeo são os que estão presos preventivamente. Os outros três serão investigados porque, em uma análise inicial dos fatos, não foi possível identificar uma conduta direta relacionada ao ocorrido. Por isso, não havia elementos legais para o flagrante. Nada impede que, no decorrer das investigações, seja representada a prisão preventiva deles também", advertiu.
Enfermeira tentou reanimar a vítima no local
Uma enfermeira de 26 anos, identificada como Rayza Gabrieli Dias Delfino, que estava na fila e realizaria o salto logo após Maria Eduarda, prestou depoimento à Polícia Civil e relatou ter descido imediatamente a estrutura da ponte para socorrer a vítima.
Rayza afirmou que encontrou a adolescente ainda com sinais vitais mínimos. "Ela estava dando aquele suspiro característico de pós-morte. Eu chequei e ela estava com um pulso bem fraco. Iniciei os procedimentos de massagem cardíaca, mas a pulsação cessou em seguida", detalhou a testemunha.
A enfermeira confirmou às autoridades que a jovem vestia o equipamento preso à barriga, mas sem a corda principal de sustentação. O socorro foi mantido até a chegada da ambulância de emergência. Para tentar aplicar o desfibrilador elétrico, os socorristas precisaram cortar o restante das tiras da cadeirinha de Maria Eduarda, porém as manobras de reanimação não obtiveram sucesso.



