PESQUISA
Mais da metade dos trabalhadores termina o mês sem dinheiro e estressada
Resultado é praticamente igual ao registrado em 2025


A Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores 2026, da Serasa Experian, divulgada nesta terça-feira, 18, revela que mais da metade dos trabalhadores brasileiros não consegue chegar ao fim do mês com dinheiro suficiente para pagar todas as despesas.
O levantamento diz que 53% dos entrevistados ficam sem recursos depois de receber o salário e atravessar o mês. O resultado é praticamente igual ao registrado em 2025, quando o percentual era de 54%.No total, 47% afirmam conseguir chegar ao fim do mês com dinheiro sobrando ou disponível.
No entanto, o dado não significa que todos parem de pagar as contas. Entre os 53% que não conseguem fechar o mês apenas com o dinheiro disponível, 47% recorrem a alguma alternativa para conseguir completar o orçamento.
Já outros 6% terminam o período sem recursos suficientes e sem lançar mão de nenhuma solução adicional.
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O peso dos gastos básicos
Segundo a pesquisa, a alimentação foi apontada por 78% dos entrevistados como fator de pressão nas contas mensais.
Em seguida, aparecem:
- Contas como luz, água e gás, citadas por 72%;
- Financiamentos de imóveis ou veículos, com 44%;
- Roupas, utilidades e outros itens de consumo, com 43%;
- Empréstimos, com 33%;
- Estudos, com 22%.
O levantamento da Serasa Experian também mostra como esse orçamento apertado reduz a capacidade de absorver imprevistos.
Quando praticamente toda a renda já está comprometida com despesas do cotidiano e dívidas assumidas, qualquer gasto adicional pode exigir o uso de crédito ou outra fonte de recursos.
Estresse no trabalho
O impacto das dificuldades financeiras aparece durante o expediente. De acordo com a pesquisa, entre os trabalhadores que passaram ou ainda passam por problemas financeiros nos últimos cinco anos, 51% afirmam ter sentido estresse no trabalho. Outros 46% relatam exaustão extrema e esgotamento físico.
Entre os entrevistados, a perda de atenção foi citada por 35% e a queda de produtividade, por 33%. Outros 26% disseram ter percebido irritabilidade com colegas, enquanto 5% relataram faltas ao trabalho.
A pesquisa permitia que cada participante apontasse até dois impactos relacionados à vida profissional.
Sono e bem-estar afetados
Dos entrevistados que passaram ou ainda passam por problemas financeiros nos últimos cinco anos, 44% disseram ter enfrentado irritabilidade e o mesmo percentual relatou insônia.
Também aparecem entre as consequências apontadas alterações acentuadas de peso, depressão, dores físicas e isolamento social. A pesquisa, portanto, mostra uma relação mais ampla entre a falta de espaço no orçamento e a qualidade de vida dos trabalhadores.
A Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores 2026 ouviu 1.008 profissionais de empresas públicas e privadas. O grupo inclui trabalhadores contratados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e pessoas que atuam como PJ (Pessoa Jurídica).
As entrevistas foram feitas por meio de painel on-line e a pesquisa tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.


