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Mudou a regra: moradores serão obrigados a descer para buscar entregas

Cidades transformam em lei regra que obriga moradores a receber entregas na portaria, com exceções específicas

Iarla Queiroz

Por Iarla Queiroz

10/01/2026 - 16:32 h | Atualizada em 10/01/2026 - 16:56
Cidades proíbem exigir que entregadores subam aos apartamentos
Cidades proíbem exigir que entregadores subam aos apartamentos -

Cidades brasileiras têm avançado na criação de leis que proíbem moradores de condomínios de exigir que entregadores de aplicativos subam até os apartamentos. Com as novas regras, o recebimento de refeições, encomendas e compras deve ser feito na portaria dos prédios, salvo exceções previstas em lei.

A iniciativa surge como resposta a conflitos cada vez mais frequentes entre moradores e profissionais de entrega, especialmente em condomínios residenciais, onde a discussão sobre quem deve subir ou descer passou a gerar atritos recorrentes.

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Capitais e municípios já adotam a regra

Na região metropolitana de Belo Horizonte, o município de Contagem já colocou a medida em prática. A lei foi publicada no Diário Oficial da cidade e está em vigor, estabelecendo que a responsabilidade pelo recebimento da entrega é do morador.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes sancionou uma legislação com o mesmo objetivo. A norma, que entrou em vigor nesta semana, vale para entregas de pequeno porte, como refeições e compras de supermercado, e impede que moradores obriguem entregadores a subir até os apartamentos.

Manaus e Fortaleza já seguem o modelo

Outras capitais adotaram a regra anteriormente. Em Manaus, desde 2023, uma lei determina que entregas sejam realizadas exclusivamente na portaria, vetando a circulação de entregadores nas áreas comuns dos condomínios.

Já em Fortaleza, a legislação também estabelece a entrega na portaria, garantindo exceção apenas para pessoas com mobilidade reduzida ou necessidades especiais, reforçando o caráter social da medida.

Leia Também:

Salvador entra no debate e aprova projeto de lei

Em Salvador, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei nº PLE-392/2025, que organiza as entregas realizadas por aplicativos em condomínios residenciais e comerciais da capital baiana. A proposta do vereador Kel Torres (Republicanos), foi votada durante sessão ordinária realizada em 17 de dezembro, segue agora para avaliação e possível sanção do prefeito Bruno Reis.

O texto estabelece que entregadores não podem ser obrigados a acessar áreas internas dos condomínios nem subir até apartamentos ou salas comerciais para concluir o serviço. Segundo o vereador, a medida busca ampliar a segurança dos trabalhadores e trazer mais organização à rotina dos condomínios.

Segurança em foco, dizem representantes

Para o presidente do Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Minas Gerais, Carlos de Queiroz, a proposta é positiva e deveria ser adotada em todo o país. Segundo ele, a decisão contribui para a segurança tanto de moradores quanto dos profissionais de entrega, embora ainda enfrente resistência de parte dos próprios condôminos.

“Acreditamos que esse sistema de proibir que o entregador suba seja importante para a segurança não só dos moradores, mas também dos profissionais de entrega. Isso deve ser adotado nacionalmente.”

Motoboys apontam redução de riscos

No Ceará, o presidente do Sindicato dos Motoboys, Glauberto Almeida, avalia que a regra representa um avanço importante para a categoria. Segundo ele, a exigência de subir aos apartamentos expõe os motociclistas a riscos desnecessários, como furtos e longos períodos de espera na frente dos condomínios.

“O risco que o motoboy sofre ao subir no condomínio é deixar sua motocicleta parada e com possibilidade de furto. A lei veio para beneficiar inclusive o motoboy.”

Projeto ainda tramita em Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, uma proposta semelhante segue em discussão na Câmara Municipal. O projeto prevê locais adequados para as entregas, mantém exceções para pessoas com deficiência e determina que os condomínios informem previamente aos moradores quais são as regras adotadas.

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