TRÂNSITO
Novos radares com IA entram em operação e já estão aplicando multas
Nos primeiros testes, um único equipamento registrou 7.297 infrações em apenas 49 dias


Os radares equipados com Inteligência Artificial (IA) representam uma nova geração de fiscalização e já estão operando nas rodovias brasileiras.
Diferentemente dos equipamentos tradicionais, que registram o excesso de velocidade, esses dispositivos utilizam câmeras de alta definição e sistemas inteligentes capazes de identificar diversas infrações de trânsito em tempo real.
Como funciona?
A tecnologia funciona por meio de câmeras de última geração, equipadas com sensores de alta resolução e iluminação infravermelha, que capturam imagens dos veículos mesmo em condições de pouca luz. As imagens são analisadas instantaneamente por um sistema de Inteligência Artificial treinado para reconhecer padrões de comportamento considerados infrações.
Entre as irregularidades que podem ser identificadas estão:
- motoristas dirigindo sem o cinto de segurança;
- passageiros sem o equipamento de proteção e o uso do celular ao volante;
- dependendo da configuração adotada pela concessionária responsável pela rodovia, o sistema também pode ser treinado para detectar situações como crianças transportadas de forma inadequada ou ocupantes com partes do corpo para fora do veículo.
Apesar da análise ser feita pela Inteligência Artificial, a decisão sobre a aplicação da multa não é totalmente automática. Sempre que o sistema identifica uma possível infração, as imagens são encaminhadas para agentes responsáveis pela fiscalização, que fazem uma conferência manual antes da emissão da autuação.
Essa etapa serve para evitar erros. Se a imagem não permitir comprovar claramente a infração — como em casos em que a roupa do motorista dificulta visualizar o uso do cinto de segurança — o registro é descartado e nenhuma multa é aplicada.
Segundo as concessionárias que utilizam a tecnologia, a taxa de erro da Inteligência Artificial é considerada baixa. O objetivo principal do sistema é ampliar a fiscalização e contribuir para a redução de acidentes causados por distrações ao volante, especialmente pelo uso do celular e pela falta do cinto de segurança.
Onde os radares com IA já estão funcionando
Após um período de testes, os radares com Inteligência Artificial começaram a aplicar multas no dia 1º de julho nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, administrados pela concessionária SPMar. Nos primeiros testes, um único equipamento registrou 7.297 infrações em apenas 49 dias, levando a empresa a anunciar a expansão da tecnologia para 82 radares até o fim deste ano e 120 equipamentos até o final de 2027.
A tecnologia também já está presente em outras rodovias paulistas. Na Rodovia Anhanguera, um radar inteligente identificou cerca de 20 mil infrações em poucos meses de operação. Equipamentos semelhantes também estão em testes na Mogi-Campinas, na Raposo Tavares, na Castelo Branco e no Sistema Anchieta-Imigrantes.
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Fora de São Paulo, Minas Gerais também passou a utilizar radares com Inteligência Artificial em trechos da BR-365, MG-290, BR-459 e LMG-877, ampliando o monitoramento nas rodovias estaduais.
Além das estradas, grandes cidades como São Paulo já utilizam radares inteligentes para fiscalizar infrações urbanas, como:
- uso do celular ao volante;
- falta do cinto de segurança;
- circulação irregular em faixas exclusivas de ônibus.
Outra tecnologia em desenvolvimento é o radar de velocidade média, que calcula o tempo gasto pelo veículo entre dois pontos de fiscalização para verificar se o motorista manteve velocidade acima do permitido durante o percurso. O sistema ainda passa por testes e depende de regulamentação para começar a emitir multas no Brasil.


