BRASIL
Pix pode ser integrado ao sistema de pagamentos da Europa
Proposta ainda está em fase inicial de discussão

O Banco Central (BC) negocia uma possível integração entre o Pix e o TIPS (Target Instant Payment Settlement), sistema de pagamentos espontâneos do Banco Central Europeu (BCE). A proposta ainda está em fase inicial de discussão, no entanto, já faz parte do cronograma de trabalho europeu que deve avaliar a conexão entre os sistemas.
De acordo com o documento do BCE, as análises sobre uma possível interligação entre os sistemas estão na etapa de pré-investigação. A fase, que envolve análises jurídicas, técnicas, de segurança e operacionais, está prevista para ser concluída até setembro.
O BCE confirmou as negociações. Segundo a entidade, atualmente, existe uma investigação preliminar sobre uma possível investigação. Já o Banco Central do Brasil, não cedeu informações sobre as tratativas.
Como funcionaria a interligação entre Pix e TIPS?
Caso ocorra a integração, os brasileiros poderão utilizar suas contas bancárias para realizar pagamentos no comércio europeu. Essa operação poderá funcionar por meio de QR Code do Pix, permitindo que o cliente efetue o pagamento em uma maquininha na Europa.
Segundo Thiago Cavalcanti, presidente da Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil (ANBCB), a taxa que deverá ser utilizada na conversão da moeda será um dos principais pontos a serem considerados para o funcionamento da interligação.
“O sistema vai fazer a conversão instantânea e fazer o pagamento. Provavelmente, você vai ter alguns custos envolvidos na transação, que têm que ficar explícitos”, explicou.
Pix para estrangeiros
Já nos casos de pessoas que estejam no Brasil e tenham contas em instituições financeiras estrangeiras, a integração também poderá facilitar as transações.
Neste modelo, o comércio brasileiro gera um QR Code do Pix, que pode ser lido pelo aplicativo da instituição estrangeira. Assim, o parceiro brasilieto realiza o Pix imediatamente para o estabelecimento, com o dinheiro sendo depositado em real.
Simultaneamente, a instituição estrangeira debita o valor da conta do consumidor na moeda de seu país, considerando a taxa de câmbio aplicada à operação. Logo após isso, o parceiro estrageiro envia os recursos para instituição brasileira por meios tradicionais.
Interligação pode ocorrer em 2028
De acordo com o cronograma, após a fase de pré-investigação, uma etapa de exploração pode ser realizada de outubro de 2026 a março de 2027.
Durante este período, as equipes deverão analisar a viabilidade e estabelecer os principais marcos do projeto.
Além disso, uma possível fase de implementação está prevista para ocorrer entre abril de 2027 e junho de 2028, vinculado à aprovação dos dois bancos centrais.
Diante disso, a interligação poderá alcançar a fase de operação técnica em novembro de 2027, enquanto a etapa operacional está prevista para junho de 2028.
As previsões podem sofrer alterações devido às análises, dos requisitos regulatórios, das definições sobre o desenho do projeto e da necessidade de coordenação com participantes do mercado.
Também foi anunciado que um comitê composto por chefes-adjuntos do Banco Central deverá viajar ao BCE em outubro. A iniciativa representa um avanço nas negociações, que poderá ser anunciado ainda em setembro, após o encerramento da fase inicial de pré-investigação.
