CARNAVAL
Após incertezas, Palco do Rock retorna com público fiel
Festival começou na noite deste sábado, 14, e se estende até a próxima terça-feira

Uma multidão vestida de preto, o som estridente das guitarras e uma vibração única vinda de um público que vive de rock n’ roll. Pode não parecer, mas essa é a descrição de uma das mais tradicionais atrações do Carnaval de Salvador. Criado em 1994, o Palco do Rock (PDR) cultiva uma base sólida de foliões que, ano após ano, colam no Coqueiral da Praia de Piatã para curtir uma folia alternativa.
A edição de 2026 do evento começou na noite deste sábado, 14, e contou com shows de Honoris Rock, Carnage, Orelha Seca, Marcio Mello, Dead Fish, Escarnium, Malefactor e Defeito de Fabricação. Após a demora para a divulgação da line-up do evento, um clima de incerteza se espalhou entre os fãs do PDR.
Apesar disso, os baianos marcaram presença em peso no festival e mostraram que, no Carnaval, também tem espaço para o underground. "O PDR tem uma importância surreal. A gente que está na cena há tantos anos entende o quão difícil é estar num palco com uma estrutura dessas, com um público desse", disse Milly Barreto, produtora executiva do evento, em entrevista ao MASSA!.
Resistência, diversidade e renovação
Assim como o próprio Carnaval, o Palco do Rock se destaca por sua diversidade. Bandas novas e antigas se unem em prol de uma só causa: gerar uma noite inesquecível para o público. "O Palco, além de música, é resistência, um espaço democrático, que agrega bandas novas. Acredito que essa proposta, o que está chegando, agrega no festival, faz com que a galera se renove e se mantenha essa tradição durante tantos anos", apontou Milly.
O evento também se consagra como uma prova viva de que o gênero ainda mantém sua força. "Não tem como a gente falar que o rock está morto, ele continua vivo e continua se reinventando o tempo inteiro", pontuou Milly.
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Público fiel e novas gerações
O grande diferencial do evento é ser uma alternativa diferente para quem deseja curtir o Carnaval. O público vibra ao escutar músicas que não iriam encontrar em outros circuitos da folia. "Aconselho a todos a virem curtir aqui, é uma atração diferente do axé, uma galera mais radical, eu curto", explicou a professora Denise Conceição, 44.
Vinda do bairro de Plataforma, no Subúrbio de Salvador, a baiana não deixa de curtir uma edição desde a criação do evento. Ela ressalta que mesmo quem curte outros gêneros pode aproveitar o PDR. "Às vezes a pessoa curte um sambinha, mas curte um rock também, como é o meu caso. Então eu aconselho a virem para cá", disse.
Acompanhada do jovem Leonardo, seu filho de apenas 13 anos, Denise defende que não existe idade para curtir rock. O evento serve como uma ponte que une duas gerações distintas. "Não tem idade, pelo contrário, a pessoa que é mais velha se encontra aqui e os mais novos também", acrescentou.

Juventude no palco e sonho realizado
Esse intercâmbio entre grupos de diferentes idades também se faz presente nas atrações do evento. A banda Carnage, que foi a segunda a subir ao palco no primeiro dia do evento, é composta por jovens ainda na adolescência.
"Eu tô num êxtase, acabei de subir num palco gigante, tocar, vi gente curtindo. Isso é uma coisa muito doida para uma banda underground e adolescente na Bahia", disse, emocionado, Antônio Sousa, guitarrista e vocalista da Carnage.
A Carnage foi uma das finalistas da Oficina Bandas Novas, que selecionou alguns grupos mais jovens para participar da grade do evento. Com apenas 13 anos, Antônio realizou seu sonho de subir em um grande palco e ser ovacionado pelo público. "A gente nunca espera, mas sempre sonha. Desde o primeiro ensaio a gente tem aquele sonho de subir em um palco grande, de ter a oportunidade de tocar em um evento gigantesco e esse evento é o Palco do Rock", afirmou.
Tendo como inspiração a Dead Fish e Malefactor, duas bandas que também participam do Palco do Rock em 2026, Antônio relata que a emoção quase não coube em seu peito. "São bandas que eu curtia antes mesmo de tocar, de estar no backstage, no camarim e tudo mais. É uma sensação incrível".

Programação segue até terça-feira
A programação do Palco do Rock continua nesta terça-feira, 15, com apresentações de Cobra de Coleira, Cartilha de Ódio, Jorge King, Thathi, Eskröta, Auro Control, Desiranted, Alkymenia e Lote 7.
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