CARNAVAL MAIS SILENCIOSO?
Santo Antônio encerra Carnaval com menos queixas de moradores
Moradores relatam mais organização e respeito aos horários no último dia da folia no bairro
Nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, o Santo Antônio Além do Carmo encerra a programação do Carnaval 2026 com uma percepção diferente em relação a anos anteriores marcados por reclamações sobre barulho e desorganização.
Com 15 blocos tradicionais desfilando entre os dias 5 e 13, o bairro do Centro Histórico mantém o modelo sem cordas, sem abadás e sem grandes estruturas, e, segundo moradores ouvidos pelo Portal A TARDE em entrevistas exclusivas, com mais respeito às regras.
Programação e regras mantidas
A programação de hoje inclui o Bloco Rivo-Trio, com saída às 19h do Largo do Quitandinha e chegada às 23h no Largo de Santo Antônio Além do Carmo, passando pela Rua dos Adôbes, Rua dos Marchantes, Cruz do Pascoal e Rua Direita do Santo Antônio. Também às 19h, o Bloco Rodante parte da Praça dos 15 Mistérios e percorre as ruas do entorno até retornar ao ponto de origem.
Conhecido pela proximidade entre músicos, foliões e moradores, o Carnaval do bairro segue normas definidas pela Associação de Blocos do Santo Antônio (Absanto), em acordo com o Ministério Público e a Prefeitura de Salvador. Os blocos não mudam de um ano para outro, não surgem novos desfiles de forma aleatória e cada agremiação tem percurso e horário historicamente definidos.
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Moradores percebem mais organização
Moradora há 18 anos, Cláudia Menezes, 52, acompanhou as transformações da festa ao longo do tempo. “Moro aqui há 18 anos e já vi muita coisa mudar. Hoje eu diria que o Carnaval do Santo Antônio está mais organizado, mas sem perder a essência. Continua sendo um Carnaval de rua, próximo das pessoas, com essa coisa mais afetiva.”
Nos anos anteriores, o excesso de som e o desrespeito aos horários eram alvos frequentes de críticas. Neste ano, ela percebeu mudança. “Sim, principalmente em relação ao horário. Antes os blocos às vezes passavam do limite, o som ficava até muito tarde. Este ano eu senti mais compromisso.”
Para Cláudia, o acordo institucional trouxe reflexos práticos. “Trouxe, sim. Parece que agora existe uma fiscalização maior e também uma consciência maior dos próprios blocos.”
A convivência, segundo ela, também melhorou. “Mais tranquila. Claro que tem barulho, é Carnaval, mas percebo mais respeito. Os foliões estão curtindo sem aquela sensação de desordem.”
Ao avaliar o saldo da festa, moradora considera saldo positivo: “Eu diria que trouxe mais benefícios. O bairro fica movimentado, os bares e restaurantes ganham, e a gente consegue conviver melhor do que em anos anteriores.”
Atmosfera cultural e acordo formal
Rafael Santana Lima, 34, mora no bairro há sete anos e afirma ter escolhido o Santo Antônio pela atmosfera cultural. “Moro há sete anos e escolhi o bairro justamente por essa atmosfera cultural. O Carnaval aqui é diferente, é mais comunitário, menos comercial.”
Sobre as reclamações recorrentes em anos passados, ele também percebe avanços. “Percebi, sim. Acho que houve um esforço maior para cumprir o que foi combinado. Não vi atrasos grandes nem prolongamentos excessivos.”
Rafael acredita que o acordo formal fez diferença. “Acredito que sim. Quando existe um acordo formal, todo mundo entende que precisa cumprir. Isso dá mais segurança para quem mora aqui.”
A relação entre quem mora e quem vem curtir, segundo ele, está equilibrada. “Está equilibrada. O pessoal vem pra curtir, mas sem invadir tanto o espaço de quem vive aqui o ano inteiro.”
Para ele, o resultado é positivo. “Mais benefícios. Ainda existem desafios, mas hoje eu sinto que o bairro consegue manter sua identidade e, ao mesmo tempo, aproveitar a festa.”
Movimento mais fraco em 2026
Com 38 anos de moradia no bairro, Solange de Almeida traz uma visão diferente sobre o movimento deste ano. “Eu moro aqui há 38 anos. O carnaval aqui sempre foi melhor, mas esse ano foi muito fraco. Não parece que teve carnaval aqui no bairro. Pouco movimento”.
Apesar da percepção de festa menos intensa, ela reconhece que as regras foram respeitadas. “Respeitaram sim, foram todos os horários foram respeitados. Lavaram a rua, foi tudo beleza, tudo tranquilo.”
Sobre a convivência, avalia positivamente. “Tá tudo bem. Agora assim, porque aqui na minha rua não tem quase movimento nenhum. O movimento é todo lá na rua direita. Aqui está bem tranquilo, nem parece que está tendo Carnaval. Ontem mesmo nem parecia que tinha, hoje ainda vai ter um pouco de movimento aqui com os trios”.
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