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FESTIVAL DE BRASÍLIA

Filme baiano revisita o cangaço e subverte papéis de gênero

Filme estreou na mostra competitiva do 58º Festival de Brasília

Rafael Carvalho*
Por Rafael Carvalho*
Cena de 'Couraça'
Cena de 'Couraça' - Foto: Divulgação

Depois do longa baiano ‘Xingu à Margem’, foi a vez do curta-metragem ‘Couraça’ estrear na mostra competitiva do 58º Festival de Brasília. Dirigido pela dupla Susan Kalik e Daniel Arcades, o filme acompanha as tensões entre cangaceiros do bando de Lampião depois da emboscada que matou o líder. Os que sobreviveram, precisam decidir sobre seu futuro.

“Produzir um curta histórico é caro, e os orçamentos para curtas têm sido cada vez mais limitados. Acredito que o esforço valeu porque nossa intenção era mostrar que qualquer narrativa pode ser contada em qualquer tempo. Couraça precisava se passar em 1938, mas, ao mesmo tempo, faz sentido em 2025”, afirmou Kalik.

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Isso porque o filme subverte o tema ao propor uma reconfiguração dos papéis sociais. “O curta atravessa esse lugar de repensar os papéis de gênero a partir da lógica da masculinidade aplicada aos sujeitos do cangaço. Temos uma personagem feminina muito decidida que escolhe seu próprio destino”, pontuou o diretor.

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“E, em paralelo, dois personagens homens LGBTQIAPN+ vivem em constante negociação: ao mesmo tempo em que não assumem publicamente a relação afetiva, também não conseguem negar essa presença”, complementou Arcades que também roteiriza e atua no filme.

Apesar de se passar em um contexto muito arisco do sertão profundo e de personificar figuras que encaram a vida com dureza e destemor, o curta parte de um tema mais amplo (o próprio banditismo enquanto reconfiguração social) para chegar em algo mais íntimo e pessoal.

Para Arcades, é difícil dizer se veio primeiro a vontade de falar sobre o cangaço ou sobre amor. “Eu diria que o Couraça nasce do desejo de contar uma história sobre como escolher ser amado, sobre como negociar o direito de amar com o mundo. Essa ideia me acompanha há pelo menos dez anos”, confidenciou.

Sem nunca ser condescendente com esses personagens, o filme retrata o fim iminente dos dias gloriosos do cangaço. E, nesse ocaso, eles precisam escolher e forjar novos caminhos no mundo, mesmo que seja necessário romper com antigos padrões e sacrificar seus amores.

*O jornalista viajou a Brasília a convite do Festival.

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