CINEMA NACIONAL
Filme leva herói dos quadrinhos de Laerte aos cinemas com sátira
Em entrevista exclusiva ao Cineinsite A TARDE, elenco e equipe falam sobre a nova aposta do cinema


O cinema brasileiro ganha um super-herói que está longe de corresponder à imagem tradicional de um salvador da sociedade.
Baseado nos quadrinhos da cartunista Laerte Coutinho, o filme Overman chega aos cinemas de todo o Brasil em nesta quinta-feira, 22 de outubro, misturando comédia, crítica social e uma boa dose de autodepreciação para discutir temas como masculinidade tóxica, corrupção, insegurança e crise existencial.
Em entrevista exclusiva ao Cineinsite A TARDE, o diretor Tomás Portella, a produtora Iafa Britz e os atores Caco Ciocler, Karina Ramil, Victor Lamoglia e Maria Lucas falaram sobre os desafios de levar o personagem para as telonas e construir uma história que utiliza o humor para questionar comportamentos presentes na sociedade brasileira.
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Criado por Laerte em 1998 e popularizado pelas tirinhas publicadas na Folha de S.Paulo, Overman é um herói de poderes extraordinários que enfrenta problemas bastante comuns: está desempregado, endividado, vive entre excessos e atravessa uma profunda crise existencial.
Interpretado por Caco Ciocler, o personagem recebe uma proposta do Governador, vivido por Otavio Muller, para trabalhar na Secretaria de Segurança Pública. A oportunidade parece ser a chance de recuperar o prestígio e encontrar um propósito para a própria vida.
No entanto, o novo emprego traz um desafio inesperado. Ao lado de Pâmela, a Mulher Cachorro, interpretada por Karina Ramil, Overman precisa lidar com uma parceira que demonstra ser mais competente, preparada e admirada do que ele. A perda do protagonismo coloca em evidência suas inseguranças e sua dificuldade de aceitar que outra pessoa possa ocupar o centro das atenções.
Para Portella, transformar o universo das tirinhas em um longa-metragem foi uma oportunidade de explorar as contradições do personagem sem perder a essência da obra original.
Trazer o universo da Laerte para o cinema é um privilégio. Estamos inaugurando esse caminho com Overman, mas acho que ela tem potencial para render muitos filmes e muitas outras coisas. Tomás Portella - Diretor
Overman transforma as contradições de um herói em comédia
Um dos principais desafios da adaptação foi construir uma narrativa que funcionasse como um filme, mantendo a liberdade criativa e o humor característicos dos quadrinhos. Segundo Portella, as tirinhas permitem que a autora transite entre diferentes situações sem necessariamente precisar estabelecer uma continuidade entre elas.
É um grande desafio, porque o Overman é um personagem complexo, contraditório, errado. É um personagem feito para ser amado justamente pelas características de que ele menos gosta em si mesmo. Tomás Portella - Diretor
“Essas contradições são muito estimulantes para fazer um filme. Acho que a parte mais difícil é conseguir trazer uma coerência para essa história, porque as tirinhas não precisam necessariamente ter coerência. A Laerte vai de uma história para outra, volta, brinca com as situações. Então, fazer com que esse personagem, mesmo sendo todo errado, seja admirado pelo público é o grande desafio”, acrescenta.
A complexidade do protagonista também foi um dos pontos que mais chamaram a atenção de Caco Ciocler durante a preparação para o papel. Para o ator, o humor de Laerte exige uma relação de descoberta com o material, já que nem sempre as situações apresentadas nas tirinhas oferecem uma interpretação imediata.
Esse humor não é fácil de decifrar. O Tomás até lembrou que existe uma comunidade chamada ‘Não Entendi, Laerte’, porque não é algo simples de compreender. E isso é genial na obra dela. Eu voltava às tirinhas inúmeras vezes para tentar entender do que estava rindo, por que estava emocionado, por que estava fascinado. E a resposta não era simples. Caco Ciocler - Ator
O ator também destaca que o equilíbrio entre a dimensão dramática do personagem e a proposta cômica do filme exigiu atenção durante todo o processo.
“Da minha parte, posso dizer que encontrar esse equilíbrio entre o humor, a crítica, a autocrítica e as questões que existem dentro desse personagem foi um dos maiores desafios. São coisas muito profundas para mim, principalmente quando penso nesse cara existencialista, que vive uma crise existencial”, afirma.
Ciocler afirma que interpretar o personagem de maneira excessivamente séria poderia comprometer a proposta da produção. “Se eu levasse o personagem muito a sério, às vezes o filme acabaria se tornando um drama. Ao mesmo tempo, eu sabia que existia um compromisso com o humor, com esse tipo de humor que não é fácil de decifrar. Foi um tour de force.”

O processo de construção da narrativa também envolveu questionamentos constantes sobre as escolhas feitas durante as gravações.
“A lembrança que tenho é que, todos os dias, a gente levava o próprio filme para o divã. Terminávamos o set e começávamos a nos perguntar: ‘Gente, será que estamos indo pelo caminho certo? Será que isso vai dar certo? E se tentássemos tal coisa ou mudássemos outra?’. Acho que foi isso: levamos esse filme para o divã durante todo o processo”, relembra o ator.
Masculinidade tóxica está no centro da história
Embora seja uma comédia de super-herói, Overman utiliza as fragilidades do protagonista para questionar comportamentos masculinos e expor contradições que ultrapassam a ficção.
A crise de autoestima do personagem, a necessidade de demonstrar uma segurança que não possui e a dificuldade de reconhecer as próprias limitações estão entre os elementos que sustentam a sátira. Portella explica que o protagonista funciona como uma ampliação de conflitos presentes na realidade de muitos homens brasileiros.
No fundo, é isso: o Overman é um ‘over’ dos conflitos que vivem muitos homens no Brasil. Ele representa desde a insegurança e a necessidade de demonstrar uma segurança que não existe até a convicção de falar sobre coisas que não entende. Tomás Portella - Diretor
O diretor ressalta que o personagem foi construído para provocar uma reflexão sobre a masculinidade contemporânea, sem transformar seus comportamentos em exemplos a serem seguidos.
“Ele tem um conjunto de características que são, ao mesmo tempo, uma brincadeira e uma crítica muito grande à masculinidade dos nossos tempos. E acho que é isso que o Caco estava falando: se você tratar tudo isso de maneira muito séria, corre o risco de convencer alguém de que o personagem está certo. E aí é um desastre, porque a mensagem principal que as pessoas precisam entender é que ele está errado. Caso contrário, estaríamos prestando um desserviço”, completa.
A produtora Iafa Britz também teve participação importante na construção desse olhar crítico. Ao comentar o processo de desenvolvimento do roteiro, ela destacou a satisfação de trabalhar com uma equipe disposta a reconhecer os próprios conflitos e utilizá-los como matéria-prima para a história. “Foi muito satisfatório poder olhar para eles e dizer: ‘Vocês têm lugar de fala’. Foi muito satisfatório”, afirma.
Portella recorda que a observação da produtora o ajudou a superar um momento de insegurança durante a revisão do roteiro. “Teve um momento, durante a última revisão do roteiro, em que eu travei e pensei: ‘Cara, mas para onde a gente vai? Como é que eu vou fazer isso?’. Aí, a Iafa me ligou e disse: ‘Tomás, para com isso. Você tem lugar de fala, você é um boy branco, entendeu? Tem todos esses conflitos dentro de você. Vai lá e escreve!’.”
Segundo o diretor, a conversa permitiu que ele encarasse o projeto com mais liberdade e entendesse que a crítica precisava partir também do reconhecimento das próprias contradições. “Somos boys que tentam se desconstruir, mas ainda carregamos tudo de mais feio que existe nessa nossa educação. Então, como expor isso? Como colocar o nosso subconsciente em jogo? A Iafa ajudou muito a gente nesse sentido”, diz.
A elaboração do roteiro ficou a cargo de Portella, Arnaldo Branco e Leandro Soares. A proposta, segundo o diretor, era transformar comportamentos e conflitos reconhecíveis em uma sátira que não perdesse a dimensão humana do protagonista.
Personagem nasceu de uma relação complexa com a masculinidade
A interpretação de Overman também exigiu atenção à trajetória artística de Laerte, cuja relação com o personagem ultrapassa a criação de um super-herói convencional. Para Ciocler, compreender essa dimensão foi importante para construir o protagonista sem reduzi-lo a uma figura simplesmente ridícula.
É algo que também temos feito questão de repetir: não podemos esquecer que esse personagem foi escrito pela Laerte, que passou por um processo de transformação. Então, não é por acaso que ela quis entrar em contato com esse masculino, olhar para ele, tirar sarro dele e também sentir piedade dele. Caio Ciocler - Ator
O ator destaca a complexidade da relação entre a cartunista e a figura masculina que desenvolveu nos quadrinhos. “Existe uma relação muito complexa da Laerte com esse cara, com esse masculino que ela colocou para fora e com o qual passou a dialogar. Isso sempre esteve muito presente no nosso processo.”
Portella acrescenta que a própria trajetória do personagem nas tirinhas ajudou a equipe a compreender as possibilidades de interpretação da obra. Em determinadas histórias, Overman aparece usando roupas femininas, sem que isso represente uma transformação definitiva de sua identidade.
“Nas tirinhas, existe toda uma parte em que o Overman vira cross-dresser e começa a se vestir de mulher. Mas não é que ele passe por uma transformação definitiva ou se torne trans. Ele usa roupas femininas, mas continua sendo o Overman”, explica.

O diretor relaciona esses elementos à dimensão psicológica da criação da personagem e conta que a equipe chegou a desenvolver uma análise do protagonista durante a preparação do roteiro. “Ali, você consegue perceber a gênese desse processo psicanalítico da autora, que não envolve apenas a nossa experiência, mas acho que acaba misturando o processo de todo mundo.
"Inclusive, a nossa produtora estava estudando psicanálise, embora ainda não tivesse se formado, e sentamos juntos para construir um perfil psicanalítico do Overman enquanto trabalhávamos no roteiro”, completa.
Ele conta que a contribuição de Britz foi importante para aprofundar a abordagem do personagem. “Ela analisou o personagem e, em determinado momento, disse que a abordagem precisava ser psiquiátrica, porque a psicanálise era para compreender tudo o que ele era. Essa ajuda foi muito importante para o processo.”
A produtora relembra a experiência com bom humor. “Foi muito legal isso. Olha como o Tomás é inteligente! Ele me seduziu totalmente. Ele sabia exatamente o que estava fazendo e, aí, falou: ‘Pronto, é aí’. Foi muito divertido mesmo.”
Pâmela e as personagens femininas desafiam o protagonista
Se Overman precisa lidar com a própria insegurança, a presença de Pâmela, a Mulher Cachorro, torna esse conflito ainda mais evidente. Interpretada por Karina Ramil, a heroína conquista espaço por sua competência e passa a dividir o protagonismo com o personagem principal, sem se submeter às expectativas dele.
Para Ramil, a força das personagens criadas por Laerte está justamente na capacidade de representar aspectos reconhecíveis da sociedade por meio do humor.
“Eu adoro os personagens que a Laerte criou. Acho os vilões hilários, além dos personagens bonzinhos. Se a gente olhar para o Maníaco Flatulento, o Capitalista Imundo e a Bunny, por exemplo, percebe como eles falam muito sobre a realidade. A Laerte é muito sagaz nisso. Os quadrinhos têm muito essa característica: você precisa fazer um recorte de alguma coisa e transmitir uma ideia rapidamente”, comenta.
A atriz também chama a atenção para a autonomia das mulheres que aparecem no longa.
As personagens femininas também são muito interessantes, tanto a minha quanto a da Maria. São personagens engraçadas, batalhadoras, que querem fazer e acontecer e não se curvam ao Overman. Acho que temos muitos personagens interessantes nesse filme. A Laerte criou tantos que daria para fazer vários filmes! Karina Ramil - Atriz
Maria Lucas, que interpreta Poline, destaca que as personagens possuem características humanas e não se limitam à divisão entre figuras boas e más.
“Dentro disso, também tem o fato de as personagens serem humanas. A Poline, por exemplo, é muito legal e tem umas tiradas ótimas. Quando ela pergunta ao governador: ‘Vem cá, mas é mais um daqueles trabalhos que ele vai receber sem precisar trabalhar?’, existe ali um humor muito brasileiro. Não é uma história sobre bonzinhos e mauzinhos, sabe?”, afirma.
Para Ramil, a presença dessas mulheres permite discutir a forma como a sociedade organiza as relações entre os gêneros e como a voz feminina é recebida em diferentes espaços.
“Estávamos falando muito sobre a importância e o interesse das personagens femininas nesse filme, além da maneira como elas representam essas figuras na sociedade. A história brinca com essas questões dentro do universo pop, mas também nos permite falar sobre a falta de escuta do mundo masculino em relação às mulheres, o pouco espaço que temos em muitos momentos e a variedade de quem somos”, explica.
Nós, mulheres, somos plurais e temos percursos individuais. Podemos existir nesse mesmo mundo e nos respeitar. A gente se divertia muito fazendo o filme e falando sobre temas tão profundos. Karina Ramil - Atriz
A atriz avalia que a comédia permite abordar assuntos delicados sem abandonar a leveza da narrativa. “A comédia é um prato cheio para nos alimentarmos de conhecimento. É rir e refletir, tocar em assuntos sem precisar ser panfletário ou seguir uma abordagem específica. É poder mexer em feridas de uma maneira leve, enquanto a gente também se diverte”, afirma.
Victor Lamoglia, que interpreta Ésquilo, também vê no humor uma ferramenta para aproximar os personagens da realidade. Para ele, a identificação com as situações cotidianas é uma das características mais interessantes do universo de Laerte.
“O que mais me chama a atenção é a relação deles com a nossa realidade. Acho que o Ésquilo tem esse pezinho na realidade, aquela coisa de você olhar e pensar: ‘Tá bom, conheço alguém assim’. Mas, no geral, os personagens são muito especiais, cada um com suas peculiaridades. Para mim, esse vínculo com a realidade é como se a gente colocasse uma lupa de aumento sobre ela”, afirma.
O ator acrescenta que a familiaridade com o humor também influenciou a maneira como a equipe se aproximou do projeto. “A gente vem do humor, além de consumir muito humor. Falo por mim: sou extremamente viciado em fazer graça o tempo todo. Então, aquilo faz parte do nosso cotidiano, do nosso dia a dia. É usar o humor como ferramenta.”
Adaptação exigiu dedicação e uma ‘brincadeira séria’
Apesar do tom fantasioso e da proposta de comédia, a produção de Overman exigiu uma estrutura complexa para transportar os poderes do protagonista e as situações dos quadrinhos para as telas. Maria Lucas descreve a experiência como um trabalho que combinou liberdade criativa, preparação física e colaboração entre os profissionais envolvidos.
“É muito prazeroso. Acho que temos a sorte de contar com um elenco muito parceiro, principalmente as pessoas com quem trabalhei mais de perto. A troca com o Caco, por exemplo, foi realmente muito gostosa. E a direção do Tomás é muito assertiva e generosa. Ele sabia muito bem quem era a Poline e o que queria de mim, assim como o que a Poline tinha de mim”, conta.

A atriz lembra que a construção visual de sua personagem também exigia esforço durante as gravações. “Mais do que isso, é importante pensar que estamos fazendo um trabalho muito engraçado e fantasioso, mas que também exige muito trabalho. Lembro que chegava ao set como Poline, de salto alto, com mil cabelos e unhas grandes. Era sempre muito cansativo.”
As cenas que envolviam os poderes dos personagens também demandaram planejamento e diferentes recursos técnicos. Uma sequência de voo, por exemplo, levou dias para ser concluída.
A gente pode fazer uma coisa leve, satírica e engraçada, mas com muita seriedade e dedicação. E isso não envolve apenas os atores, as atrizes e a direção, mas toda a equipe e a estrutura necessária para realizar o filme. Às vezes, precisávamos de toda uma maquinaria para gravar uma cena de apenas dois segundos. Maria Lucas - Atriz
“Lembro que a cena em que o Overman voa com a Poline levou três dias para ser gravada. Fizemos em estúdio, com várias câmeras, depois em outro lugar, com dublê, e também com a gente sendo içado por um equipamento. Teve até o Caco me segurando pela cintura, enquanto eu, que morro de medo de altura, estava lá. No fim, é muito gostoso. É uma grande brincadeira séria, sabe?”

Lamoglia afirma que a associação do projeto ao nome de Laerte também despertou uma expectativa especial desde o convite para participar do filme.
Acho que não vou falar só por mim, mas, quando você é convidado para um projeto desses e vê o selo da Laerte, pensa: ‘Tá, estou envolvido com alguma coisa muito legal’. Então, você já chega muito aberto, predisposto a se envolver emocionalmente com aquilo de diversas formas. Victor Lamoglia - Ator
Filme busca provocar reflexão depois dos créditos
Para a equipe, a proposta de Overman não termina nas risadas provocadas pelas situações absurdas do protagonista. A intenção é que o público reconheça comportamentos presentes na sociedade e continue refletindo sobre eles depois da sessão.
Portella espera que a história estimule uma postura mais crítica diante das próprias atitudes e das relações humanas. “Um pouco de autocrítica e humanidade seria bom. E também acreditar que toda pessoa, todo homem, todo ser humano merece ter direito aos direitos básicos”, afirma.
Ciocler, por sua vez, deseja que a experiência do filme se aproxime daquela que teve ao entrar em contato com os quadrinhos de Laerte: uma descoberta que continua produzindo sentidos com o passar do tempo.
“Espero que o público tenha uma relação com o filme parecida com a que eu tenho com as tirinhas: que entre em contato com aquela história e, depois de sair do cinema, pense: ‘Gente, eu queria revisitar esse lugar’”, diz.
Mesmo que seja apenas pela memória do que o filme foi, gostaria que as peças começassem a se encaixar e que as fichas fossem caindo aos poucos. Queria que o filme não terminasse nos créditos, nem mesmo nos pós-créditos, mas que as pessoas continuassem habitadas por ele e que novas fichas fossem caindo ao longo da semana. Fichas e perguntas novas. Caco Ciocler - Ator
Karina Ramil também espera que o longa incentive o público a questionar costumes e comportamentos que muitas vezes passam despercebidos. “Espero que reflitam sobre nossos costumes e sobre as coisas das quais não queremos falar, mas que continuam ali, mesmo quando tentamos ignorá-las”, afirma.
A atriz explica que a linguagem dos super-heróis pode ajudar a observar essas questões de outra maneira. “O filme nos faz pensar sobre os arquétipos presentes na sociedade, que muitas vezes consideramos normais. Às vezes, por meio de uma risada, de uma imagem pop, de um super-herói, de uma super-heroína ou até de influenciadores por quem o herói se apaixona, conseguimos olhar para essas figuras de outra maneira.”
A própria Maria Lucas resume a importância de adaptar uma obra brasileira para o cinema e apresentá-la a diferentes gerações. Para a atriz, a produção recupera um material cultural que marcou uma época e o coloca em contato com um público que talvez não conheça as tirinhas originais.
“Acho que a gente tem a oportunidade de mergulhar em um feito cultural nosso, que são as tirinhas da Laerte publicadas em um jornal nos anos 1990. Podemos revisitar esse material e apresentá-lo a pessoas que não tiveram contato com ele ou não acompanharam essa época”, afirma.
“Nós mesmas éramos crianças. Só fui ter acesso aos jornais já na adolescência, durante a faculdade. Então, é muito interessante poder revisitar esse universo por meio de outra plataforma, que é o cinema”, completa.
A atriz também espera que a produção abra espaço para novas adaptações de personagens nacionais.
Espero não só que tenhamos outros Overmans, mas também muito mais conteúdo feito a partir do humor. E de um humor nosso, brasileiro, com personagens construídos aqui por uma artista nossa, uma pessoa trans. Sinto um orgulho muito grande de poder ter um herói quebrado, nacional, além de heroínas, vilões e tantas outras figuras que fazem parte dessa mistura. Maria Lucas - Atriz
Elenco convida o público de Salvador para os cinemas
Embora a história seja baseada em tirinhas publicadas em um jornal paulista e tenha sido filmada no Rio de Janeiro, Maria Lucas acredita que a sátira tem potencial para dialogar com espectadores de diferentes regiões do país.
“Estamos fazendo um filme construído a partir das tirinhas publicadas na Folha de S.Paulo e gravado no Rio de Janeiro. A cidade onde se passa Overman, na verdade, não é especificada, mas temos muitos dos nossos sotaques cariocas ali. Ainda assim, a ideia é que possamos representar o Brasil de certa forma, nesse lugar do humor e da sátira”, explica.
A atriz aproveitou a entrevista para convocar o público baiano a prestigiar a produção nas primeiras semanas de exibição.
“Convoco vocês aí da Bahia a irem assistir ao filme nos cinemas nas primeiras semanas, porque isso é muito importante para o cinema brasileiro”, afirma. Ela também manifestou o desejo de trabalhar em produções realizadas no estado: “Também gostaria de ser convidada para fazer filmes na Bahia! Sou filha de paraibanos e amo o Norte e o Nordeste brasileiros. Me tirem daqui, do Sudeste!”
Ramil reforçou a data de estreia ao convidar o público a conferir o longa nas salas de cinema. “Dia 22 de outubro nos cinemas, gente!”, diz. Lamoglia também deixou um recado para os espectadores da capital baiana: “Um beijo, meus amigos de Salvador! A gente se vê no cinema!”
Ciocler encerrou os convites destacando o lugar do personagem na cultura nacional. “Pessoal de Salvador, o que seria do Brasil sem vocês? No dia 22, Overman estreia nas salas de cinema. Vocês não podem deixar de assistir a esse filme na telona! É um filme de super-herói, é o nosso super-herói. Não deixem de conferir Overman nos cinemas!”


