ENTREVISTA
Membro do Oscar, Carlinhos Brown crava: "Brasil tem grandes chances"
Artista conversou com o A TARDE sobre o processo de votação do Oscar e "Ainda Estou Aqui"
Por Edvaldo Sales

O mundo vai saber quem são os grandes vencedores do Oscar 2025 no próximo domingo, 2. A cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá em Los Angeles, nos Estados Unidos. O longa brasileiro ‘Ainda Estou Aqui’ está indicado em três categorias: Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz, para Fernanda Torres, e Melhor Filme.
Leia Também:
Porém, antes do dia oficial da premiação, aconteceram as votações nos longas indicados, que foram de 11 a 18 fevereiro. A Academia do Oscar tem quase 11 mil membros — destes, cerca de 95% votam no Oscar. A última contagem de integrantes somou 10.894, todos profissionais da indústria — atores, diretores, produtores, profissionais de figurino, direção de arte, entre outros. Desses, 60 são brasileiros, incluindo nomes como Fernanda Montenegro, Walter Salles, Carlinhos Brown, Sonia Braga, Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e Selton Mello.
Diferente da fase das indicações, nessa etapa todos os membros podem votar em todas as categorias. Na fase das indicações, cada membro vota na categoria de sua área: ou seja, diretores votam na categoria de direção, por exemplo. Para escolher os vencedores, todos os membros podem votar em todas as categorias.
No geral, os membros não precisam assistir a todos os filmes nem votar em todas as categorias. Eles são encorajados a assistir o máximo de filmes que puderem e votar apenas nos filmes que assistiram. Além disso, eles também não precisam votar em todas as categorias e podem escolher se abster.
Ao Portal A TARDE, Carlinhos Brown disse que o primeiro critério que ele leva em consideração no momento da votação é o da emoção. “Isso eu acredito que valha para todas as categorias, seja a de música, atuação, figurino, luz, fotografia. Espontaneamente, um filme bom traz isso, ele emociona e faz você perceber estar diante de uma grande obra”, pontuou.
Todos os membros ativos da Academia podem votar em todas as 23 categorias da premiação. Em 22 delas, ganha quem consegue o maior número de votos — com exceção da categoria principal da noite, melhor filme, que utiliza um sistema diferente para definir o vencedor.
Os votantes precisam elencar os 10 longos indicados em ordem de preferência, do melhor ao pior, e vence aquele que ficar em primeiro lugar em ao menos 50% das listas. Se nenhum filme alcançar esse percentual, a estatueta vai para o mais bem posicionado na mídia dos rankings.
Os votos neste ano serão enviados on-line e a purificação ficarão sob responsabilidade da PricewaterhouseCoopers, empresa de auditoria que fica com as maletas que levam os envelopes da premiação.
E ‘Ainda Estou Aqui’?

Neste ano, o Brasil é um dos grandes destaques da premiação, com três indicações para o filme ‘Ainda Estou Aqui’. Para Brown, as chances do longa são grandes. “Ao meu ver, tanto na categoria Filme Estrangeiro quanto a de Melhor Atriz, nós temos grandes chances. Torço para que a gente leve os dois”, torceu.
Para Ana Paula Souza, que vai compor o Júri da Competitiva Nacional do Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece em Salvador, no Cine Glauber Rocha e Sala Walter da Silveira, entre os dias 2 e 9 de abril, é sempre difícil imaginar o que vai acontecer.
“Vou ficar na torcida. De qualquer forma, estou contente pelo fato de que os membros da academia tem se expandido muito nos últimos anos e há um grupo mais diverso votando nos candidatos e uma apreciação cada vez maior pelo cinema internacional, que levou o Parasita a ganhar melhor filme alguns anos atrás, por exemplo”, disse.
Ela também avaliou o sucesso de ‘Ainda Estou Aqui’ e pontuou que o filme “está chegando num momento político muito turbulento e delicado no mundo todo. Uma história que ressalta as consequências da ditadura, e que mostra as possibilidades de resistência, pode ressoar muito nesse momento em que há uma ressurgência de governos mais autoritários em vários continentes”.
Ana Paula completou: “Acho que o filme vai complementar o sucesso de outros grandes sucessos do cinema Brasileiro que continuam sendo grandes exemplos reconhecidos internacionalmente, tal como a Central do Brasil, por exemplo, mas que o momento em que estamos vivendo, pelos avanços na tecnologia e nas redes sociais, possibilita uma visibilidade maior”.
Mais brasileiros votando no Oscar?
Atualmente, o Oscar tem 60 votantes brasileiros dentro de um total de mais de 9.500. Brown disse acreditar que o número de brasileiros votantes não impacta. “Porque um filme não é visto somente pela sua origem, mas por todos os países para os quais ele chegou. Eu acredito muito que temos chance sim. Nós temos um país que abraça o cinema, temos o cinema como tradição, familiar ou não”, ressaltou.
“Desejo boa sorte a todos, é claro que não votei só em produções brasileiras, pois um jurado tem o papel de perceber os filmes como cidadão do mundo, a partir da qualidade da arte e o quanto ela te emociona. Mas estou na expectativa de gritar Oscar como a gente festeja um gol. Acho que esse Oscar é a nossa Copa do Mundo”, finalizou.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Cidadão Repórter
Contribua para o portal com vídeos, áudios e textos sobre o que está acontecendo em seu bairro
Siga nossas redes