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Minissérie da Netflix com 100% de aprovação para sua sexta (23/10)

Produção sueca revisita a criação de uma das maiores plataformas de música do mundo

Beatriz Santos
Por
Minissérie sueca tem seis episódios de aproximadamente 45 minutos
Minissérie sueca tem seis episódios de aproximadamente 45 minutos - Foto: Divulgação

A sexta-feira, 23, pode ser a oportunidade ideal para descobrir uma produção que passou despercebida por muita gente, mas merece espaço na lista de quem gosta de histórias complexas.

Entre os títulos disponíveis na Netflix, uma minissérie sueca de 2022 combina tecnologia, disputas empresariais e dilemas sobre o futuro da música em uma trama que vai além da história de sucesso de uma startup.

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Som na Faixa tem seis episódios de aproximadamente 45 minutos, o que permite concluir a maratona em menos de cinco horas e aproveitar o tempo livre durante o fim de semana.

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Embora tenha ficado fora do radar de parte do público desde o lançamento, a produção aborda a criação do Spotify e os conflitos que acompanharam a transformação do consumo musical.

Com uma narrativa que alterna diferentes pontos de vista, a minissérie também questiona quem realmente se beneficia das mudanças promovidas pelas plataformas digitais.

Minissérie revela os bastidores de um fenômeno mundial

Criada a partir da trajetória do empreendedor sueco Daniel Ek e de seu parceiro Martin Lorentzon, Som na Faixa apresenta os desafios envolvidos na criação do Spotify, em um período no qual a pirataria digital ameaçava o modelo tradicional da indústria fonográfica.

No início dos anos 2000, serviços como Napster, LimeWire e The Pirate Bay facilitavam o acesso gratuito a músicas, muitas vezes sem autorização de artistas e gravadoras.

Enquanto a indústria tentava combater a distribuição ilegal nos tribunais, uma nova geração de empreendedores procurava uma alternativa para oferecer música pela internet de maneira legal e acessível.

A minissérie acompanha a tentativa de Ek de transformar essa ideia em um negócio viável. Mesmo depois de ser rejeitado pelo Google por não ter diploma universitário, ele desenvolve uma empresa de publicidade digital e consegue recursos para investir em um novo modelo de consumo musical.

A criação do Spotify, no entanto, depende de muito mais do que uma boa ideia. A resistência das gravadoras, os interesses comerciais e os obstáculos tecnológicos mostram como foi difícil estabelecer uma plataforma capaz de competir com a pirataria e conquistar espaço no mercado.

Seis episódios mostram diferentes lados da criação do Spotify

Um dos diferenciais da produção é a escolha de apresentar a história a partir das perspectivas de diferentes personagens envolvidos no desenvolvimento da plataforma. Em vez de concentrar toda a narrativa em Daniel Ek, a minissérie dedica episódios a profissionais que tiveram papéis fundamentais na construção do negócio.

Entre eles está Per Sundin, executivo da Sony Music na Suécia, que precisa encontrar uma maneira de proteger a indústria tradicional sem ignorar as mudanças no comportamento dos consumidores.

Também aparecem Martin Lorentzon, responsável pelo investimento inicial, Andreas Ehn, programador que ajudou a desenvolver o serviço, e Petra Hansson, advogada fundamental para viabilizar os acordos com as gravadoras.

A estrutura permite acompanhar os interesses conflitantes por trás da criação de uma empresa que transformou a maneira como milhões de pessoas escutam música. Um dos episódios mais marcantes é dedicado a Petra, cuja atuação representa o esforço para conciliar a inovação tecnológica com as exigências legais e comerciais do setor.

A narrativa também brinca com a ideia de que a história oficial nem sempre corresponde ao que aconteceu. Logo no início, a produção apresenta uma quebra de expectativa que prepara o público para versões diferentes dos mesmos acontecimentos.

Produção questiona quem ganha dinheiro com o streaming

Apesar de acompanhar o nascimento de uma das empresas mais conhecidas da era digital, Som na Faixa não transforma a trajetória do Spotify em uma história de triunfo sem consequências. A série também explora as contradições de um modelo que oferece praticidade aos usuários, mas levanta dúvidas sobre a remuneração dos artistas.

Essa discussão ganha força no último episódio, protagonizado por Bobbi T, uma cantora fictícia interpretada por Janice Kawander. Amiga de infância de Ek, ela acredita inicialmente que a nova plataforma poderá ajudar sua carreira. Com o avanço do streaming, porém, percebe que o grande alcance de suas músicas não se traduz necessariamente em uma renda suficiente para viver do próprio trabalho.

A trajetória da personagem é uma escolha criativa que leva a narrativa para além dos fatos apresentados nos episódios anteriores. Por meio dela, a minissérie dramatiza um dos principais debates envolvendo os serviços de música digital: a distância entre o sucesso de uma plataforma e a remuneração de quem produz o conteúdo.

Ao incluir esse conflito, a produção evita apresentar a inovação tecnológica como uma solução perfeita. O Spotify mudou o mercado, mas a série lembra que as transformações também criam novos problemas e distribuem seus benefícios de maneira desigual.

Vale a pena?

Sim, especialmente para quem gosta de tramas complexas, histórias inspiradas em acontecimentos reais e produções que exploram os bastidores de grandes empresas. Som na Faixa combina empreendedorismo, disputas de poder, tecnologia e conflitos humanos para contar uma história que ajuda a entender como o consumo de música mudou nas últimas décadas.

A minissérie também se destaca por não se limitar à perspectiva de seus fundadores. Ao mostrar os interesses de executivos, programadores, advogados e artistas, constrói um retrato mais amplo das contradições envolvidas na criação do Spotify.

Para quem procura algo diferente dos suspenses e dramas mais populares do catálogo, a produção é uma boa descoberta para a sexta-feira, 23. São seis episódios de cerca de 45 minutos, com duração total inferior a cinco horas, suficientes para uma maratona durante o final de semana.

Veja o trailer!

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