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Minissérie da Netflix tem 7 episódios e faroeste para sábado (17/10)
Uma cidade sem quase nenhum homem se torna o alvo de uma gangue violenta em uma produção envolvente


Sábado é uma oportunidade para deixar a rotina de lado e mergulhar em uma história que realmente prenda a atenção. Para quem gosta de faroeste, conflitos intensos e personagens que precisam lutar pela própria sobrevivência, a Netflix tem uma produção que merece ser redescoberta.
Lançada em 2017, a minissérie Godless passou a dividir espaço com tantas novidades do streaming, mas continua sendo uma opção para quem procura uma trama envolvente.
Com sete episódios de duração variada, entre 41 minutos e 1h20, a história combina a violência do Velho Oeste com uma cidade incomum, onde as mulheres precisam assumir o controle diante de uma ameaça mortal.
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Qual é a história de Godless?
Ambientada no Novo México de 1884, a trama acompanha Roy Goode (Jack O'Connell), um fora-da-lei ferido que encontra abrigo no rancho de Alice Fletcher (Michelle Dockery). O homem está fugindo de Frank Griffin (Jeff Daniels), antigo parceiro que o considera parte de sua família e não aceita sua deserção.
Líder de uma gangue criminosa, Frank inicia uma busca implacável por Roy e ameaça destruir qualquer lugar que ofereça proteção ao fugitivo. A perseguição leva o grupo até La Belle, uma pequena cidade cuja população é formada majoritariamente por mulheres, crianças e idosos.
A situação tem uma explicação trágica: uma explosão na mina local matou praticamente todos os homens da comunidade, deixando as moradoras responsáveis por manter a cidade funcionando. É nesse cenário que Roy tenta reconstruir a própria vida, enquanto a aproximação de Frank transforma a tranquilidade aparente em uma ameaça constante.
Alice, por sua vez, enfrenta seus próprios desafios. Viúva e responsável pelo rancho, ela precisa cuidar da propriedade com a ajuda da sogra e do filho, ao mesmo tempo que lida com o preconceito e o isolamento social. A chegada de Roy estabelece uma relação importante para os dois, mas também coloca a família em perigo.
Faroeste ganha protagonistas femininas
Embora mantenha elementos clássicos do gênero, como perseguições, duelos e disputas entre criminosos, Godless se diferencia ao colocar as mulheres no centro da sobrevivência de La Belle.
Sem os maridos, as moradoras assumem funções que antes eram desempenhadas pelos homens e passam a enfrentar responsabilidades que vão muito além da rotina doméstica. Mesmo assim, a cidade é vista por quem vem de fora como um lugar vulnerável, incapaz de resistir a Frank Griffin e seus numerosos comparsas.
Entre as personagens de destaque está Alice Fletcher, que administra o próprio rancho e não se submete facilmente às expectativas da comunidade. Outra figura importante é Mary Agnes (Merritt Wever), viúva do antigo prefeito, que assume responsabilidades na organização da cidade e desafia os papéis tradicionais atribuídos às mulheres.
A produção também apresenta Callie Dunn (Tess Frazer), uma ex-prostituta que se torna professora. Juntas, essas personagens ajudam a ampliar a perspectiva do faroeste, mostrando mulheres que precisam tomar decisões difíceis em um ambiente marcado pela violência e pela ausência de proteção.
A série não abandona a disputa central entre Roy e Frank, mas usa a situação de La Belle para questionar a ideia de que o Velho Oeste pertence exclusivamente aos homens.
Elenco e direção são destaques da minissérie
Jeff Daniels constrói um antagonista ameaçador como Frank Griffin, um criminoso que mistura crueldade, fanatismo religioso e uma visão distorcida de lealdade. Sua obsessão por Roy transforma a perseguição em um perigo para todos que cruzam seu caminho.
Jack O'Connell também se destaca como Roy Goode, um homem que tenta escapar do passado e encontrar uma possibilidade de recomeço. Já Michelle Dockery interpreta Alice com uma combinação de firmeza e vulnerabilidade, enquanto Merritt Wever ganha espaço como Mary Agnes, uma das figuras mais marcantes da comunidade.
O elenco conta ainda com Scoot McNairy, no papel do xerife Bill McNue, e Thomas Brodie-Sangster, como seu assistente Whitey Winn. As histórias individuais se conectam gradualmente, dando profundidade aos moradores e às relações que se formam ao longo da narrativa.
Criada e escrita por Scott Frank, que também dirige a produção, Godless aposta em uma construção cuidadosa dos personagens. Mesmo com apenas sete episódios, a minissérie consegue desenvolver diferentes núcleos narrativos sem perder de vista o confronto que move a história.
Cenários e fotografia reforçam o clima do Velho Oeste
Outro destaque está na parte visual. As paisagens do Novo México, com desertos, formações rochosas, pradarias e montanhas, ajudam a construir um ambiente que vai além de servir como pano de fundo.
A fotografia também utiliza diferentes tonalidades para distinguir momentos da narrativa. Os amarelos e marrons predominam nas cenas do presente, enquanto as lembranças aparecem com cores reduzidas, aproximando algumas sequências do preto e branco.
Essas escolhas ajudam a diferenciar os períodos da história e a compreender melhor o passado dos personagens. A trilha sonora e as locações reforçam a atmosfera de isolamento, dureza e perigo que acompanha a trajetória de Roy e dos moradores de La Belle.
Com uma narrativa que combina drama, violência e relações humanas complexas, a minissérie constrói um faroeste que preserva a essência do gênero, mas amplia o espaço reservado às mulheres.
Vale a pena?
Sim, para quem gosta de tramas envolventes, com ação e suspense, Godless é uma excelente opção para assistir no sábado. A minissérie reúne perseguições, conflitos morais, personagens bem construídos e uma disputa que coloca uma comunidade inteira em risco.
A produção também se destaca por dar protagonismo às mulheres sem abandonar os elementos tradicionais do faroeste. As atuações, a fotografia e a construção gradual das histórias ajudam a manter o interesse ao longo dos sete episódios.
Como os capítulos têm durações variadas, a experiência pode exigir um pouco mais de tempo do que outras minisséries curtas. Ainda assim, para quem procura uma história com começo, desenvolvimento e conclusão, a produção de 2017 é uma escolha que merece ser redescoberta no catálogo da Netflix.


