LANÇAMENTO
Se Eu Fosse Você 3 muda fórmula após 20 anos e surpreende com nova história
Vinte anos após o primeiro filme, franquia retorna aos cinemas


Quase duas décadas depois da última troca de corpos entre Cláudio e Helena, a franquia Se Eu Fosse Você retorna aos cinemas nesta quinta-feira, 8, com uma mudança importante: desta vez, a famosa confusão familiar chega à nova geração.
Em Se Eu Fosse Você 3, Bia (Cléo Pires), filha do casal interpretado por Glória Pires e Tony Ramos, e o marido Aquiles (Rafael Infante) assumem o centro da história ao enfrentarem a experiência de literalmente ocupar o lugar um do outro.
Dirigido por Anita Barbosa, com roteiro de Leandro Soares e supervisão artística de Daniel Filho, responsável pelos longas anteriores, o terceiro capítulo reúne novamente Glória Pires e Tony Ramos, mas aposta em um enredo mais atual para movimentar a conhecida fórmula.
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Cláudio e Helena agora vivem outra fase da vida
Vinte anos depois do primeiro filme, Cláudio e Helena estão em uma fase diferente da vida. A filha cresceu, se casou e construiu a própria família. O casal, por sua vez, alcançou estabilidade profissional e financeira e parece finalmente viver um período tranquilo.
É justamente quando tudo parece estar no lugar que uma nova situação inesperada interfere na dinâmica familiar. Para Tony Ramos, retornar ao personagem significou mostrar ao público como a vida de Cláudio continuou depois dos acontecimentos dos primeiros filmes.
“Para mim, estou falando como Cláudio agora,[a maior mudança] foi mostrar a esse homem, passados quase 20 anos, o sucesso dele profissional. É um homem muito bem posto na vida, financeira e profissionalmente, que resolve, enfim, coroar esse momento da vida dele com a companheira, viajando, fazendo uma segunda lua de mel. E é uma maravilha”, afirmou em entrevista ao Cineinsite A TARDE.
A tranquilidade, no entanto, não dura muito e eles são surpreendidos. "É um reencontro da trajetória. E o que é bom no nosso roteiro é que não é a mera sequência causando efeito entre o casal. É, na verdade, uma vida continuando. Essa vida em continuação envolve a filha, nossa querida Cleo, o genro, Rafael, e a netinha, que é a menina Valentina”, explicou Tony.
Para o ator, o terceiro filme também responde a uma curiosidade que acompanhou a franquia durante anos: afinal, o que aconteceu com aquela família depois dos dois primeiros longas?
O filme vai mostrando esse cotidiano que o espectador perguntava: ‘E o 3, não vem? E como é que essa família está hoje? Como ela ficou?’ Até que chegou um belo roteiro, bem enxuto, e estamos aí. Vamos torcer para que o público curta e goste bastante. Tony Ramos - Ator
Glória Pires também destaca a relação construída entre os personagens e o público ao longo das últimas duas décadas.
É uma família que está no imaginário, no coração do público. Tanto que as pessoas pediam tanto essa continuação. Então, é um momento de muita celebração. Quantas vezes isso acontece? Quantos projetos têm a oportunidade de ter tantas continuações? E pertinentes, sem perder o fio da meada. Glória Pires - Atriz
Uma nova geração assume a troca de corpos
Se nos primeiros filmes Cláudio e Helena precisavam lidar com as consequências de acordar no corpo um do outro, agora a experiência chega à filha. Bia e Aquiles passam a enfrentar os mesmos dilemas, mas a partir de uma relação de outra geração.
Para Anita Barbosa, a decisão de preservar a estrutura conhecida foi fundamental para fazer o terceiro filme continuar pertencendo à franquia.
“Eu acho que rolou, porque a gente quis seguir a mesma métrica dos outros filmes. A gente não quis fugir disso, porque você vai ao cinema para assistir a ‘Se Eu Fosse Você 3’, não a outra coisa. Então, partimos do princípio de que vamos manter isso e contar a história da filha agora, para dar uma movimentada, né?”, explicou a diretora.

A mudança também permite recuperar uma característica dos primeiros longas: a existência de missões e problemas particulares para cada personagem.
“Nos dois outros filmes, no primeiro, por exemplo, que é a primeira vez que eles trocam, eles têm uma missão a cumprir. Cada um tem a sua missão, né? O Cláudio tem a campanha na agência, e ela tem a coisa do coral. E aí a gente quis trazer de volta essa ideia das missões deles, só que de uma outra forma, agora colocando a comédia toda em cima da relação deles e da relação deles com quem está em torno deles”, contou Anita.
Segundo ela, a dinâmica também aparece na construção de cenas em que os personagens não estão necessariamente juntos. “Tanto é que temos muitas cenas deles separados, cada um com o seu mundo, não só eles entre si.”
O resultado é uma história que mantém Cláudio e Helena como figuras fundamentais, mas permite que Bia e Aquiles tenham seus próprios conflitos e descubram, na prática, as dificuldades de ocupar o lugar do outro.
A fórmula continua atual quase 20 anos depois
Apesar da situação sobrenatural, a troca de corpos continua servindo como metáfora para problemas bastante cotidianos. A convivência entre casais, as diferenças de comportamento e a dificuldade de compreender a perspectiva do outro permanecem no centro da história.
Para Tony Ramos, justamente por isso a premissa continua encontrando identificação com o público.
“Porque eles estão fazendo essa mesma pergunta a cada 24 horas. Eu acho que a existência humana e, basicamente, os relacionamentos, o comportamento entre os casais, passarão eternamente por isso.”
O ator acredita que a passagem do tempo não elimina os questionamentos apresentados pela franquia.
E não nos iludamos. Não é porque estamos nos anos... no final dos anos 20 do século XXI que isso vai mudar. Eu tenho certeza de que os casais continuarão a se perguntar: qual é o seu respeito pelo meu lado e vice-versa? Tony Ramos - Ator
Para ele, a própria transformação da sociedade faz com que a discussão permaneça aberta. “Eu acho que novos comportamentos vão acontecer. É inexorável. A vida está em constante movimento. E acho que o filme se beneficia muito desse questionamento, dessas interrogações dos casais.”
Glória Pires resume essa ideia a partir de uma palavra que se tornou central para o terceiro filme: empatia.
E dessa empatia que precisa acontecer. A partir do momento em que um ocupa o lugar do outro, com as suas responsabilidades. Na hora em que a gente se aproxima da vida real do outro é que, de fato, muita coisa faz sentido. Então, numa convivência entre casais, acho também que isso é um questionamento que nunca vai passar, nunca vai deixar de existir. Glória Pires - Atriz
Três gerações dentro da mesma família
Outra novidade de Se Eu Fosse Você 3 está na maneira como o filme trabalha a relação entre pais e filhos adultos.
A família agora reúne diferentes gerações, permitindo que os conflitos não estejam restritos apenas à relação entre marido e mulher. “Nesse filme atual, a gente criou três gerações. Tem pai, mãe, filha, todo mundo ali, né?”, explicou Anita Barbosa.

A diretora também destacou uma situação envolvendo Bia e Helena que ajuda a estabelecer essa nova dinâmica familiar.
“Eu acho muito bom a Bia ficar passada porque a Helena não contou para ela. E ela pensa: ‘Tudo bem, eu tenho agora um problema maior para resolver’. Ela não briga com a mãe, não. Vai lá e conta para a própria filha, porque pensa: ‘Bom, eu, como sou uma mãe de uma geração melhor, resolvi te contar’. É uma coisa assim.”
A chegada de Bia ao centro da narrativa também representa uma passagem de bastão dentro da própria família. A personagem que antes era apenas filha agora é adulta, casada e mãe, enquanto precisa lidar com problemas semelhantes aos que seus pais enfrentaram no passado.
Para Cléo Pires, esse movimento é uma das maneiras encontradas pelo filme para conversar tanto com quem acompanhou a franquia desde 2006 quanto com quem vai conhecê-la agora. “Eu acho que a nossa prioridade é manter o público cativo, que já é apaixonado pela franquia, e ganhar um novo público.”
Cléo e Rafael entram na história com uma nova dinâmica
A nova geração é representada por Cléo Pires e Rafael Infante, que assumem Bia e Aquiles. Para os atores, participar de uma franquia tão conhecida também significou experimentar a sensação de fazer parte de uma história que atravessou diferentes momentos do cinema brasileiro.
Quando questionado sobre o retorno da produção quase 20 anos depois do primeiro filme, Rafael definiu a experiência de maneira direta: “Uma delicinha, né? Tem uma sensação gostosa de estar fazendo parte da história, né? Uma história marcante! Conforto!”
Cléo, por sua vez, acompanhou de perto a relação entre os protagonistas originais também por ser filha de Glória Pires. Para ela, observar a química entre Glória e Tony ajudou a tornar a experiência ainda mais especial.
Em vários momentos, eu vejo, por exemplo, a minha mãe [Glória Pires] e o Tony [Ramos]. Eles já têm uma alquimia ali entre eles, né? E aí eu vejo os dois juntos, às vezes fora de cena, conversando, trocando ideias. Ou está todo mundo, mas aí eles têm uma piada interna, sabe? Então, é gostoso entrar nessa onda. Cléo Pires - Atriz
A presença da dupla original também funciona como uma ponte entre os filmes anteriores e o novo capítulo. Embora Bia e Aquiles sejam os responsáveis por conduzir a nova troca, Cláudio e Helena continuam fundamentais para a história e para a memória afetiva do público.
Nostalgia sem repetir os primeiros filmes
A retomada da franquia acontece em um momento em que o cinema brasileiro também tem apostado em histórias conhecidas e personagens que marcaram diferentes gerações.
A nostalgia, porém, não é o único elemento usado pelo terceiro filme. Ao transferir a troca de corpos para Bia e Aquiles, a produção encontra uma maneira de revisitar a fórmula sem simplesmente repetir o conflito dos dois primeiros longas.
Com 92 minutos de duração, Se Eu Fosse Você 3 mantém o ritmo leve da franquia e mistura referências aos filmes anteriores com novos personagens e conflitos. A mudança também acontece atrás das câmeras: Daniel Filho, responsável pela direção dos dois primeiros filmes, retorna como supervisor, enquanto Anita Barbosa assume a direção.
Humor para fazer rir e também pensar
Além de provocar o reencontro com personagens conhecidos, a franquia mantém uma característica defendida por Tony Ramos: a comédia como espaço para reflexão.
Ao falar sobre o que espera que o público leve para casa depois da sessão, Glória Pires voltou à importância da empatia.
“Acho que pensar no próximo. Acho que a empatia está muito adormecida ou, às vezes, desconhecida por muitos. É o momento que a gente vive, com essa coisa das redes sociais, das bolhas criadas. Acho que a empatia é um sentimento que precisa mesmo ser incentivado e redescoberto.”
Tony complementou a atriz defendendo que a diversão também faz parte da experiência de ir ao cinema. “Ou descoberta por quem nunca descobriu. A gente tem consciência de que, passando pelo humor, não se esqueça: esse público tem que rir, se divertir. Isso não é pecado, não. Isso é bem-vindo. Parece que rir, se divertir, é um palavrão, parece que não se pode mais.”
Para ele, o humor pode coexistir com a reflexão. “É o contrário. Ainda mais em situações tão extremas que ainda vivemos, lamentavelmente, parece que é proibido rir. Eu discordo. Temos que rir, temos que pensar junto ao riso.”
E é justamente essa combinação que o ator considera mais interessante em uma comédia.
Eu não gosto de fazer uma comédia só para provocar o riso. Eu gosto que seja uma comédia que faça o espectador, ao voltar para casa, ou ir comer uma pizza, ou pegar o carro, dizer: ‘Caramba, você sabe que, naquele momento em que falou-se isso, isso, isso, eu me lembrei de quando nós dois... Você lembra disso?’ Esta reflexão é que nos interessa. Tony Ramos - Ator
“Coração quentinho” para o público
Se a mensagem de empatia continua sendo um dos pilares da franquia, Cléo Pires espera que o terceiro filme também provoque uma sensação mais afetiva no público.
Eu quero que as pessoas levem amor. Coração quentinho. Coração é a melhor coisa que existe. E acho que esse filme tem muito disso. Então, acho que dá para levar bastante amor para casa. Cléo Pires - Atriz
Rafael Infante também resume a experiência desejada em uma ideia de união: “Tem uma sensação de jogar junto, todo mundo vai melhorar a vida.”
A proposta de ampliar a família e apresentar uma nova geração, portanto, não significa abandonar o que tornou Se Eu Fosse Você reconhecível. Pelo contrário: a nova história tenta usar a mesma premissa para discutir relações diferentes, mantendo Cláudio e Helena como elo entre passado e presente.
Para Cléo, essa mistura entre memória e novidade é justamente o que pode permitir que a franquia alcance espectadores que não acompanharam os primeiros filmes.
“O filme tem uma afetividade muito forte e as pessoas possuem uma lembrança afetiva dos primeiros dois filmes, o que é muito importante. Eu acho que uma das mensagens que também é muito forte e que acaba tocando as pessoas é essa coisa de você se colocar no lugar do outro. Eu acho que isso é muito curioso e interessante. Todo mundo tem essa curiosidade ou essa fantasia, de alguma forma”, afirma a atriz.
Filme chega aos cinemas nesta quinta-feira
Com a nova geração no centro da história, a volta de Glória Pires e Tony Ramos e a direção de Anita Barbosa, Se Eu Fosse Você 3 chega aos cinemas nesta quinta-feira, 8, duas décadas depois do primeiro filme da franquia.
Além de Cléo Pires e Rafael Infante, o elenco conta com Rosi Campos, Dan Ferreira, Paulo Rocha, Valentina Daniel, Yohama Eshima, Fefê Schneider, Janamô, Pia Manfroni e Romulo Medeiros.
O primeiro longa, dirigido por Daniel Filho, acompanhava o publicitário Cláudio e a professora de música Helena, que acordavam com os corpos trocados depois de uma discussão. Lançado em 2006, o filme levou mais de três milhões de espectadores aos cinemas. O segundo capítulo chegou às telas em 2009.
Agora, a família cresceu e a troca de corpos mudou de geração. Mas, para Glória Pires, a essência continua presente. “O filme estará disponível somente nos cinemas. Vão aos cinemas para assistir a ‘Se Eu Fosse Você 3’. É a mesma história, com novos contornos, surpresas, muito humor e muito amor.”
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Tony Ramos também deixou um convite especial ao público baiano durante a entrevista exclusiva ao Cineinsite A TARDE.
Querida Salvador, querido povo baiano, pessoal do A TARDE, vocês têm um alcance enorme. A partir do dia 8, que está chegando, acontece a estreia nacional de ‘Se Eu Fosse Você 3’, só nos cinemas. Não adianta ficar caçando, porque só estará nos cinemas. E saudades dessa linda terra, saudades dessa boa comida, dessa boa gastronomia. Beijo, saúde e paz a vocês. Tony Ramos - Ator


