POLÊMICO
Robert Pattinson estrela filme que expõe bastidores de programa de TV
Primetime revisita a ascensão de um reality show sensacionalista e questiona os limites éticos da TV


Em 2006, o programa televiso da rede NBC “To Catch a Predator” ganhou o horário nobre da televisão norte-americana. Isso porque os diretores do canal viram o potencial de audiência do reality show camuflado de interesse jornalístico, na sua ética questionável na busca e exposição de pedófilos e predadores sexuais.
O apresentador do programa, Chris Hansen, tornou-se uma espécie de justiceiro, apesar das polêmicas em torno do sensacionalismo do programa. Interpretado por Robert Pattinson, ele é o protagonista de Primetime, filme de Lance Oppenheim que retrata o momento de ascensão do programa, além de revelar os bastidores de como eram feitas as armações.
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Além do apresentador, havia uma “isca”, uma pessoa adulta que se passava por um menor de idade, inclusive caracterizando-se como tal. Esta pessoa conversava com homens mais velhos na internet e os atraia para sua suposta casa, que estava cheia de câmeras escondidas.
Os abusadores entravam achando que teriam algum encontro sexual com os menores, mas davam de cara com o apresentador do programa que os humilhava com um discurso condenatório e logo chamava a polícia que estava a postos para prender os criminosos. A causa denuncista parece nobre, mas o lado sensacionalista do programa é o que prevalece.
No filme, todo esse circo é desnudado, não só a partir da guinada do programa na audiência, mas também na busca de uma nova isca, representada pelo aspirante a ator Dan (Skyler Gisondo). Quem acompanha tudo de perto e não deixa que as coisas saiam do script é a produtora Andie Bender (Merritt Wever).
Denúncia e espetacularização
O diretor Lance Oppenheim conduz toda a trama do filme, inicialmente, com um certo tom de irreverência, querendo criar certa atmosfera jovial para aquilo que está sendo construído por detrás das câmeras. O filme tem agilidade e reconstrói muito bem o tom espírito televisivo do início dos anos 2000.
No entanto, a trama vai ficando cada vez mais séria e pesada, mas “Primetime” não consegue dar corpo a essa mudança de atitude, a ponto de questionar os limites morais que estão sendo ultrapassados ali. Em alguma medida, acaba reproduzindo o mesmo tipo de sensacionalista que ele próprio busca denunciar.
Pattinson está ótimo no papel de Hanson, seu comportamento não possui nada de maquiavélico ou exagerado, o que apontaria para um maniqueísmo barato. Mas ele também não demonstra nenhum tipo de preocupação social sobre o tipo de programa que está levando ao ar. Mesmo que seu casamento esteja prestes a desmoronar, ele só consegue pensar na continuidade do programa.
Depois de explicar como funciona, do lado de cá das câmeras, esse tipo de produto televisivo da indústria cultural, parece que o filme não consegue elaborar mais nada para dizer sobre ele.
O filme, exibido na mostra competitiva do Festival de Veneza, não irá passar nos cinemas estreia nos cinemas brasileiros e será lançado diretamente no streaming do Prime Video, ainda este ano.
*O jornalista viajou a São Paulo com apoio do evento.


