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DICA DA NUTRI

A era da proteína: precisamos realmente aumentar o consumo?

Não existe uma quantidade padrão que funcione para todas as pessoas.

Priscilla Lima
Por Priscilla Lima
Imagem ilustrativa da imagem A era da proteína: precisamos realmente aumentar o consumo?
Foto: Reprodução | Freepik

O consumo diário de proteína pela população se tornou um tema que merece atenção. Com tantas opções disponíveis no supermercado e propagandas, é comum o consumidor ser levado a ingerir muito mais do que o corpo realmente precisa.

Além dos alimentos tradicionais (frango, carne, ovo e feijão), a proteína ganhou espaço em outras prateleiras. Tem iogurte proteico, barrinha proteica, chocolate proteico, cookie proteico, bebida proteica e até produtos que antes não tinham nenhuma relação com o universo fitness agora aparecem com a palavra “protein” estampada na embalagem.

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Mas será que o nosso corpo absorve tudo isso ou estamos transformando um nutriente importante em uma tendência de consumo? O objetivo desta coluna é ajudá-lo a encontrar essa resposta.

O aumento do consumo de proteína

Em 2026, a busca por suplementos alimentares atingiu níveis recordes, e a proteína passou a ocupar um lugar central na mudança do comportamento alimentar.

Ao mesmo tempo, cresce o mercado de refeições e produtos voltados para consumidores que querem comer mais proteína — entre os quais estão as pessoas que utilizam medicamentos para emagrecimento e passaram a consumir porções menores de comida.

A indústria percebeu esse movimento de alta procura por produtos associados à saciedade, ao emagrecimento e ao ganho de massa muscular. Assim, a palavra “proteína” se tornou um argumento poderoso para vender alimentos.

Isso não significa que todo produto proteico seja ruim, mas precisamos olhar além da embalagem.

Os alimentos precisam ser avaliados pelo conjunto de sua composição. Um produto com palavra “protein” no rótulo não é necessariamente mais saudável.

O verdadeiro papel da proteína na nossa rotina

A proteína é essencial para o nosso organismo, mas não pode ser o único nutriente presente nas nossas refeições. Além disso, ela não consegue trazer resultados sozinha.

Ela está presente em diferentes tecidos do corpo e tem diversas funções importantes. O seu papel mais conhecido é a participação na construção e manutenção dos músculos.

Para quem pratica atividade física, especialmente musculação, a proteína ganha ainda mais atenção por participar do processo de recuperação e adaptação muscular.

Quando o consumo de proteína se torna um problema?

O problema começa quando a mensagem de que “proteína é importante” se transforma em “quanto mais proteína, melhor”. Não é assim que funciona.

As necessidades de consumo de proteína variam de pessoa para pessoa. Idade, peso corporal, nível de atividade física, objetivo, alimentação e condição de saúde precisam ser considerados.

Uma pessoa sedentária, um idoso, um atleta e alguém em processo de emagrecimento, com uso de canetas emagrecedoras ou não, podem ter necessidades completamente diferentes.

Para pessoas fisicamente ativas, especialmente aquelas que treinam com o objetivo de ganho ou manutenção de massa muscular, as recomendações esportivas trabalham com uma ingestão diária em torno de 1,4 a 2,0 gramas de proteína por quilo de peso corporal, com ajustes conforme o contexto individual.

Por isso, é perigoso simplesmente copiar a dieta de um influenciador, comprar vários produtos proteicos ou colocar whey em todas as refeições.

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Bater a meta de consumo diário também não é tudo

Outro ponto que observo é que, muitas vezes, a pessoa está tão preocupada em bater a meta de proteína que esquece do restante da alimentação.

A saúde não se constrói com um único nutriente. Não adianta consumir uma grande quantidade de proteína e esquecer frutas, verduras, feijão, carboidratos, fibras e outros nutrientes importantes.

Para quem treina, por exemplo, o resultado depende de uma alimentação adequada como um todo. Assim como a proteína, a recuperação do músculo também depende da energia proveniente do consumo adequado de carboidrato.

Cuidado que whey protein não é milagre

O whey protein funciona para que tem dificuldade em atingir a quantidade diária de proteína ou precisa de uma opção mais prática, mas não deve ser tratado como obrigatório para todo mundo.

Em minha prática como nutricionista, gosto de lembrar aos pacientes que o suplemento é uma ferramenta e não a base para uma boa alimentação.

Em muitos casos, a própria comida consegue atender perfeitamente às necessidades do paciente.

A era da proteína e os atendimentos nutricionais

Talvez o grande desafio da “era da proteína” seja justamente separar necessidade de estímulo gerado por marketing.

Para além de olhar para quantidade de proteína no rótulo, precisamos nos perguntar: “realmente preciso dessa quantidade?”

Eu já atendi pacientes que acreditavam que para ganhar massa muscular precisavam aumentar cada vez mais o consumo de proteína. Recentemente, cuidei de um paciente que já utilizava whey protein, consumia muita carne e ainda buscava outros proteicos ao longo do dia.

Apesar de tanto esforço, o resultado não acompanhava a expectativa. Ao avaliar sua rotina alimentar, percebi que ele estava concentrando uma quantidade muito grande de proteína em algumas refeições e deixando outros nutrientes importantes em segundo plano.

O que fiz com esse paciente? Reorganizei toda a sua alimentação de acordo com o objetivo, o peso, a composição corporal e a rotina de treinos.

A quantidade de proteína foi distribuída durante o dia e a ingestão de carboidratos foi ajustada, principalmente para os horários próximos ao treinamento. Também inclui outros alimentos: frutas, verduras, legumes, feijão e outras fontes de fibras e micronutrientes.

O whey continuou sendo utilizado, mas como uma ferramenta de praticidade, e não como a base da alimentação.

Com os ajustes, a alimentação passou a conversar melhor com a realidade daquele paciente. Ele conseguiu melhorar a disposição, o rendimento nos exercícios e a regularidade da dieta.

A importância do acompanhamento nutricional na era da proteína

O acompanhamento nutricional vai muito além de organizar os pratos e acompanhar o peso. É preciso considerar também composição corporal, desempenho e evolução da massa muscular.

O caso que compartilhado anteriormente se tornou comum. Muitas pessoas acreditam que o segredo para ganhar músculo está simplesmente em aumentar a proteína, mas não é assim.

A proteína é matéria-prima, mas não trabalha sozinha. Para construir e preservar músculos, precisamos de treinamento adequado, ingestão de carboidratos, proteínas, micronutrientes, hidratação, sono e, principalmente, consistência.

Por isso, antes de responder o desejo do paciente em aumentar o consumo de proteína, explico que precisamos olhar para a alimentação inteira dele.

A melhor dieta é a que fornece o que aquela pessoa realmente precisa e o que consegue manter constância na vida real.

O consumo excessivo de proteína é perigoso?

O consumo excessivo de proteína pode levar a problemas de saúde, como sobrecarga nos rins. É importante lembrar que cada pessoa tem necessidades diferentes, que variam de acordo com a atividade física, idade e objetivos específicos.

A proteína deve ser a única prioridade na dieta?

A proteína é importante, mas não deve ser o único foco da alimentação. É essencial incluir outros grupos alimentares, como carboidratos, fibras, frutas e verduras, para uma nutrição balanceada.

O whey protein é indispensável para todos?

O whey protein é um suplemento que pode ajudar, mas não é necessário para todos. Muitas vezes, uma dieta equilibrada fornece a quantidade necessária de proteína sem a necessidade de suplementos.

Como calcular a quantidade ideal de proteína que preciso consumir?

As necessidades de proteína variam com base em fatores como peso, idade e nível de atividade. Um atleta pode precisar de mais proteína do que uma pessoa sedentária, por exemplo.

Por que é importante ter acompanhamento nutricional na dieta?

O acompanhamento nutricional é essencial, pois garante que você consuma a quantidade adequada de nutrientes e não apenas proteções. Consultar um nutricionista pode ajudar a adaptar a dieta às suas necessidades individuais.

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