ARMANDO AVENA
Um alerta aos brasileiros
Confira a coluna de Armando Avena


Quem acompanha esta coluna sabe que seu foco é a economia e que a política partidária não tem lugar aqui. Mas o que está acontecendo neste momento no Brasil é muito grave, e este economista, que tem compromisso com a verdade, não pode se calar.
Economistas do Brasil inteiro, aqueles que não são ligados ao mercado financeiro, estão assustados com as propostas do candidato que lidera as pesquisas. Não é para menos: ao mesmo tempo em que promete um ajuste fiscal de 1,5% a 2% do PIB, algo próximo a R$ 250 bilhões, o que demandaria um corte de gastos generalizado, Flávio Bolsonaro promete que vai congelar as dívidas e os boletos da população e das empresas por até um ano e vai devolver parte das contas pagas via Pix. Você, leitor, acredita mesmo nisso?
O candidato que promete gastar menos do que arrecada e que afirma que vai passar a tesoura nos gastos e nos impostos diz que vai dar reajuste real ao salário mínimo; reajuste real às aposentadorias; manter e ampliar o Farmácia Popular e criar entrega a domicílio; manter o programa Minha Casa, Minha Vida e reduzir as prestações; digitalizar o SUS e fornecer um serviço padrão Hospital Albert Einstein.
Você, leitor, acredita mesmo nisso? É claro que não!
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Dizem-me que, nos auditórios da Faria Lima, Flávio Bolsonaro afirma que está prometendo tudo isso apenas para ser eleito e que, após sua posse, ele será pragmático. Não há pragmatismo que resista a um “estelionato eleitoral”. Quando o povo perceber que as dívidas não foram congeladas, quando sentir na pele o corte dos programas sociais, quando perceber que o preço dos alimentos não mudou, ele vai se mobilizar e tomar as ruas das cidades brasileiras. E teremos uma sucessão de greves e manifestações, e a incerteza dominará o país.
Após a redemocratização, os presidentes brasileiros que se elegeram com promessas vazias, prometendo aquilo que não podiam cumprir, viram os estudantes, os sindicatos e a classe média irem às ruas protestar e alguns sofreram impeachment. O resultado era sempre uma crise econômica e institucional que fazia o país retroceder por anos, economicamente.
Quando as greves estourarem e o povo estiver nas ruas protestando, Flávio Bolsonaro seguirá o caminho do autoritarismo, do seu ídolo Viktor Orbán, que, na Hungria, implantou um regime autoritário que quase destruiu a democracia húngara. Orbán caiu – eles sempre caem –, mas a Hungria jogou anos que poderiam ser de prosperidade na lata do lixo.
E não se enganem os empresários, pequenos, médios ou grandes: Bolsonaro vai escolher apenas um pequeno grupo de empresários, e eles serão os beneficiados. Foi assim com Orbán e é assim com Trump.
O empresariado e a classe média deveriam desconfiar de um candidato que promete benefícios imediatos sem explicar os custos, porque, quando a conta não fecha, ela não desaparece: acaba sendo paga por alguém, seja na forma de impostos, juros elevados, redução de serviços públicos, perda de renda ou menor crescimento econômico.
Não se trata de acreditar em Lula ou em Flávio por preferência ideológica, e é verdade que nem um nem outro apresentaram as propostas de que a economia precisa. Mas o pior dos mundos é colocar no poder daquela que será, em 2027, a 8ª maior economia do mundo, segundo o FMI, um candidato despreparado, sem qualquer experiência, que não tem compromisso com a verdade e é incapaz de administrar o país. Sua empresa não merece isso, sua família não merece isso. O Brasil não pode se jogar no abismo.


