Aulas 100% Presenciais: o primeiro passo para a reconstrução das vidas e dos sonhos

Publicado quarta-feira, 20 de outubro de 2021 às 15:35 h | Atualizado em 20/10/2021, 15:37 | Autor: Manoel Calazans*

O fechamento das Unidades Escolares não foi uma opção fácil em nenhuma parte do mundo. A pandemia impôs, de forma cruel e assustadora, que as escolas fossem envelopadas, professores e estudantes ficassem em casa, e o que aconteceu em seguida todos nós sabemos muito bem: quase inacreditáveis dois anos de colégios silenciados e lacrados.

De uma hora para outra, recorremos ao ensino remoto, salas virtuais, atividades síncronas e assíncronas, montamos grupos em rede sociais, virtualizamos a interação “professores versus estudantes”, tudo pautado no ineditismo da nossa geração em lidar com o processo educacional pautado em um cotidiano pandêmico. Foi fácil? Não! Exigiu coragem, determinação, envolvimento de todos e todas, e acima de tudo, consciência política e social por parte de gestores públicos, diretores das unidades escolares e educadores.

Quando me perguntam se o ensino remoto substituiu com excelência o ensino presencial, respondo taxativamente que sim, foi o possível e viável para o momento histórico da pandemia. O que foi feito no cenário da educação brasileira com o advento da Covid-19 foi para além do que habitualmente era realizado nas salas de aulas. Partimos para a virtualidade com a máxima de que: ou era isso, ou nada. Tempos de Exceção, que só podem ser avaliados pelo prisma de quem passa por uma guerra. Mais na frente teremos um resíduo que terá que ser pago.

O nebuloso tempo das “escolas não presenciais” (reafirmo que foi um mal necessário, não quero ser interpretado como negacionista, pois sei que os dados epidemiológicos ditavam o fechamento) exigirá que políticas de reparação no âmbito do sistema educacional brasileiro sejam adotadas de forma imediata e concomitante com o processo de abertura das atividades presenciais com intuito de reverter fenômenos do nosso tempo “pós covid”. Enumero alguns para que nossa cabeça e coração já concentrem energia no esforço coletivo de: reverter a evasão escolar; encontrar caminhos viáveis para a alfabetização na idade certa; redimensionar o papel das tecnologias no cotiado das escolas, no currículo e planejamento das aulas; estancar o aumento da ansiedade e depressão entre estudantes e profissionais da educação, e tantas outras coisas que já apareceram outras que surgirão.

Não sabemos ao certo quais serão os novos desafios que enfrentaremos na seara da educação, mas reconhecemos que qualquer nova estratégia deve ser adotadas com as escolas abertas. O tempo do EAD dominando o cenário da Educação Básica deve ser substituído urgentemente pela atividade presencial. Não desconsidero o legado que as atividades virtuais trouxeram para o nosso tempo. Jamais poderemos desmerecer o que aconteceu no campo das tecnologias a serviço da educação na pandemia. E creio que muitas coisas permanecerão entre nós. Só evoco que a saudosa escola de carne e osso, com gente, prédio, distanciamento social e olho no olho volte a funcionar presencialmente. Do contrário, a reconstrução das vidas e dos sonhos será protelada para um futuro mais distante.

*Manoel Calazans é mestre em Políticas Sociais e Cidadania, pedagogo, especialista em Gestão Escolar e atualmente superintendente de Planejamento da Rede Pública Estadual da Bahia

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