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CONJUNTURA POLÍTICA

Mudança e Segurança Pública

Leia a coluna Conjuntura Política

Cláudio André de Souza
Por Cláudio André de Souza
Convenção Política do União Brasil - ACM Neto
Convenção Política do União Brasil - ACM Neto - Foto: Denisse Salazar/ Ag. A TARDE

A convenção que confirmou ACM Neto como candidato a governador na quarta (22) seguiu um script sem grandes surpresas quanto à sua estratégia de dar centralidade ao tema da segurança pública. A aposta principal da campanha com o slogan "Mudança com Segurança", concentra o debate em um único tema de olho no eleitorado das grandes cidades, o que revela, na prática, uma campanha desenhada para as 30 maiores cidades baianas, onde estão 45,6% do eleitorado baiano.

A aposta esbarra em um limite que a própria direita brasileira já experimentou na pele, já que a segurança pública desgasta governos com sua complexidade perpassando competências divididas entre União, estados e municípios. Tarcísio de Freitas, aliado do próprio União Brasil de ACM Neto no comando de São Paulo, tinha em agosto de 2025 somente 28% de avaliação positiva em segurança pública, segundo a Quaest, contra 36% de avaliação negativa. Se bastasse propaganda e vontade política para resolver os problemas, o estado mais rico do país já teria indicado um modelo de governança eficaz, não é mesmo?

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O ponto alto da segurança proposto por ACM Neto reside na criação de uma Governadoria da Segurança. O arranjo já existe desde o início dos anos 2000: os Gabinetes de Gestão Integrada (GGI) nasceram no âmbito do II Plano Nacional de Segurança Pública e ganharam caráter obrigatório com o Pronasci em 2007, através da Lei 11.530, que condicionou o repasse de recursos federais à criação destes gabinetes nos estados.

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A Bahia já possui essa estrutura, presidida pelo próprio Secretário de Segurança Pública, na medida em que a experiência nacional mostra que o coordenador do GGI é justamente quem ocupa essa função governativa no Executivo. Se a ideia for criar uma governadoria para presidir o que já tem presidente é, na melhor das hipóteses, redundância administrativa, e na pior, uma gambiarra populista de marketing sobre uma hierarquia já definida em lei.

Sem dúvida, o erro mais grave na convenção foi a ausência completa dos Territórios de Identidade na fala e nas propostas do candidato, pois, trata-se de uma categoria oficial de planejamento de políticas públicas do estado desde 2007. Infelizmente, a palavra “território” apareceu no discurso de ACM Neto como menção genérica de espaço dominado pelo crime ao propor um Plano de Reocupação de Territórios.

No âmbito estratégico dos impactos eleitorais para as próximas semanas, o que está em jogo é entender se a segurança pública será capaz de alterar a decisão do voto entre o eleitorado urbano lulista, inviabilizando Jerônimo e dando vantagem à oposição. A presença de Lula confirmada para a convenção dos petistas é um claro sinal de nacionalização das eleições baianas e da força do lulismo como preditor de votos.

Cláudio André é professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]

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