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O fundo eleitoral e a Bahia

Redistribuição do fundo eleitoral fortalece PL e PT e encolhe União Brasil

Cláudio André de Souza*
Por Cláudio André de Souza*
Fundo eleitoral passou a valer a partir de 2018
Fundo eleitoral passou a valer a partir de 2018 - Foto: Nelson Jr | ASICS | TSE

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) foi criado em 2017, logo depois que o STF proibiu doações empresariais a campanhas em 2015, na tentativa de limitar um grande “caixa privado” que financiava todas as campanhas eleitorais no Brasil.

O fundo passou a valer a partir das eleições de 2018, quando movimentou pouco mais de R$ 1,7 bilhão, e em 2026 o montante já soma aproximadamente R$ 4,96 bilhões entre 30 legendas, mantendo o tamanho nominal de 2022, mas com uma redistribuição interna que reconfigura o grau de competição entre os partidos.

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A ciência política tem se debruçado sobre o tema, em especial, considerando o FEFC como uma variável importante no desenho das campanhas, já que o financiamento público ajuda a explicar o sucesso eleitoral de candidaturas majoritárias e proporcionais diante, inclusive, do famigerado poder de recurso das emendas parlamentares.

A distribuição de 2026 trouxe uma inversão significativa no topo do ranking, sendo que o PL salta da sétima posição em 2022 para a liderança absoluta, com R$ 881,7 milhões, um crescimento de 205,6%, puxado pela ampliação da bancada na Câmara, que passou de 37 para 98 deputados.

O PT cresce de forma mais moderada, de R$ 503,4 milhões para R$ 615,4 milhões, alta de 22,3% em 2026, enquanto o União Brasil sofreu a maior queda entre os grandes partidos, caindo de R$ 782,6 milhões para R$ 526,2 milhões, recuo de 32,8%, perdendo a liderança que teve nas eleições de 2022.

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Na Bahia, esses três players formam o front da disputa majoritária a governador e senador, já que o PT comanda a coligação governista com Jerônimo, Rui Costa e Jaques Wagner, o União Brasil sustenta a pré-candidatura de ACM Neto ainda que enfraquecido nacionalmente, e o PL, fortalecido pelo crescimento do fundo, projeta-se como peça relevante tanto na disputa presidencial de Flávio Bolsonaro quanto na articulação local com João Roma.

Corre em paralelo o PSD, parceiro estratégico da chapa governista, que receberá R$ 421 milhões, alta de 20,3%, e estrutura na Bahia uma campanha calculada para eleger entre 9 e 12 deputados federais, consolidando-se como a maior bancada estadual na Câmara.

Os partidos tendem a olhar o fundo eleitoral de forma estratégica em duas frentes simultâneas. Na disputa estadual, o crescimento do PT e do PSD reforça a capacidade de Jerônimo sustentar uma campanha robusta nos 417 municípios.

Na segunda frente da disputa presidencial, embora não haja formalização do apoio de ACM Neto a Flávio, a montagem do seu grupo carrega uma dominância política bolsonarista evidente com João Roma e o PL ganhando peso financeiro inédito, o que pode ajudar a campanha de Neto com recursos oriundos do PL. Direta ou indiretamente, a eleição na Bahia seguirá nacionalizada.

*Cláudio André é Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]

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