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O Pix, Trump e o “Tariflávio”

Entre escândalos de corrupção e o desgaste de Flávio Bolsonaro

Cláudio André de Souza*
Por Cláudio André de Souza*
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Andressa Anholete | Agência Senado

O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) está há mais de duas semanas emparedado pelos escândalos de corrupção do Banco Master e pelas relações espúrias com Daniel Vorcaro, em torno de um caixa obscuro para financiar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A saída da crise foi tentar tirar o foco da relação de Flávio com os corruptos do Banco Master e construir o personagem do “homem de Trump”.

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A aposta passou pela pauta da inclusão do CV e do PCC como organizações terroristas, tema de forte apelo nas redes e útil à narrativa de que Flávio teria obtido apoio dos Estados Unidos para enfrentar o problema nacional da segurança pública.

Dias depois da visita de Flávio a Trump, o governo americano anunciou que uma investigação conduzida desde julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, órgão responsável pela política comercial americana, concluiu que políticas e práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio bilateral.

A reação complacente de Flávio, horas depois do anúncio, reforçou a percepção de que havia um plano de ataque ao Brasil como estratégia de desestabilização política.

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Se, de um lado, os Estados Unidos usam sobretaxas como instrumento de pressão sobre outros países, de outro fica evidente a estratégia bolsonarista de produzir desgastes na imagem pública do presidente Lula.

A resposta narrativa do governo brasileiro ao “Tariflávio” foi mostrar que a ação envolvia também uma punição ao Pix, dando a Lula uma pauta popular. A defesa da soberania, muitas vezes distante da vida cotidiana, tornou-se mais palpável quando o Pix passou a materializar o debate nos últimos dias.

A ida de Flávio aos Estados Unidos mobilizou 895 mil publicações nas redes sociais entre 24 e 29 de maio, e 52% das impressões geradas em torno do seu nome nesse período estavam vinculadas ao encontro com Donald Trump.

Se a guerra discursiva consolidar a percepção de que a agenda externa de Flávio produziu novos prejuízos ao Brasil, sua pré-campanha terá mais um problema a administrar. O ataque ao Pix pode ser fatal para sua imagem pública, afetando seu tamanho nas intenções de voto no curto prazo.

Na Bahia, há uma operação seletiva de ACM Neto para controlar internamente os bolsonaristas no apoio público a Flávio Bolsonaro. Mas chegamos à reta final da pré-campanha a governador e presidente, antes das convenções partidárias, sem saber como ficará o palanque de Flávio no estado.

Já associado aos escândalos do Banco Master, o senador agora carrega o desgaste do “Tariflávio”. Ao mesmo tempo, Neto e o PL sabem que a força do lulismo no eleitorado baiano impõe limites ao custo político de caminhar ao lado de Flávio.

*Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]

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Tags

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