Kirimurê ou BTS: o melhor dos encantos de Salvador, a 1ª capital
Baía de Todos-os-Santos: o que a nova ponte Salvador-Itaparica pode mudar para a Bahia?

O que Salvador celebra hoje é o 477º aniversário do dia em que os portugueses a declararam capital do Brasil, mas o espaço dela sempre teve como palco e cenário a Baía de Todos-os-Santos – para os índios que aqui já estavam, Kirimurê, aliás, a origem do nome do estado.
Sede desde sempre, ela foi o principal vetor econômico da Bahia, prepara-se para conviver com o tempo em que muito continuará feito pelo mar e também sobre ele, mas sempre com ele, com a chegada da ponte Salvador-Itaparica, que vai reconfigurar a economia baiana.
E quem nos fala sobre o gigantismo da importância da nossa BTS é Eduardo Athayde, empresário, conselheiro da Associação Comercial da Bahia, diretor da Rede WWI (Worldwatch Institute) no Brasil, pesquisador e apaixonado pelo mar em geral e pela BTS em particular.
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AMAZÔNIA AZUL – É ele quem nos conta:
– Em 2014, o Fórum Internacional de Gestão de Baías, realizado na Associação Comercial da Bahia, mostrou que a Baía de Todos-os-Santos foi declarada Capital da Amazônia Azul, merecidamente.
Amazônia Azul é como a Marinha do Brasil chama o Oceano Atlântico e, segundo Athayde, a baía baiana não é pouca coisa.
– É o maior porto natural de todo o hemisfério sul, tem dez portos e TUPs, algo muito raro no planeta.
Ele faz uma queixa: apesar de todo esse potencial, não tem conexão ferroviária, o que poderia ser amenizado com a conclusão da Fiol, o que daria por si outra cara aos seus 66 km de costa.
– Fica a sensação de que ainda não sabemos explorar todo o nosso potencial.
A PONTE
Mas a BTS, que sempre protagonizou grandes momentos da Bahia também na cultura, está agora em vias de ser palco de outra virada histórica, a ponte Salvador-Itaparica, cuja construção está prevista para começar 4 de junho próximo.
Eduardo partilha da tese que a ponte é inevitável. Por um detalhe: Salvador está situada numa área com formato de cabo – só tem duas saídas, pelo litoral norte ou pela BR-324. Estamos na era do automóvel, e o único movimento que se vê de mudança é na forma de abastecê-los, do petróleo para fontes renováveis.
– A ponte é necessária, sem dúvida. O que me preocupa aí é o impacto que isso vai causar. São 17 cidades no entorno da Baía de Todos-os-Santos. Temos Itaparica, o Baixo Sul, que vão fazer conexão direta com Salvador. Navios não têm freio. Estão sendo devidamente preparados para isso?
O certo é que a 1ª capital do País caminha para protagonizar uma virada no tempo num cenário em que a Capital da Amazônia Azul é o palco principal. Será o terceiro tempo da nossa BTS.
POLÍTICA COM VATAPÁ: Só retórica
Major Cosme de Farias, jornalista, professor e rábula ardoroso defensor dos pobres, nos deixou em março de 1972, perto de completar 97 anos. Hoje, é nome de bairro em Salvador e um personagem icônico da história da capital baiana.
Conta Sebastião Nery que Cosme de Farias, ainda jovem, mas já conhecido, foi escalado para ser orador oficial no sepultamento, no Campo Santo, do ex-governador Luiz Viana, pai do também ex-governador Luiz Viana Filho, avô do ex-deputado federal Luiz Viana Neto. A inteligência tinha o tempero de uma bela fluência verbal, o que fizera dele um rábula muito respeitado.
E, no Campo Santo, o major soltou o verbo:
— É tamanha a nossa orfandade que, às vezes, dá vontade de pedir a Deus para também irmos juntos!
Atrás dele, o professor Herculano, famoso no Colégio da Bahia, soltou um espirro daqueles de estrondar quarteirão. O major levou um susto, tropeçou no barro, quase cai dentro da cova. Parou, olhou o céu com ar sério:
— Oh, Deus amado. Era só uma figura de retórica.
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